Eu não sabia que eu precisava de um slime com tapa olho e de bigode.

Mais uma vez eu apostava que um anime seria no máximo mediano, mas que me surpreendeu positivamente em sua estreia. Peguei a obra para assistir só por causa do protagonista ter como parceiros uns slimes. Fui totalmente no escuro, esperava algo bem genérico, mas a história tem mais camadas que aparenta. Bora falar de Tensei Kenja no Isekai Life do que eu gostei ou não da obra.

SINOPSE: Yuuji Sano é convocado para outro mundo enquanto termina seu trabalho em casa. Sua profissão no outro mundo é a de domador de monstros, considerada um trabalho que dificulta a vida de aventureiro. No entanto, graças a alguns slimes que conheceu, que leram vários livros mágicos, ele ganhou poderes mágicos e uma segunda profissão, a de Sábio.

Eu não conhecia a obra e nem o meu círculo de amizade ouviu falar do título. Só tive o trailer e a sinopse para me basear no que esperar do anime. A staff até não era tão ruim, mas a grande maioria do pessoal não tinha assumido cargos de liderança de projetos recentemente, além de estarem em um estúdio novo. Nada chamava atenção. Assim, com expectativa baixa, fui assistir o episódio duplo lançado para verificar do que se trata essa narrativa. E diferente do esperado, vou começar esse texto criticando algo (não serão muitas coisas, pois eu curti demais Tensei Kenja). Eu estou sem paciência para episódios duplos. Teve em RWBY, teve em Utawarerumono, e agora aqui, isso que só citei exemplos dessa temporada. Essas paradas de lançamento duplo, só devem ser feitos se faz sentido narrativo para que tenha algo do tipo, pois isso só atrapalha ao invés de ajudar a galera a consumir o anime, porque vão ver que já lançaram mais de um episódio e vão desistir de tentar ver por preguiça ou falta de ânimo de assistir quase uma hora de um anime que sequer conhece. Em Tensei Kenja, havia zero necessidade de terem lançados os 2 primeiros episódios juntos. Inclusive, o episódio 2 começa uma nova história e que depende do episódio 3 para sua continuação. Tipo, já que estão nessa ideia de lançamento com vários episódios, lançasse o terceiro também. Parece que não é uma decisão criativa e sim uma imposição dos produtores ou das empresas que financiaram o projeto a lançarem dessa forma.

Mesmo não fazendo sentido essa estreia e sua duração, afirmo que o anime é de boas para assistir. É daquelas histórias em que temos o protagonista sendo transportado para um mundo semelhante a um jogo que ele estava envolvido diretamente (no caso, o Yuuji era o programador da empresa que fez aquele jogo similar ao mundo que se encontra) e que por sorte do destino, ele consegue upar seus atributos exponencialmente, ganhando habilidades além do padrão. Para quem assistiu dezenas de animes com essa temática de personagem principal renascer ou teletransportado para um mundo fantástico, deve ter uma boa base para o que a história de Tensei Kenja irá abordar. Só que nesse anime, temos alguns diferenciais, como o próprio Yuuji. Ele segue aquele perfil de personagem sem expressão, mesmo que esteja acabando o mundo ou ocorra algo surpreendente, seu rosto permanece impassível, sem nenhuma reação além de uma cara de paisagem. No segundo episódio dá a entender que é resultado de uma vida reclusa, sem diversões, onde só havia trabalho e obrigações, em que seus colegas de trampo jamais foram relevantes em sua vida. É uma espécie de casca que ele criou em sua rotina repetitiva e que deve ser quebrada aos poucos durante sua aventura naquele mundo novo.

