Finalmente acertei na minha previsão que o anime seria ruim.

Nesse momento que escrevo esse post, já assisti 11 estreias dessa temporada (se der bobeira, devem ter vários posts publicados no blog de primeiras impressões de outros animes da Temporada de Verão de 2022). E eu digo que fácil, Mamahaha foi a estreia mais sem sal que eu vi até aqui. Até poderia reclamar de como é bizarro essa proposta inicial de meia-irmã ser namorada do protagonista, mas o pior que o anime tem outros problemas que prejudicam muito mais sua adaptação do que esse fetiche de irmãzinha que os otakus japoneses adoram (alguns BRs também, o que é bem triste essa situação). Então bora lá para mais um texto em que fico divagando sobre o que não gostei sobre a obra, mas que por essa minha mania de terminar o que começo, com certeza irei ver até o fim, mesmo odiando com todo o meu coração o anime.

SINOPSE: Um certo menino e menina no ensino médio se tornam um casal e flertam um com o outro, mas acabam sempre discordando em coisas triviais, ficando mais frequentemente irritados um com o outro e se separando na formatura. Tempos depois, eles se reencontram quando descobrem que seus pais eram ex-namorados que vão agora se casar.

Se você leu a sinopse acima, acho que não precisa de mais contextualização. É basicamente 2 jovens que se conheceram no final do fundamental em uma ocasião inesperada, começam a namorar, porém por algum motivo ainda não especificado, eles terminam antes do ingresso ao ensino médio. Nesse espaço de semana, ambos descobrem que seus pais estão namorando também. O pai do Mizuto e a mãe da Yume mantinham um relacionamento há muito tempo e contaram aos filhos pouco antes de casar. Agora os 4 vivem sob o mesmo teto, sem que os pais desconfiem que seus filhos já se conheciam e que tiveram um caso no passado. Ambos os protagonistas precisam fingir conviver pacificamente para não preocupar os pais, enquanto tentam achar soluções para que não criem atritos e tornem a casa que moram em uma zona de guerra. Lendo o que eu escrevi, até parece uma comédia romântica divertida e tal de assistir, né? Mas se eu disser que as piadas não funcionam, que a química entre o Mizuto e a Yume não aparece, e que o anime É CHATO PARA UM CARALHO, você ainda teria vontade de assistir?

Vamos por partes. Quero iniciar minhas reclamações justamente com essa proposta de que ex-namorados estão vivendo sobre o mesmo teto. E essa premissa não é nova, tanto que foi utilizada à exaustão em dezenas de filmes de romance ou comédia nos anos 2000 nos EUA. O lance é que em Mamahaha, nem essa ideia inicial ser simples faz com que funcione qualquer dinâmica que o roteiro tente implementar para criar comédia ou empatia com o casal. O Mizuto é um merda de personagem inexpressivo. Mano, é uma comédia romântica. Se vai colocar esse tipo de personagem, sua parceira romântica tem que ser um contraponto a essa característica, até para a dinâmica funcionar e empolgar quem assiste, mas a Yume é só uma simples tsundere, nada além disso. Olhem só o que foi formado. Temos o protagonista por não demonstrar sentimentos, se torna um antipático do caralho automaticamente, com a Yume que só finge que não gosta do maluco, mas quer ficar com ele a todo instante, da forma mais estereotipada possível. Junte essas duas criaturas, e você tem o casal mais sem graça dos animes da última década. É bizarro como o autor dessa obra apostou no fácil e ainda errou em sua criação. É BIZARRO! E ainda não cheguei na pior parte. Provável que o autor viu a merda feita e não tinha ideia para solução. Então qual caminho que ele escolheu para resolver esse problema? Replicar elementos de outras obras de comédia romântica de sucesso em Mamahaha. Isso é bem sério.

A primeira associação que vem nos primeiros minutos é Oreimo. Além de ter esse lance da guria ser meia-irmã do Mizuto, tem o fato que a relação entre os 2 está bem quebrada inicialmente. Com a convivência forçada, passam a se relacionar um com o outro e criando vínculos amorosos. Logo após tem toda uma sequência de diálogos afiados entre os protagonistas, com provocações e respostas irônicas dadas por ambas as partes. Todo esse trecho lembra muito Oregairu. Até na forma que a guria diz as palavras, cria sensações de Déjà Vu forte, como se eu tivesse visto isto em algum lugar. Aí quando a Yume propõe um jogo de quem perder, vai passar a ser o irmão mais velho, e essa sequência me lembrar demais a ideia de Kaguya, aí pensei que foda-se. Essa obra sequer está tentando ser além de uma simples colagem de coisas de outras obras para compor sua própria história, na tentativa desesperada de conseguir a atenção de quem vai assistir o anime. A não ser que mude mais adiante drasticamente a história, essa obra é o resumo de um trabalho de faculdade que foi copiado de um colega, porém o autor alterou as palavras por sinônimos, para não levantar suspeita de plágio. É ridículo. Dá até para achar semelhanças com Bunny Girl, Sakurasou e Toradora no decorrer dos episódios, que só fica mais patético.

