Olá, leitores! Espero que estejam bem! Em Setembro, o blog estará publicando algumas resenhas obras de demografia feminina. Isso é algo que basicamente fazemos ao longo de todo o ano, seja no site em si ou nas redes sociais, mas é sempre com uma ou outra resenha ao longo de cada mês, por falta de tempo para ler obras E escrever sobre elas. E ainda na ideia explorar a diversidade da demografia feminina e explorando temas que vão além de romances, hoje temos um mangá de slice of life: “Os dias de folga do vilão“, mangá Shoujo de Yuu Morikawa!
“Os dias de folga do vilão” é publicado no Japão com o título “Kyuujitsu no Warumono-san” (休日のわるものさん). O mangá de Yuu Morikawa está em publicação desde Dezembro de 2018 na revista Gangan pixiv, da editora Square Enix. O mangá conta com 8 volumes publicados e segue em andamento. Entre Janeiro e Março de 2024, foi exibida a adaptação em anime da obra feita pelos estúdios Shin-ei Animation e SynergySP. No Brasil, a Panini anunciou o mangá em Março de 2024 e publica a obra desde Julho daquele ano, tendo lançado 7 dos 8 volumes até o momento.

Sinopse: “Um dos líderes de uma organização maligna que busca invadir a terra luta contra os rangers ― os defensores do planeta ― dia após dia! Porém, hoje ele está de folga. Assumindo uma aparência menos assustadora, ele pode ir ver os pandas no zoológico ou comprar picolés na loja de conveniência. Uma comédia acalentadora que explodiu de popularidade no Twitter e no Pixiv!”
- História e Desenvolvimento
Conheci “Os dias de folga do vilão” pela adaptação em anime exibida há alguns e até cheguei a comentar a estreia da animação no blog. No post, eu comento que não havia gostado do anime, porque achava as piadas muito sem graça, o anime demora muito a passar, tornando tudo ainda mais arrastado e o design era bem inferior se comparado ao original. Ou seja, uma série de fatores que em nada ajudavam a ter uma boa impressão da série, o que me fez dropar o anime muito rapidamente. Assim, quando o mangá chegou ao Brasil, eu não tinha lá muito ânimo para ler, mas por algum motivo que não lembro mais exatamente qual, eu comprei o volume 1 perto de quando foi lançado pela Panini (eu lembro que comprei na Loja Panini, talvez por causa de alguma promoção que tenham feito na loja à época). Lá naquele post de primeiras impressões eu comentei que talvez no mangá o texto poderia fluir melhor do que na animação, e não é que eu estava certo?!

Por ter um gosto meio amargo com a animação, eu comprei o mangá e assim que ele chegou, ele foi para a minha estante e por lá ficou. 2 anos que o mangá estava lá, sem eu mal encostar nele (tadinho). Daí, conforme estava pensando nas obras que poderia resenhar para o blog, me lembrei dele e pensei “por que não?”. Depois de ler esse volume, me arrependi muito de não ter lido ele antes! Ele é adorável, muito fofo e como a nossa seguidora Naty disse lá no BlueSky: ele é muito uma leitura de conforto, daquelas que são meio ‘bobinhas’, mas que acalentam muito o coração.
Lendo o mangá e pensando no anime em retrospecto, para mim fica muito claro é que existia um problema de direção e condução da obra na animação. Como os capítulos são curtos no original (5-10 páginas), as situações colocadas em cena e as piadas eram mais rápidas e dinâmicas, enquanto que no anime, eles alongavam muito o material, de forma que o humor se perdia/diluía ali no meio e quando chegava o momento da piada em si, ou já não tinha mais graça, ou a direção não conseguia chegar lá para me fazer achar tão interessante. Lembro que comentei, na época, que talvez o anime funcionasse melhor se os episódios fossem mais curtos, com até 15 minutos, e acho que é bem por esse caminho mesmo. Claro, também precisava mudar o diretor, mas por si só, essa mudança de duração já ajudaria um bocado.

A premissa do mangá é bem simples e é repetida em quase todo começo de capítulo: temos um grande vilão, que faz parte do alto escalão do grupo, sendo muito temido por todos – mesmo dentro do próprio grupo, os subordinados o admiram ao mesmo tempo que o teme. A organização saiu do planeta natal deles com o objetivo de exterminar os humanos e tornar a Terra a sua nova casa. No entanto, como todo bom trabalhador, nosso querido vilão precisa de folga e são esses dias de folga que nós acompanhamos o protagonista.
Como dito, o mangá se estrutura em pequenos capítulos que contam alguma situação cotidiana envolvendo a folga do vilão, que foge do trabalho a todo custo, incluindo fingir que não viu colegas de trabalho quando esbarra com eles na rua e pedir tréguas para membros dos Rangers – os heróis que combatem a organização maléfica -, afinal, ficar o mais longe possível do trabalho é essencial para ter um descanso apropriado.

A coisa que o vilão mais adora aqui na Terra é a existência dos pandas, sendo completamente apaixonado e até fascinado por essas criaturas tão fofas. Suas folgas se resumem a ir no Zoológico observar os pandas, tirar fotos deles, pesquisar mais sobre eles, e quando sobra tempo, ele pensa no que vai comer ou até mesmo, em outros animais fofos que habitam o planeta.
A maior parte dos capítulos giram entorno do amor do vilão pelos pandas, sendo isso que o guia. Seu sonho é, inclusive, exterminar os humanos para os pandas conseguirem se reproduzir livremente (tadinho, rs) e até fantasia um mundo em que ele consiga ser amigo de pandas. São situações super banais e, ao mesmo tempo, um bocado absurdas, mas é exatamente essa a graça da coisa toda e a autora monta esses capítulos tão bem!

