Olá, pessoal! Estamos em dezembro e se vocês leram a resenha de “SENSE LIFE” (veja aqui) que foi publicada no dia 1º do mês, viu que este mês, o blog estará fazendo uma série de resenhas dedicadas à produção nacional, no setor de obras que estão alinhadas/inspiradas no mangá japonês. No dia 3, publicamos a resenha de “O Ladrão de Mundos“, BL nacional da Sayuritake que me encantou e cativou muitíssimo. E hoje, temos o enorme prazer de publicar uma pequena entrevista com a autora da obra (algo que não fazemos há muito tempo)!
Tive o prazer de conhecer a Sayuritake no MPEG Fest de 2025 (evento de aniversário da MPEG), conversamos durante um momento, ela autografou meu exemplar de “O Ladrão de Mundos” e ela é uma fofa! Um doce de pessoa e uma simpatia tremenda. Então, ficamos contentes quando ela gentilmente aceitou fazer a entrevista e aproveito a ocasião para agradecê-la novamente!
A resenha de O Ladrão de Mundos vocês podem conferir abaixo e em seguida, a entrevista na íntegra! ^^
“O Ladrão de Mundos” é de autoria de Sayuritake. O mangá começou a ser publicado em meados de 2023 e foi liberado parcialmente no Tapas e lançado de maneira independente por meio do Catarse. A MPEG anunciou a obra em setembro de 2024, na ocasião da BlymeCon, um evento voltado ao BL e à mídia LGBTQIA+ promovido pelo Blyme Yaoi, e lançou o primeiro volume em junho de 2025, durante a POC CON. Durante o MPEG Fest, evento de aniversário da MPEG, foi divulgado que o 2º volume de “O Ladrão de Mundo” será lançado em 2027 e a obra voltará a ter capítulos lançados no Tapas em algum momento de 2027.

Blog LD – Primeiramente, gostaria de agradecer por ter aceitado dar essa entrevista, fico contente por isso! Começando pelo básico, de onde nasceu a ideia de “O Ladrão de Mundos”?
Sayuritake – Eu que agradeço pelo convite!
Não sei exatamente dizer de onde. Geralmente essas ideias surgem como cenas meio prontas na minha cabeça e eu pego algumas delas pra desenvolver e rabiscar. A primeira cena que me surgiu foi a de um alienígena pousando em um planeta estranho e logo sendo hostilizado pela população e um grande guerreiro. Por muito tempo só chamei os protagonistas de “alien” e “guerreiro”. E a única decisão que eu tinha de início era que com certeza seria um BL.
Blog LD – Ao fim desse primeiro volume, você menciona que começou o processo de criação dos personagens em 2020, mas abandonou a ideia por 2 anos. Teria alguma razão em especial? E quando veio a ideia de finalmente colocar o projeto em ação?
Sayuritake – O abandono se deu pela minha falta de experiência. Eu queria fazer cenários e naves bem legais, e me sentia incapaz na época. Foi por esse período que passei a estudar como modelar no Blender, uma ferramenta gratuita de 3D. Mas num primeiro momento me senti mais confortável com cenários mais próximos da realidade, e daí passei a treinar os cenários com Finda Rosa [nota do editor: publicado entre 2021 e 2022, disponível no Tapas], o primeiro quadrinho que usei cenários feitos no Blender. Daí me incomodei com outra fraqueza minha, que me fez abandonar Finda Rosa, e usei dessa vez O Ladrão de Mundos pra estudar roteiro! Acho que todos os quadrinhos que fiz até agora são na verdade desculpas pra estudar ou aprender alguma coisa nova.
Blog LD – “O Ladrão de Mundos” é seu primeiro trabalho sendo publicado profissionalmente, digamos assim, mas você já desenha e conta suas histórias há cerca de 10 anos. Gostaria de saber da sua história com o desenho e como nasceu essa vontade de desenhar e contar suas próprias histórias.
Sayuritake – Nossa, verdade, já faz tempo, né (risos).
Acho que essa vontade surgiu desde que aprendi a ler. Foi com a Turma da Mônica que meus pais me incentivaram a ler, mas dali eu também comecei a pegar gosto por desenho e por querer criar minhas próprias histórias. Por volta ali do período do centenário da imigração japonesa, eu passei a me reconectar com a cultura japonesa e tomei gosto por mangás e animes, e aquela vontade antiga que começou com a Turma da Mônica agora continuava com Cardcaptor Sakura [NDE: três edições no Brasil, todas pela JBC: a 1ª entre 2001 e 2002, a 2ª entre 2012 e 2013 e a 3ª em publicação desde Maio de 2025] e nunca mais parou.
Blog LD – Quais foram suas inspirações para a criação do universo da série? Tanto no campo da temática em si, mas também na composição dos cenários e dos mundos que os personagens visitam.
Sayuritake – Minha grande inspiração é Star Wars. Desde nova eu gostava demais dos filmes, dos personagens, dos cenários e do universo.
Outra referência vem de Splatoon, o jogo de Wii U e Switch da Nintendo, que tem cenários e designs incríveis. Voltron também fica nessa lista (de onde vem meu gosto por personagens roxos de cabelo branco…). Eu curtia muito o universo da série! Acho que a questão de mundos (e visitar eles) vem muito também do universo de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE [NDE: publicado no Brasil pela JBC entre 2006 e 2011, em uma edição de 56 volumes], da CLAMP.
Blog LD – Ainda na temática criativa: visitando suas outras obras brevemente, é bem notório como seu estilo de arte mudou ou se adapta ao tipo de narrativa que você quer contar. Gostaria de saber quais artistas (mangakas, quadrinistas, pintores…) que você admira e quais influenciaram/influenciam o seu trabalho?