Mesmo sendo 20 minutos apenas, esse episódio não terminava, MEU DEUS. E essa droga ainda teve a pachorra de fingir um surgimento de um arco no enredo, para segundos depois apresentarem a resolução de um problema complexo com algo trivial e banal. Tem um momento que os personagens comentam que são nerds e tal, e que precisam mudar de comportamento para que não sofram represálias ou bullying na escola. E qual a resposta que a dupla de protagonistas chega para esse dilema? Trocarem de estilo de cabelo. TOP DEMAIS GENTE. Podia parar por aí, mas ainda pode piorar. O Mizuto tem uma irmã SUPER GOSTOSA e tal, então é óbvio que irão aparecer urubus interesseiros para se aproveitar da situação. Na cena seguinte, ele está no banheiro buscando sossego e escuta esses carniceiros falando mal dele e que só estão se aproximando do protagonista para pegar sua irmã. Ao escutar essa história da boca de seu irmão, a Yume decidiu agir no dia seguinte. Ela segue o protagonista até a entrada da escola, ver que os urubus abordaram seu irmão, o agarra de forma muito carinhosa e sensual, intimidando os manés interesseiros a caírem fora do local que estão atrapalhando os ‘pombinhos’ e TERMINA AÍ A QUESTÃO. Sim, acabou por aí. Em 1 minuto surge o problema, no outro já desapareceu tudo, com o roteiro fingindo que NADA ACONTECEU e bola para frente. Depois disso eu me perguntava que droga de conflito vai ter essa história, pois todos que o autor coloca como potencial, aparece a resolução da forma mais rápida e anticlimática possível. Parece que é de zueira esta merda. A estreia inteira foi um imenso nada. A única coisa que fica desse primeiro capítulo da animação é que os protagonistas se amam, porém são orgulhosos demais para admitir (olha Kaguya aparecendo de novo).

A cena do banho foi do NADA. DO NADA! A Yume provocando o Mizuto decidiu ir somente com a toalha enrolada no corpo, toda molhada (gripe não se pega nesse anime). Aí ficam no joguinho psicológico dela cruzando as pernas, tentando sensualizar para o seu ex, ao mesmo tempo que o protagonista tenta ficar com cara de poker face. Mas como de praxe, a Yume escorrega, cai em cima do Mizuto, estão próximos um do outro, vão se beijar e aparecem os pais deles para quebrar o clima, em uma previsibilidade vista lá de longe. Eles estão na casa, quase indo para os finalmente, e é óbvio que o autor não entrega logo o ouro de bandeja na estreia. Só restava os pais surgirem e finalizar com a cena que era para ser SUPOSTAMENTE engraçada, mas que eu só sentia sono. Nada funciona nesse anime, e olha que tivemos Engage Kiss nesta temporada.

Agora indo para os detalhes técnicos, eu não curti os designs de nenhum dos personagens. São genéricos e extremamente parecidos com milhares de outros personagens que aparecem por todas as temporadas de animes no decorrer do ano. É bem incomodativo isso, porque é total sem identidade. Eu tenho até dificuldade de diferenciar visualmente características marcantes da dupla de protagonistas. A direção, edição, fotografia e trilha sonora, estão só cumprindo tabela. Eu até duvido que tenha alguma pessoa liderando esse projeto, porque não é possível. Eu sei que é o diretor de Jaku-chara, mas é o mesmo que dirigiu o Bonde das Maravilhas (apelido interno que a staff do blog usa para referenciar ao anime CHOYOYU). Pelo jeito, se a história for muito merda, o diretor vai fazer zero esforço para ao menos melhorar um pouquinho o enredo.

Mamahaha no Tsurego ga Motokano data será daquelas obras que vou terminar na base do ódio, pois eu não tenho o mínimo saco para prosseguir por mais 11 episódios nessa história e personagens sem graça. Eu recomendo que ninguém assista, mesmo que você curta um romance com comédia. Pode melhorar, mas é bem improvável. Não tentem ver essa desgraça que não vale o tempo investido.

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