A Temporada de Primavera de 2026 está começando e o primeiro anime a estrear – ou pelo menos, o primeiro entre os que irei ver – é “Shunkashuutou Daikousha”, baseado em uma série de livros de mesmo nome e que é uma das grandes hypes e apostas da temporada! O anime não só vem com uma staff de alto calibre, como também o material original é muito visado, por ser uma obra da mesma autora de “Violet Evergarden“!
Assisti ao primeiro episódio e venho aqui compartilhar algumas impressões gerais desta estreia! ^^
Sinopse: “Quando a Agente da Primavera, Hinagiku Kayo, é sequestrada, a própria primavera desaparece, mergulhando o mundo em um inverno sem fim. Recusando-se a desistir, sua dedicada guarda-costas, Sakura Himedaka, a procura por anos. Quando Hinagiku retorna repentinamente, as duas partem em uma jornada para restaurar a estação perdida, confrontar o passado que as separou e recuperar o calor que se recusam a perder novamente.”

A Kana Akatsuki apareceu e ganhou muito destaque a partir de 2015, quando foi publicado o primeiro volume da novel de “Violet Evergarden” pela KA Esuma Bunko – o selo de romances da Kyoto Animation. A autora teve o incrível feito de ser a vencedora do Grande Prêmio promovido pela editora/estúdio, a primeira a conseguir tal feito na história da premiação (e segue sendo a única até hoje). A autora ganhou ainda mais destaque quando a animação da série foi ao ar lá em Janeiro de 2018. Tamanho sucesso lhe rendeu muito prestígio, especialmente pela sua escrita cativante para dramas humanos. Agora, anos depois, a autora emplaca mais um grande sucesso, ganhando uma nova animação e ela igualmente parece muito promissora, envolvendo não só os dramas entre os personagens, mas também trazendo elementos mais fantasiosos, tanto toques e sabores bem diferentes quando comparado a sua série precedente!
Embora até hoje eu nunca tenha feito review de “Violet Evergarden”, nem tenha falado dos filmes no blog (isso ainda vai acontecer… um dia), eu fui e sou um grande fã da animação e durante muito tempo, sonhei com os livros aparecendo em algum lugar do Ocidente (isso não vai acontecer, pois a KA não licencia suas obras). Quando digo que gostava de “Violet” era gostar MESMO, do tipo de rever várias vezes os episódios, ficar ouvindo as músicas (a trilha sonora é ótima) e até hoje, ainda faço isso, porque ele é meu anime de conforto para quando estou triste. Ver uma nova obra da autora fazendo sucesso me deixa feliz e é uma nova oportunidade de apreciar o trabalho dela, ainda que por uma adaptação, então naturalmente estava bem animado!

Eu diria que esse episódio tem um ritmo mais lento, principalmente quando a gente pensa no episódio de estreia de “Violet Evergarden”, que era bem mais impactante narrativamente – há que se lembrar que a Kyoto Animation reorganizou os capítulos da novel para tornar a narrativa mais linear, então o começo da animação não condiz com o começo da novel -, enquanto esse é mais “no próprio tempo”. Eu não acho isso ruim, porque ele ao mesmo tempo que passa uma vibe um tanto contemplativa, a narrativa já vai alimentando alguns mistérios das personagens e dos Agentes das Quatro Estações.
Bem, nesse episódio (e durante toda a primeira parte da novel), iremos acompanhar a história da Agente da Primavera, a Hinagiku, que desapareceu há 10 anos e, portanto, deixou de trazer a Primavera durante todo esse período, existindo apenas Inverno, Verão e Outono. A Hinagiku é acompanhada de sua protetora, a Sakura, uma garota de 19 anos que está lá como guarda da Agente e a acompanha por onde quer que ela vá. Os mistérios envolvendo as personagens já vão sendo alimentados com um flashback em que a Sakura está sendo deixada para trás, enquanto o Agente do Inverno e da Primavera são levados embora daquele local – onde estava ocorrendo um tiroteio – e ao que tudo indica, esse é um dos motivos pelo qual a Hinagiku estava sumida durante todo esse tempo.

