Ao longo de Setembro, o blog estará voltado a falar do mangá feminino (infelizmente, com bem menos obras que eu gostaria)! Não que a gente não faça isso quase que em 100% do tempo ao longo do ano, mas queremos fazer um pequeno especial para falar da produção feminina, sobretudo na demografia feminina (um ou outro fora desse escopo pode aparecer). Então, ao longo do mês, propusemos algumas resenhas de mangás Shoujosei que demonstrem um pouco da diversidade que ocorre nas demografias femininas, com vários materiais que são ou foram publicados no país – e alguns, não publicados! Um dos mangás que escolhemos para o mês, foi o Shoujo “Girl Crush”!

“Girl Crush” (ガールクラッシュ) é um mangá Shoujo escrito e ilustrado pela Midori Tayama. A obra está em publicação no Japão desde Novembro de 2020 na revista Comic Nicola, da editora Shinchosha. A série também é publicada LINE Manga, revista digital da Line Digital Frontier. O mangá conta com 5 volumes lançados em formato impresso e 9 em formato digital. O acumulado da série é de 600 mil cópias em circulação. Em Novembro de 2025, foi anunciado que a obra terá uma adaptação em anime. Maiores detalhes da animação e a previsão de lançamento ainda não foram divulgados. No Brasil, o mangá foi anunciado pela MPEG no Anime Friends de 2024 e está em publicação desde Dezembro daquele ano. A editora publicou 4 volumes até o momento e o 5º está em pré-venda, mas sem uma previsão exata de lançamento.

Sinopse: “Duas jovens avancam em direção ao/seu sonho de se tornarem idols de K-POP! Momose Tenka é uma linda estudante que dança e canta bem. Ela faz tudo perfeitamente, mas no amor, ela é uma fracassada. Um dia ao conhecer Satou Erian, uma menina apaixonada por K-POP, Momose fica completamente encantada pela intensa dedicação da agitada garota. Parece que o destino as uniu para juntas conquistarem seu espaço para brilhar!”
- História e Desenvolvimento
“Girl Crush” é uma obra que eu conheço já tem algum tempo, pois antes de ser licenciada no Brasil, já vinha aparecendo em outros mercados ocidentais e é publicado na França (mercado que acompanho mais de perto) pela Shiba e sendo um dos sucessos do catálogo da editora. O mangá vinha sendo elogiado e se tornando muito querido pela comunidade Shoujosei francesa. Tenho até o volume 2 aqui comigo – que eu ainda não li – e fiquei bem maravilhado com esse primeiro. Vejamos: a obra parte da Momose, que era alvo de isolamento desde a infância pelos colegas de turma, pois a achavam estranha e circulavam rumores maldosos sobre a mãe dela ter abandonado a família para ficar com outro homem, o que a fez ficar retraída e fechada com as outras pessoas. O único que não ligava para essas coisas era o Narumi, que é aquele típico mocinho bonzinho (para não dizer outra coisa), extrovertido, que não faz distinção entre as pessoas e que só quer ser amigo e se dar bem com todo mundo. Ainda nessa época, graças ao Narumi, há uma virada de chave na cabeça da Momose, com ela desejando ser tão popular quanto o Narumi e mais que isso, ela queria ser perfeita.

Graças a isso, ela muda de visual, começa a agir de forma mais aberta e vai consolidando uma outra imagem dela mesma. O resultado? Ela consegue alcançar a popularidade que queria, mas também melhorou suas notas, aumentou suas habilidades nos esportes, tudo para que ninguém pudesse falar um “A” dela e ela se tornasse ‘objeto’ de admiração, de adoração, uma perfeição. O tempo passa e agora, elas já estão no colégio. Andando pela escola, ela cruza o caminho da Satou, uma garota alegre, de boas com tudo e todos, simpática e cujo sonho é ser uma Idol de K-POP. Nesse sentido, a Satou estaria mais próxima do arquétipo da mocinha da história.
E a partir daqui que começa a parte que eu acho mais legal da obra: a Momose é uma pessoa péssima. Pelo sonho da Satou em si, ela já se incomoda, mas a certa altura, ela só desdenha. Ela passa a se incomodar com a Satou quando vê que o Narumi (o amigo de infância) é amigo dela e assim, teme que ele venha a se apaixonar pela Satou, e não por ela. A partir daqui, a Momose faz diversos comentários ácidos sobre a garota, tudo para abalar a autoestima dela, a sua confiança ou mesmo, a fazer desistir desse sonho. Eu gosto de como a obra apresenta o contexto do porquê da Momose ser e agir assim, mas em momento algum há uma defesa dessas atitudes, pelo contrário – ela é meio que uma síntese de “O sonho do oprimido é ser o opressor”. É quase como se a gente acompanhasse o mangá na perspectiva da vilã (ou da antieroína). É quase uma antagonista da Satou nesse ponto da narrativa. Mas como a Satou é tapada (com todo respeito), ela nem faz muita questão. Na verdade, ela até fica feliz, pois admira a Momose pelas suas habilidades.