Sayuritake – Acho que CLAMP foi o grande pontapé nessa minha jornada de descobrir animes e mangás. Depois veio a Katsura Hoshino [NDE: autora de “D. Gray-man“, publicado no Brasil pela Panini], Yana Toboso [“Black Butler“, na Panini]… gosto muito da narrativa do ONE [“Mob Psycho 100” e “One Punch Man“, ambos na Panini] também! Dos BLs gosto muito de Ryo Suzuri [“MADK“, na NewPOP], Hinohara Meguru [“therapy game“, inédito no Brasil], Scarlet Berico [“Yondaime Ooyamato Tatsuyuki“, inédito aqui]. E dos webtoons tem a Lina Lim [“Unholy Blood” e “Killer Peter“, ambos inéditos] que curto bastante a arte!

Blog LD – Falando dos personagens agora, o Ver’mel tem o Az inicialmente como uma figura detestável, por acreditar que ele vinha destruindo os planetas do seu sistema solar e, consequentemente, tudo aquilo que ele conhecia, mas tudo não passava de um mal-entendido. A relação entre os dois e o estilo narrativo pode ser considerado como um enemies to lovers? Como você enxerga e definiria esses dois personagens?
Sayuritake – Eu definiria exatamente assim! Essa pelo menos era a intenção inicial da dinâmica entre os dois. Eu queria que eles tivessem esse grande desentendimento que, na verdade, acaba tendo um mesmo objetivo, mas barreiras linguísticas e a falta de tempo os impedem de compreender um ao outro.
Blog LD – O Az é um personagem doce, fofo e que se preocupa com suas ações e o impacto que elas podem ter no ambiente e nos outros ao seu redor. Já o Ver’mel, embora mais impulsivo, não deixa de ter um senso de justiça e preocupação com aqueles que precisam e que ele possui consideração. Como surgiu o norte desses personagens e como você estabeleceu e definiu essas bases?
Sayuritake – Eu queria que eles fossem opostos. Tanto na questão da personalidade quanto no design. O que os une são as coincidências de suas histórias pessoais e desejos que são, no fim, iguais. Acho que esse norte também teve origem lá no comecinho, quando eu ainda chamava o Ver’mel apenas de guerreiro, uma espécie de um herói admirado por todos, enquanto Az Hull era o estranho alienígena com muito poder e odiado por todos, mas que sofria por ser apenas incompreendido.
Blog LD – Uma cena me marcou lendo o volume, em que o Az atua para socorrer uma criatura do planeta Kiyama Jani. Sem entrar em detalhes, digamos apenas que a ação não dá muito certo. Esse momento fala sobre as ações das pessoas no meio ambiente e os impactos dela sobre eles, bem como nas relações das pessoas quanto ao que elas consideram como perigo ou “inimigo”. Queria saber mais sobre sua intenção com essa parte da narrativa. Fico interessado nas interações entre espécies e suas visões de mundo e fazendo um paralelo com o ser humano, na maneira como nos distanciamos da natureza e passamos a vê-lá como incômoda ou algo estritamente utilitário, posso estar indo longe demais na interpretação, confesso, porém quero saber sobre seus pensamentos na criação disso.
