O blog está sempre muito atento às novidades que saem no Japão, sobretudo quando estamos falando de demografia feminina (Shoujo, Josei, TL…), BL e Yuri. Nos últimos meses, vimos o lançamento de três livros que achamos muito interessantes, então por que não compartilhar sobre os seus lançamentos em forma de texto?
Os livros em questão são:
- Bessatsu Da Vinci: Da Vinci ga Mitsumeta BL no 20-nen (2006-2026);
- Hajimete no Yuri Sutadīzu Queer/Feminism no Shiten Kara;
- Ren’ai Shoujo Manga Zenshi: Rabu Kome to Wakamono Bunka no Hensen wo Saguru;
O que essas três obras têm em comum? Todas fazem um apanhado histórico do objeto de estudo e acompanham sua evolução ao longo do tempo e trabalham com uma perspectiva crítica, visando não só a parte histórica, mas também trazendo algumas ferramentas do feminismo.
Iremos comentar cada um pela ordem de lançamento deles ^^
Bessatsu Da Vinci: Da Vinci ga Mitsumeta BL no 20-nen (2006-2026)
“Bessatsu Da Vinci: Da Vinci ga Mitsumeta BL no 20-nen (2006-2026)” (別冊ダ・ヴィンチ ダ・ヴィンチが見つめたBLの20年 2006~2026) foi lançado em 15 de Janeiro e, como o título dá a entender, é um lançamento da Da Vinci (KADOKAWA) em que a revista revisita o BL ao longo desses 20 últimos anos, explorando obras, autoras e a maneira como o BL se expandiu e evoluiu, seja na própria mídia do mangá, mas também na sua expansão para cinema e televisão (doramas).
O livro teve capa feita pela Asumiko Nakamura (Doukyusei) e traz entrevistas com diversas autoras do BL, tais como Yoneda Kou (Pássaros que cantam não podem voar); Harada (One Room Angel); Yuu Toyota (Cherry Magic); Nagira Yuu (Utsukushii Kare); Rinteku (Chameleon wa Tenohira ni Koi o suru.) e várias outras.

Hajimete no Yuri Sutadīzu Queer/Feminism no Shiten Kara
“Hajimete no Yuri Sutadīzu Queer/Feminism no Shiten Kara” (はじめての百合スタディーズ クィア/フェミニストの視点から) foi publicado no Japão em 27 de Fevereiro e foi escrito pelas autoras Ginji Kondo, Aya Mizukami e Kasumi Nakamura, com capa feita pela Akiko Morishima (Hitorimi Desu). Neste lançamento da Ohta Shuppan, as autoras exploram o gênero Yuri – que elas pontuam como algo que explora e abrange abrange “todos os tipos de intimidade” entre mulheres, incluindo amizade e romance, sendo que a sua definição varia a depender do leitor e escritor – partindo da sua evolução ao longo do tempo, tanto em um campo nacional (Japão) quanto internacionalmente, reexaminando o gênero a partir da perspectiva das pessoas envolvidas diretamente na sua produção e consumo.
O livro oferece insights sobre “o estado atual do Yuri” explorando o assunto com ferramentas do feminismo e da cultura queer. Ao longo do trabalho, elas tratam de temas como: Yuri no cenário atual; animes, doramas e o Yuri (as tendências das adaptações nessas mídias); as diferenças, diferenças e desigualdades entre o BL e o Yuri; casamento entre mulheres; e os desafios do gênero.

Ren’ai Shoujo Manga Zenshi: Rabu Kome to Wakamono Bunka no Hensen wo Saguru
Por fim, “Ren’ai Shoujo Manga Zenshi: Rabu Kome to Wakamono Bunka no Hensen wo Saguru” (恋愛少女マンガ全史 ラブコメと若者文化の変遷を探る) é uma publicação da Chikuma Sensho e foi lançada no Japão em 17 de Abril (última sexta-feira). Escrito por Nagayama Yasuo, o livro faz um panorama histórico do estabelecimento e da evolução dos mangás de romance para mulheres, novamente, com ferramentas do feminismo. O trabalho começa desde o fim da proibição de relacionamentos românticos entre homens e mulheres nos mangás, passando pelos romances históricos, até as comédias românticas e os mangás femininos, perpassando pela vida amora de mulheres independentes e até sobre como a evolução do romance no mangá Shoujo reflete a jornada dos jovens japoneses do pós-guerra.
Com foco em um dos pilares do mangá Shoujo (as comédias românticas), a obra examina em detalhes, a vida e as emoções que estão em constante transformação e que são retratadas na demografia. A autoria do livro pontua que ao decifrar a sensibilidade muito singular das autoras do Shoujo, teremos uma revelação quanto às suas visões sobre o amor e sobre as mulheres, bem como uma noção da mudança nos valores dos jovens e a discrepância que existe entre sonhos x realidade na sociedade japonesa do pós-guerra.

Foram três lançamentos muito interessantes e que consideramos muito importantes de serem compartilhados. Mangá não existe no vácuo e, portanto, é fruto de processos históricos e sociais. Portanto, se transformam de acordo com as mudanças sociais e isso é percebido através do tempo, seja pelas temáticas abordadas, pelas mudanças de estilo de arte, ou pelas tendências de popularidade de cada época.
Eu acho triste que não tenhamos iniciativas de publicação e tradução desse tipo de material, que é muito importante até como entendimento – para nós, que estamos no Ocidente – do funcionamento desses gêneros e demografias.
