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Invocado para outro mundo? Então que seja para tirar férias!

Dando continuidade às resenhas do nosso pequeno especial dedicado ao mangá feminino – fizemos uma seleção de obras de demografia feminina para publicar textos neste mês -, hoje com um trabalho publicado no Brasil desde o finalzinho do ano passado e que é tão pouco comentado: a adaptação em mangá de “Dicas de férias de um Nobre Gentil”.

Dicas de férias de um Nobre Gentil” é originalmente uma novel escrita por Misaki e publicada pela TO Books desde meados de 2018 sob o título “Odayaka Kizoku no Kyuuka no Susume” (穏やか貴族の休暇のすすめ。). A adaptação em mangá começou a ser publicada no Japão em Dezembro de 2018 na revista Comic Corona, da TO Books. Na produção da obra, temos: Misaki, como autor do original; Sando, como character design original; 8KEY, responsável pela estrutura narrativa do mangá; e Momochi, como responsável pelo mangá em si. O mangá conta com 15 volumes publicados e segue em andamento. A série possui 2.5 milhões de cópias em circulação no Japão (mangá + novel + spin-offs). Em Janeiro de 2026, foi exibida a adaptação em anime que teve 12 episódios e foi feita pelo estúdio SynergySP. No Brasil, o mangá foi anunciado pela MPEG durante o Anime Friends de 2025 e teve sua publicação iniciada em Dezembro do mesmo ano. De lá para cá, a editora publicou apenas 2 volumes.

Sinopse: “Quando Lizel se encontra em uma cidade que guarda estranhas semelhanças com a sua, mas claramente não é, ele rapidamente se conforma com a improvável verdade: este é um mundo completamente diferente. Mesmo assim, o tranquilo Lizel não é do tipo que entra em pânico. Ele imediatamente parte para aprender mais sobre este lugar estranho e, para ajudá-lo, contrata um aventureiro experiente chamado Gil como seu guia turístico e protetor. Até encontrar o caminho de volta para casa, Lizel imagina que esta é a oportunidade perfeita para explorar um novo estilo de vida, aventurando-se como parte de uma guilda. Afinal, ele tem certeza de que voltará para casa eventualmente… pelo menos aproveite as férias sobrenaturais por enquanto!”


  • História e Desenvolvimento

A obra parte daquela premissa de invocação para outro mundo, mas ao invés de termos um humano ‘normal’/banal sendo invocado (normalmente, ou vai ser uma pessoa que vai receber ou muito poder, ou não vai receber praticamente nada de poder e habilidades), a primeira coisa que chama atenção aqui é que o protagonista invocado, o Lizel, já vem de um mundo de fantasia. Ele chega naquele mundo sem entender o que está acontecendo, acordando repentinamente no meio de um país que ele não conhece, mas logo entende mais ou menos a situação em que se encontra, não tendo todo aquele processo de assimilação e choque de realidade que normalmente vemos nesse tipo de obra, afinal, ele já vem de um mundo fantástico.

O Lizel trabalhava como o primeiro-ministro de um reino antes de ser transportado/invocado para outro mundo, e com suas roupas chamativas – que logo denunciavam se tratar de um nobre em uma região mais pobre – ele tenta dar um jeito de conseguir dinheiro e vestir coisas um pouco menos chamativas. Vagando pela cidade, ele encontra o Gil, um aventureiro solitário de alto escalão conhecido como “A Lâmina Solitária”. O Lizel aproveita para entender mais sobre aquela região, oque movimenta os comércios e o funcionamento geral da sociedade, e tão logo, faz uma proposição para o Gil: que ele sirva de acompanhante, guia e o ajude a se virar naquela cidade. Tudo que o Gil precisa fazer é acompanhá-lo por onde ele for, enquanto ele aprende mais sobre aquela realidade, prometendo pagar o quanto o Gil conseguir tirar dele e o fizer por merecer.

Tão logo, o Lizel abre o jogo sobre vir de outro mundo, o que não é exatamente o comum de ser visto nesse tipo de narrativa. Acho legal já deixar isso na mesa, porque os autores se aproveitam justamente do personagem ser também de um mundo de fantasia para deixar isso posto. E não só isso, como o personagem era querido na sua antiga vida, se for da intenção do Rei e dos demais que o cercavam, ele certamente irá correr para levar o Lizel de volta, o que deixa o personagem muito despreocupado quanto a estar naquele mundo. Assim, o Lizel vê toda aquela situação como grandes férias que ele pode apenas aproveitar.

O mangá é um slice of life com os dois passeando pela cidade e se aventurando por masmorras e missões mais ‘simples’. Como o personagem pouco conhece daquele mundo, os autores se aproveitam disso para que ele faça perguntas sobre o que está vendo ou quer aprender sobre, o que serve como recurso para situar quem está lendo também. Tanto que após a introdução feita no capítulo 1, o volume se dedica a mostrar e exemplificar sobre a vida de aventureiro, que é o ganha-pão do Gil e é, também, algo pelo qual o Lizel se interessa em fazer. Existe magia no mundo original do Lizel e essa magia é preservada nesse mundo e por sinal, se no mundo que ele foi levado quase não existem armas de fogo (são difíceis de fazer e pouco funcionais), no mundo do Lizel elas são mais recorrentes e a forma como elas funciona é à base de magia, o que torna o uso do armamento autorenovável (achei um luxinho as armas terem asas).