Outro aspecto legal é a classe do Yuuji. Domador de animais não é algo chamativo, mas como seu controle de espécies é bem alto, sendo até possível usá-los como condutores de magias, faz com as lutas se apresentem de uma forma além do esperado, como uma guerra de espadas ou raios de poder. Por ser mais uma classe de suporte, gera cenas de lutas em que em vez de valorizar a coreografia de armas se batendo, foca na estratégia de como vencer o grupo inimigo, sem danos a terceiros ou inocentes. E o Yuuji sendo o grande maestro dessas táticas de lutas em que o personagem usa os slimes como defesa e ataque, faz com que todo esse aspecto me recordasse game de estratégia medieval, tipo Warcraft ou Diablo. Óbvio, tomadas as devidas proporções, dá para ver toda a sequência de invasão do primeiro episódio, como se tivesse assistindo algum gameplay desses games de mover unidades ou construir impérios antigos. E como a bússola moral do protagonista é bem forte e com tendências de altruísmo, temos segmentos em que o Yuuji cogita várias possibilidades, ao mesmo tempo que coordena a galera a seguir ordens em busca da sobrevivência.

Admito que não esperava esse tipo de abordagem, mas o que mais me pegou foram os slimes. Os bichos são super carismáticos e alívios cômicos na medida certa. Até diria que se fossem mais bobos, ficaria infantil demais, não casando com o tom que a obra apresentou até o momento. E eu não sabia que slimes de tapa olho, de bigode, de cicatriz, de sobrancelhas enormes, de lacinhos, entre outros, são tão fofos. Meu Deus, eu quero um slime para mim. Acho que estou vendo animes de slimes demais e estou me afundando nesse segmento dentro do isekai em que se tem slimes simpáticos, vou estar assistindo. xP

O que também dá para separar bem, é de como foram estruturados os dois primeiros episódios. O capítulo 1 é basicamente a introdução, apresentação do elenco secundário e estabelecer a linha narrativa de como será a viagem do protagonista entre as cidades, resolvendo problemas locais, conhecendo novos personagens e progredindo para o local seguinte, repetindo essa fórmula episódica. Nessa parte também somos introduzidos ao Lobo Orgulhoso e a Dryad (parece uma protetora da natureza???), entretanto foram participações esporádicas e ainda não dá para definir muito bem os seus papéis no roteiro. Ao que parece o Lobo será um companheiro para os slimes nas piadas e a Dryad uma espécie de lutadora ocasional. Ainda serão necessários mais alguns episódios para ter certeza se minhas suposições se confirmam. Também teremos um pouco de política no anime, pelos costumes diferentes que cada cidade tem com os aventureiros, vide a guria que cuida da guilda não parecer muito feliz com mais um querendo missão, mesmo não sendo um combatente. Ela só aceitou o ingresso do protagonista por suas habilidades de rastreamento, que deve ser algo raro na região. Além disso, temos bandidos e terroristas na região que mantêm controle no comércio local para conseguir vantagens da população ou dos desavisados. Como de praxe nessas histórias de protagonistas extremamente fortes, os bandidos são vencidos sem grandes dificuldades no final do episódio 2. Ao que parece, ainda tem outros seres mais perigosos que os próprios humanos e serão abordados no próximo episódio. Fico no aguardo para as respostas.

Na parte técnica, não estão fazendo feio. Apesar da animação ser bem mais ou menos, a direção compensa com algumas jogadas de ângulos para deixarem mais movimentada e embelezar a composição visual, com um uso de CG mais controlado só para mostrar o tamanho do exército de demônios que se formou na fronteira no primeiro episódio. Mas não esperem sakugas. Claramente esse vai ser o limite da produção e não teremos evoluções ou algo chamativo nos desenhos. O lance é se vão dar conta de manter esse padrão por mais alguns episódios. A trilha sonora não me chamou atenção, mas vou aguardar mais alguns episódios para ver se mudo de opinião nessa parte.

Mesmo não sendo a história mais original do mundo, Tensei Kenja no Isekai Life: Daini no Shokugyo wo Ete, Sekai Saikyou no Narimashita conseguiu me divertir e ser um bom passatempo nessa temporada bem fraca. Creio que esse anime será um dos poucos que irei recomendar no blog. Ao menos fica como dica para a galera que está buscando algo para assistir nessa temporada.

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