Sayuritake – Eu gosto muito de traçar paralelos. A situação do planeta Kiyama Jani é exatamente esse paralelo de como impactamos a natureza e a vilanizamos posteriormente, ao mesmo tempo em que são os inocentes que sofrem com as mudanças. A intenção inicial de mostrar esse conflito, de uma criatura poderosa e perigosa, era de traçar um paralelo com o próprio Az Hull, e também de mostrar a ele como as pessoas podem o enxergar, afinal, até momentos antes, ele também era o inimigo de Ver’mel. Ambos (Az e a criatura) tomaram medidas que foram mal interpretadas, feriram e fizeram inimigos por um objetivo que consideravam nobre. Mas um deles não teve um fim agradável e permaneceu incompreendido.

Blog LD – Quando surgiu a oportunidade de trabalhar com a MPEG na publicação de “O Ladrão de Mundos”? Como foi esses primeiros contatos com a editora e como está sendo a experiência?
Sayuritake – Pouco depois do Anime Friends de 2024, recebi uma DM do Dih me convidando pra conhecer e fazer parte da editora. Depois de uma experiência negativa com uma certa outra editora “independente” confesso que estava desanimada, mas logo entendi que a MPEG tinha muita vontade de transformar o mercado dos mangás, tanto de títulos estrangeiros quanto nacionais, o que me empolgou demais! Acertamos que o lançamento seria em junho do ano seguinte, mas nesse meio tempo acabei integrando a equipe também. Eles foram sempre muito acolhedores e pacientes e espero estar fazendo um bom trabalho tanto como equipe quanto como autora!
Blog LD – O segundo volume será lançado em 2027 e você tem planos de retomar a publicação dos capítulos ano que vem. Você já tem em mente quantos volumes a série terá?
Sayuritake – A intenção é que sejam 3 volumes nesse formato da MPEG. Os planos iniciais, da época independente, eram de 5 episódios, cada um com seu volume, um por ano, tanto pela questão financeira quanto pelo tempo que preciso para produzir. Nesse novo formato de 2 episódios por volume decidi aumentar um pouquinho a história pra completar os 6 episódios e desenvolver melhor algumas coisas. O único porém é que não consigo mais lançar um por ano como pretendia inicialmente.
Blog LD – Por fim, algum último recado ou mensagem que gostaria de deixar? Gostaria de agradecer por ter aceitado participar da entrevista, foi um enorme prazer!
Sayuritake – Eu que agradeço demais pelo convite e pelo espaço! Gosto muito do blog e tenho me divertido muito acompanhando vocês nas redes (especialmente com as dicas de anúncios 👀).
Gostaria de deixar um agradecimento a todos que apoiam o meu trabalho, que me dão uma força danada pra continuar escrevendo e desenhando. À MPEG que tem sido uma casa muito confortável e aconchegante nesse último ano, e aos meus pais e irmão, que sempre me apoiam nessa loucura de ser artista.
É isso pessoal, espero que tenham gostado! “O Ladrão de Mundos” conta com um volume publicado atualmente e reiteramos quanto à resenha do blog! Obrigado por lerem e até a próxima!!!


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