O Lizel é um personagem muito observador, perspicaz e que sabe tirar proveito/vantagem quando necessário. E uma coisa que o personagem acha interessante nesse mundo é que existem algumas conexões entre aquela realidade e a que ele vivia, o que o deixa curioso quanto algumas coisas. Por mais que essencialmente seja um mangá de vida cotidiana, com algumas cenas de ação e pequenas intrigas, existe uma coisinha correndo como pano de fundo. Não sei exatamente para isso vai e quais as intenções do autor.a, mas fico curioso para onde vai caminhar, ainda mais considerando que os romances já passaram dos 20 volumes publicados (e ainda em andamento!).

O jeito gentil do Lizel deixa o Gil intrigado e ao mesmo tempo, o deixa levemente irritado. Não é que esse jeito do Lizel seja falso, mas é uma forma de ser cortes que mantém um certo grau de distanciamento – o que o Gil rapidamente age para mudar. O fato é que essa é uma daquelas obras em que os protagonistas são MUITO AMIGOS. Aquela amizade MUITO ÍNTIMA. Em que os dois são MUITO confidentes. É uma relação TÃO PRÓXIMA que eles vão chegar a sentir ciúmes um do outro. Mas tudo amizade… Brincadeiras à parte, a obra não é um BL, ela é vendida como Josei no Japão e até onde se sabe, não os personagens não são um casal (se isso mudará lá na frente, não sabemos…) e falo isso mais para ajustar expectativas, porque tem um pessoal que não especifica essas coisas, o que pode levar a interpretações que não são exatamente o que a obra esta se propondo (romance propriamente dito). Em situações anteriores, a MPEG comentou que a TO Books apresentou a série para eles como um bromance – algo que vem aparecendo aqui e ali no Japão nos últimos anos -, então é algo que a própria editora está ciente e não parece ser contra. Se virá a se tornar um romance no futuro, talvez só dependa da vontade do roteirista da obra.

Mas olha, tem uma coisa que é deliciosa é que existe uma certa acidez no olhar e uma leve malícia no jeito que o Lizel diz algumas coisas, que torna tudo muito gostoso de acompanhar. Gosto particularmente da cena em que, logo no primeiro encontro deles, quando vão fazer suas informações, eles perguntam sobre suas vidas amorosas, o que ambos desconversam, sobretudo o Lizel quando é perguntado sobre já ter tido alguma namorada; ou mesmo, os pequenos gestos de cuidado e de carinho que um demonstra pelo outro, em se importar e querer pela companhia do outro no dia a dia. Enfim, é fofo.

Ao fim do volume, vale dizer, tem um capítulo bônus que é texto corrido (novel). O desse 1º volume, é focado em um atendente da guilda de aventureiros vendo eventos que foram narrados neste encadernado.


  • A edição nacional

A MPEG lançou “Dicas de férias de um Nobre Gentil” no formato 13,7 x 20 cm, com capa cartonada e sobrecapa fosca. O mangá tem 190 páginas, sendo que as 4 primeiras são coloridas. O mangá foi totalmente impresso no papel Off-set 90g. A edição incluiu postal e marca página de brinde. A tradução do mangá é da Renata Leitão e o preço de capa é de R$ 39,90. Logo mais lançaremos o vídeo mostrando a edição nacional.


  • Conclusão

Em resumo, achei “Dicas de férias de um Nobre Gentil” um mangá divertido de ler, com uma leitura fluida e um bom entretenimento – daquelas leituras mais descompromissadas. E, embora diga isso, acho que entendo bem o motivo de não ser tããão comentado: ele acaba sendo um mangá que não prende tanto, então acaba não criando um nível de conexão, sendo uma obra longa do jeito que é, acaba servindo mais como um empecilho para a continuidade da leitura da série – e tendo reajuste de preço logo no volume #2, fica ainda mais desanimador… De toda forma, é um manga que gostei bastante e deixo de recomendação, principalmente se ver em promoções. O anime dele está disponível na Crunchyroll, caso alguém queira conhecer pela animação ^^

Bom, é isso! Esta foi mais uma resenha e nos vemos muito em breve para outras!


  • Ficha Técnica
  • Título original: Odayaka Kizoku no Kyuuka no Susume (穏やか貴族の休暇のすすめ。)
  • Título nacional: Dicas de férias de um Nobre Gentil
  • Autoria: Misaki (história original), Sando (character design), 8KEY (estrutura narrativa) e Momochi (mangá)
  • Serialização no Japão: Comic Corona
  • Editora japonesa: TO Books
  • Editora nacional: MPEG
  • Quantidade de volumes: Em andamento com 15 volumes
  • Formato: 13,7 x 20 cm; capa cartonada com sobrecapa fosca
  • Preço de capa: R$ 39,90 (volume #1) / R$ 44,90 (volume #2)
  • Tradução: Renata Leitão
  • Compre em: Amazon/Loja MPEG

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