Nesse meio tempo, enquanto as duas estão se deslocando, é evidenciado que a Hinagiku tem um pânico social muito forte, tendo uma dificuldade para se expressar (mesmo com a Sakura, notar como as falas dela são sempre em tom baixo, monótono e sem “firmeza”/confiança na entonação), não lidando nem um pouco bem com o olhar dos outros com ela. É bem claro que ela tem problemas de autoestima, não vendo muito sentido na sua existência, por achar que ninguém precisa dela realmente – passaram-se 10 anos sem Primavera e, no entanto, as coisas parecem “bem”. Essa personalidade da Agente contrasta com a da Sakura, que passa confiança na entonação da voz, é muito mais direta e toma à frente pela Hinagiku. Ela também é muito mais explosiva nas suas reações, especialmente no que diz respeito à Hinagiku, e isso fica mais claro na reação dela ao pedir (leia-se: mandar) que ninguém esteja presente no ritual de “invocação” da Primavera, como também na maneira como a Sakura reage na possibilidade de deixar a Hinagiku sozinha por alguns momentos, para procurar os pais da Nazuna.
E falando na Nazuna… o grande acerto desse episódio foi ter movido o núcleo dramático das protagonistas para uma criança. Veja: introduzir todo o núcleo dramática das personagens poderia ser vazio, sem impacto, além de apressado e ainda ter a possibilidade estragar o eixo dramático (que a gente sabe que será bem carregado no drama) e que moverá a história daqui para frente, pois ainda não conhecemos profundamente elas para se importar e nem sabemos tudo que envolveu no passado e como essa narrativa irá, de fato, progredir. Ao colocar um ponto dramático em uma personagem que não é recorrente, a Kana Akatsuki tem a oportunidade de, não só apresentar as protagonistas, como contar uma história mais curta e até fechadinha, que serve como introdução e fio condutor para alguns pormenores. E convenhamos, isso ela sabe fazer muito bem!

Tem autores que estão muito naquele de “autores de uma obra só”. Eles não necessariamente tem uma obra, mas são aquele tipo de autor que tem A obra no currículo, enquanto que o restante ou não emplaca, ou tem uma qualidade muito aquém da obra mais famosa. Eu tinha um certo receio de que isso pudesse acontecer com a Kana Akatsuki, mas, felizmente, e não exatamente para a minha surpresa, ela é muito boa com melodrama! Ela sabe escrever dramas humanos de forma que você se envolva com os personagens e tudo isso em um espaço muito curto de tempo. Quem não se lembra do fatídico episódio 10 de “Violet” envolvendo uma mãe e sua filha? Algo muito parecido – ainda que com booooas diferenças – é retratado aqui e, novamente, lá estou eu me emocionando com a histórias dessas personagens que eu acabei de conhecer. Eu necessito MUITO ler a escrita dela, para poder sentir mais dessa escrita da autora e, felizmente, nos próximos vezes, terei em mãos o primeiro volume da light novel original para poder conhecer um pouco da escrita dela :).
E a Kana não é nem um pouco boba. A escolha de começar a história com a história de uma filha com sua mãe e o significado da Primavera para a criança – que mal conhece o que é aquilo – é muito boa, porque histórias familiares são muito boas para engajar emoção no público, principalmente nas relações de mãe e seu(s) filho(s).

Como introdução, é um ótimo episódio. Acho ele bem redondinho. A animação está bonita, com alguns cortes especialmente bem feitos. Eu acho muito bonita a representação que a autora faz da Primavera e da sua alusão com as plantas que suportam o inverno, o frio e a solidão, até o aparecimento do calor aconchegante e o “renascimento”, representado pelo surgimento de flores e a “volta à vida” (na realidade, é apenas uma adaptação que surgiu para elas não morrerem pela falta de água no solo (água congela, afinal), mas vamos abstrair e ficar com o lado poético da coisa toda). Se eu fosse dizer algumas “críticas”, eu sinto que as vezes a direção poderia ser mais “exuberante” e não chega lá, mas até aí, pode ser um efeito de eu estar comparando muito com Violet Evergarden, então ok (mas acho que o diretor ser menos experiente pode ser um fator, sim). E a outra coisa é na paleta de cores do anime. Esse começo eu sei que o uso de cores mais frias se deve por causa do Inverno e com a intenção de passar apatia e uma certa melancolia, mas eu não estava mais aguentando a coloração apagada das personagens. Estava me mordendo internamente e implorando para a chegada da Primavera, para ter mais cores e cores vivas, o que felizmente acontece.
Não sei ainda o que a série quer me contar, mas algumas coisas são certas; esses personagens não são deuses, são humanos que receberam alguns poderes divinos; tem um Q político envolvido nos Agentes e talvez, algumas tentativas de assassinatos (“Uma história de assassinato. Uma história de salvação”, conforme o fim do episódio), não sabe-se exatamente por qual motivo; a volta da Primavera já chegou até os outros Agentes e o Inverno claramente gosta da Primavera – aquele clichê deliciosíssimo de opostos que se atraem, rs – sendo que ficou mais impactado vendo o retorno da Primavera em uma região; e o principal é quanto ao passado da Hinagiku e toda a trama que está se desenhando por de trás que vai derrocar em conflitos (sabemos que a Sakura odeia o inverno) e, por sua vez, em drama. Eu sou uma pessoa que AMA melodrama, então se seguir sendo bem feito como nesse episódio de estrei, “Shunkashuutou Daikousha” vai ser um belo prato cheio!

Para terminar o texto, queria deixar uma nota de repúdio: absurdo as Temporadas de anime estarem começando cada vez mais cedo. Não é nem Abril e já tem anime estreando. Absurdo!
É isso pessoa, até o próximo post!

