Queria ter gostado mais do anime, mas...

Queria ter gostado mais do anime, mas…

Nunca escondi que amo demais as obras feitas pelo estúdio da P.A.Works. Se o Alê é fã do estúdio da Kyoto Animation, eu diria que no meu caso seria com o estúdio da P.A.Works. Sempre estarei mais disposto com qualquer de suas produções. A sinopse ou a história pode ser um lixo completo, mas darei uma chance de qualquer forma. O lance é que o estúdio não teve sucesso comercial em suas últimas produções originais e resolveu voltar a adaptar materiais de outras mídias. E nessa situação que é lançado Paripi Koumei

Sinopse: “Kongming, um dos mais importantes generais e estrategista dos contos dos 3 reinos enfrentou diversas batalhas até o fim de sua vida. Em seu leito de morte, Kongming desejou renascer em um mundo de paz, e isso foi atendido. Agora em Tóquio, ele precisa se adaptar ao estilo de vida moderno enquanto tenta ajudar uma jovem garota que tocou completamente seu coração com sua bela música.”

Vou até me adiantando e dizer que nunca fui muito fã de obras que tem as músicas como foco em suas histórias (já fiz esse mesmo comentário em outras oportunidades, mas é contraditório demais eu dizer isso e Love Live ser um dos animes que eu mais gosto… pois é.…). Nunca despertou meu interesse esse tipo de enredo mesmo criança e não tenho uma justificativa racional para tal gosto. Só acho chato mesmo. Por consequência, comecei a ver Paripi com certa inclinação de não gostar de começo. Depois de assistir os 3 primeiros episódios, acabei não gostando de outras coisas e abstrai a temática musical do que chamou minha atenção negativamente.

Para quem leu a sinopse, sabe que o Kongming renasceu no nosso século, se encantou pela voz da Eiko e decidiu cuidar dela sendo o seu agente comercial de sua carreira de cantora com o intuito de alavancar a garota no sucesso que vive atualmente de bicos trabalhando no balcão de uma boate. Pior que essa premissa, de certa forma, é interessante. Um estrategista conhecido por suas estratégias de batalhas inventivas na antiga China, tendo que relacionar seus conhecimentos de guerra e buscar alternativas para ajudar a outra protagonista no caminho da fama do ramo musical. Até aí parece legal, só que nessa ideia de mentalidades distintas, quase não rola conflito. Tipo, o Kongming nasceu há milhares de anos atrás. O choque cultural deveria ser algo presente em seus pensamentos ou que gerasse cenas em que o personagem entrasse em confronto com o que ele viveu durante muitos anos antes da reencarnação. Só que além dele aceitar de boas essa mudança brusca da sociedade antiga para a contemporânea, quase tudo de abstração de conceitos sobre o nosso tempo, como tecnologia e relacionamentos entre as pessoas, ele assimila como fosse uma pessoa ensinada desde pequeno sobre a ética e sociologia dos tempos atuais. Nos primeiros minutos da estreia até ensaiam esse choque cultural, entretanto esse desenvolvimento é abandonado e o Kongming aceita (e se adapta rapidamente) todas as situações vividas por ele a partir dali.

O roteiro até justificativa essa rápida adaptabilidade do personagem por ele ser muito inteligente, só que fica complicado elevar a nossa suspensão de descrença, quando até mesmo nos planos que ele elabora para ajudar a Eiko sejam TÃO PERFEITOS ATÉ NOS MINIMOS DETALHES. Mesmo os maiores gênios esbarrariam em partes que desconhecem e pediriam ajuda para solucionar problemas ou fazer aquela social para conquistar o objetivo. E para mim não é nem ele resolver qualquer problema com tamanha facilidade. Consigo aceitar de boas esses tipos de personagens gênios. A parada é que o Kongming não é do nosso tempo e em menos de 2 meses conseguiu aprender tudo sobre a nossa realidade com tamanha facilidade, que resulta na ausência de receio que o espectador tem enquanto assiste algo sendo feito pelo personagem e que cogita nas possibilidades de dar algo de errado. Tipo os filmes heists, que são exemplos perfeitos, em que os protagonistas organizam um plano mirabolante para assaltar um local dito como impossível, porém vão acontecendo eventos imprevisíveis e que o time necessita se adequar ao evento não planejado, tentando ainda atingir o objetivo. Assim quem está assistindo a esses filmes, acaba criando expectativas de como irão solucionar tais problemas e ainda se safar desse cenário desesperador. Só que não acontece em Paripi. Como foi estabelecido o protagonista como um gênio inigualável, tudo que surge como obstáculo, é superado pelo personagem como fosse nada. Até geram artificialmente a angustia em quem assiste quando mostram os pensamentos da Eiko vendo a desgraça perto de acontecer, mas no final o espectador já sabe como vai terminar. Chega até ser bem anticlimático como os pequenos arcos de cada show termina e acabei não curtindo esse aspecto simplificado estipulado no roteiro.

O que salva o anime é o carisma da Eiko e a química que ela tem com o Kongming. Ambos os personagens funcionam bem em tela, principalmente pelos diálogos sobre assuntos banais, como coisas básicas da música e como funciona a indústria do entretenimento. As caras exageradas da Eiko sobre cada situação e consequências dos planos megalomaníacos do Kongming é impagável. O que não gostei foi o timing cômico da animação. Boa parte das piadas não funcionam graças ao diretor perder por completo a punchline das situações cômicas exibidas. Chega a ser agoniante em alguns momentos, porque ou a edição cagou a piada, ou a cena foi esticada demais que acabou revelando o final da piada antes do esperado, perdendo total sua eficácia em ser engraçado. As apresentações musicais são boas, apesar do inglês dos dubladores serem bem estranhos, passando até a sensação de caricato, perdendo um pouco do impacto dos shows nesses segmentos.

Já que entrei na parte técnica, vale destacar a opening do anime. É maravilhosa. A coreografia não é complexa, porém a sinergia que ela passa junto com a melodia é fantástica. A animação em si da obra é bem feita, padrão seguido pelo estúdio que costuma entregar consistência em suas produções e cenários impecáveis. Também vale mencionar o design da cidade e dos figurinos dos personagens que é composto de pequenos detalhes que a maioria dos estúdios simplificariam, mas que em Paripi é feito de maneira perfeita, mesmo em cenas com sakugas mais complexos. E como de praxe nesse tipo de anime, a trilha sonora é linda e Paripi apresenta uma boa variedade de estilos, com hip-hop e música eletrônica sendo tocadas em momentos pontuais, mas que chamam atenção fácil.

Ainda vou continuar vendo Paripi Koumei. Fiz apontamentos de coisas que não gostei durante o post, mas a obra ainda tem um charme que prende minha atenção, se tornando um bom passatempo para assistir de forma descompromissada. Como a Temporada de Abril está repleta de boas animações, é complicado recomendar Paripi Koumei para vocês assistirem como prioridades. O roteiro erra em pontos importantes e o diretor atrapalha mais do que ajuda. Mas vá que vocês curtam o anime e sejam do estilo que lhe agradem. Posso dizer que ao menos a tentativa de assistir os 3 primeiros episódios do anime vale a pena para o pessoal que ainda está na dúvida de assistir ou não Paripi Koumei.

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