A Momose é tão invejosa e convencida de si, que bota na cabeça que a Satou vai roubar o que ela quer (o Narumi) e ela não pode deixar dessa forma. Ela decide que vai fazer o teste para a escolha de Idols, o mesmo teste que a Satou fará, puramente porque ela tem certeza que é melhor que a Satou e vai roubar a vaga dela. Ela sequer deseja ser uma Idol. Ela só gosta de dançar e chamar atenção, mas como não pode deixar barato para a garota, vai agir dessa forma para deixá-la triste. É uma forma de autoafirmação, de se impor naquele território, de provar para os outros e também, uma forma se reafirmar para o Narumi – o que acho um bocado triste.
O volume segue com as duas chegando na Coreia do Sul e tentando se virar como dá naquele país que elas pouco conhecem. A Momose, por ser muito egocêntrica, só vai para um país sem sequer falar a língua ou ter noções básicas dela. Esse segmento do volume segue com algumas sketches de humor entre as duas personagens, que estão ficando no mesmo quarto, até que chegamos na audiência. Essa parte final do volume é bem interessante, porque elas não só conhecem outras garotas, mas garotas que estão mais preparadas que elas.

O pessoal da agência está interessado em uma garota com “algo a mais” (“o fator X”) e estão sendo extremamente rígidos na avaliação, cortando algumas apresentações com 5 segundos. Uma das meninas chama atenção, ao ponto de dançar a música inteira que ela escolheu. A Satou vai muito bem com o ar de jovialidade e inocência dela. Enquanto que a Momose, bem, ela consegue se apresentar no tempo dado, porém não parece ter sido chamativa – o que para o ego dela, já é um baque. A garota que vai muito bem na apresentação, já serve como uma pequena demonstração para a Momose perceber o quão arrogante ela era em se achar a melhor em todo, com uma visão extremamente limitada e, como consequência, limitante pela maneira como ela se comporta.
Em certos momentos, outros personagens já perceberam que essa maneira dela de agir é só uma máscara e que a Momose de verdade habita por debaixo dela. Eu já prevejo que vai ser uma DE-LÍ-CI-A ver vários personagens não só percebendo, mas querendo destruir a bravata da personagem. Enfim, uma delícia de volume, com vários elementos legais, como a personagem principal ser tão tóxica ou mesmo a proposta.

Não é todo dia que vemos um mangá girando em torno do K-POP (embora o assunto Idol seja trabalhado bem amplamente em várias demografias). E por sinal, o tema Idol tem sido uma tendência no Shoujo, não só por “Tamon’s B-Side” (publicado no Brasil pela Panini), mas por outros nessa tendência, como “Ai ga Nakereba Idol Dekinai“, “Heroine na no ni, Ikemen Idol ni ♂ Narimashita!?“, ou em uma linha mais ‘pesada’ – no sentido de explorar abusos na indústria Idol – “Sayonara Miniskirt” (todos inéditos no Brasil).

- A edição nacional
“Girl Crush” está sendo publicado pela MPEG no formato 13,7 x 20 cm, com capa cartonada e sobrecapa fosca com verniz localizado. São 176 páginas impressas no papel Off-set 90g, sendo que as 4 primeiras são coloridas. A edição ainda inclui um marca página e um postal de brinde. A tradução é de Gabriel Rodrigues. O preço de capa, à época, foi de R$ 39,90. Atualmente, o mangá custa R$ 49,90. O vídeo mostrando a edição nacional será publicado em breve.
- Conclusão
“Girl Crush” apresentou um começo muito interessante. A protagonista da obra tem atitudes muito questionáveis e uma personalidade bem ruim, o que torna a obra mais interessante, já que temos zonas mais cinzentas quanto à conduta da personagem. Estou animado para os desdobramentos que a obra vai apresentar daqui para frente também!
Espero que tenham gostado e nos vemos em breve, ao longo de todo o mês, para outras resenhas de mangás femininos ^^

- Ficha Técnica
- Título original: Girl Crush (ガールクラッシュ)
- Título nacional: Girl Crush
- Autora: Midori Tayama
- Serialização no Japão: Comic Nicola/LINE Manga
- Editora japonesa: Shinchosha
- Editora nacional: MPEG
- Quantidade de volumes: Em andamento com 9 volumes
- Formato: 13,7 x 20 cm; capa cartonada com sobrecapa fosca e verniz localizado
- Preço de capa: R$ 39,90/R$ 49,90
- Tradução: Gabriel Rodrigues
- Compre em: Amazon/Loja MPEG