Eu gosto sobre como a autora reforça sobre a importância do descanso, sobre cuidar bem de si, sobre não se esforçar demais no trabalho – principalmente quando é em detrimento da própria saúde -, sobre conseguir se afastar do trabalho nesses momentos de descanso, seja em folgas, como nas férias também. Essa relação do trabalho é especialmente ruim com o japonês e afeta outros países, sobretudo quando todos estamos ligados pelo Capitalismo e a partir disso, cria-se a ideia de que você deve viver em função do trabalho.
Temos elenco de apoio no mangá também. Alguns personagens são do ambiente de trabalho do vilão, como o funcionário novato que admira o vilão; outros são do núcleo dos heróis, como o próprio Ranger Vermelho que aparece logo no começo do mangá (e que tem sérios problemas com senso de direção); ou outros humanos comuns, como a moça do caixa do supermercado, ou uma certa menina que observava as Sakuras (um capítulo muito bonito, aliás) ou mesmo, um garotinho que gosta muito de animais. São participações menores, mas que acabam trazendo uma variedade maior nas situações, ainda que elas se pareçam muito entre si (no começo, na forma como terminam…) e, no entanto, em momento algum eu me cansei da leitura! Eu pensei que ele seria um mangá que leria um ou dois capítulos, teria que dar uma pausa e voltava, daqueles que você lê aos pouquinhos mesmo, até por não ter uma linha narrativa muito forte, mas não! Ele me prendeu bastante do começo ao fim e agora, minha tristeza e não ter mais volumes dele aqui em casa para ler.
E embora ele seja um vilão, ele é muito gentil, mesmo com os humanos que ele precisa/quer destruir. Tem várias situações em que a autora brinca sobre ele ponderar sobre quem ele poderia deixar vivo ou destruir por último.


É um mangá redondinho que normalmente, eu poderia pensar sobre a extensão e achar que “não se sustenta por muitos volumes”, mas esse daqui eu genuinamente acho que a Yuu Morikawa consegue sustentar por muito tempo dessa mesma forma. E que boniteza existe nos mangás de demografia feminina que explorem esse cotidiano um tanto fantasioso, mas que mostrem as belezas do cotidiano e/ou que busquem o senso de gentileza humana e cuidado com o próximo. Nesse sentido, o “Os dias de folga do vilão” me lembra “Odekake Kozame” (licenciado no Brasil pela JBC), que gira em uma chave ainda mais calma do cotidiano e explorando ainda mais esse fator da gentileza e cuidado – aqui, com a vida em si -, masque igualmente é lindo e delicado na maneira como trata a vida cotidiana e as relações entre pessoas (no caso, sejam elas humanos x humanos, como animal x humano e até animal x animal [ser humano é animal também, eu sei]).
- A Autora
A Yuu Morikawa estreou profissionalmente em meados dos anos 2010 com o mangá “Ikki Yakou“, Seinen publicado entre 2014 e 2016 na revista Big Gangan (Square Enix) e completo em 3 volumes. Nos anos seguintes, a autora trabalhou com projetos independentes, até que em 2018, ela lança três obras por diferentes revistas: “Boku no Gemini” (Maio/2018 – Novembro de 2020, volume único), publicado na revista Asuka (KADOKAWA); “Hiru to Yoru no Oishii Jikan” (Junho/2018 – Dezembro/2019, em 2 volumes), publicado na Hug pixiv (Frontier Works); e “Os dias de folga do vilão“, em publicação desde Dezembro de 2018 na Gangan pixiv (Square Enix). Fora esses, o trabalho mais recente da autora é “Luciole wa Yume wo Miru“, que ela publica desde 2021 na Asuka e conta com 1 volume lançado. No começo deste ano, a autora comentou que deixaria a publicação de “Os dias de folga” irregular, para que ela conseguisse voltar a publicar “Luciole” na Asuka.

Algo a se dizer é como a autora desenha bem. Ela tem um traço muito bonito no geral, muito expressivo e intenso quando precisa ser, mas especificamente o vilão de “Os dias de folga” é um deleite para os olhos. Um personagem lindo, para dizer o mínimo, rs.

- A edição nacional
“Os dias de folga do vilão” é publicado pela Panini no formato 15 x 21 cm, com capa cartonada e sobrecapa fosca. O mangá foi impresso no papel Off-white 66g e página colorida impressa em papel Couché Brilho. O volume #1 incluiu marca página e postal de brinde. A tradução do mangá é do Lucas Cabral. E o preço de capa é de R$ 37,90. O vídeo mostrando como ficou a edição nacional vai ser publicado (eu espero que) em breve 🙂
Sobre a edição em si, a única reclamação é aquela velha de sempre: papel muito transparente. A variação de transparência é bem grande nos mangás da Panini. Tem alguns bem piores do que outros e nesse volume aqui, achei bem ruim…
- Conclusão
Os dias de folga do vilão é um mangá para lá de fofo, que entretém muito bem, arranca algumas risadas e é, em essência, adorável! Fico triste por mim mesmo de ter adiado tanto a leitura da obra, mas feliz de finalmente tê-la lido. Deixo a minha recomendação para o mangá ^^
E reforçando: fiquem atentos ao blog pois ao longo do mês, teremos ainda algumas resenhas para compartilhar!

- Ficha Técnica
- Título original: Kyuujitsu no Warumono-san (休日のわるものさん)
- Título nacional: Os dias de folga do vilão
- Autora: Yuu Morikawa
- Serialização no Japão: Gangan pixiv
- Editora japonesa: Square Enix
- Editora nacional: Panini
- Quantidade de volumes: Em andamento com 8 volumes
- Formato: 15 x 21 cm; capa cartonada com sobrecapa fosca
- Preço de capa: R$ 37,90 (volumes #1 a #4 + #6) / R$ 43,90 (volumes #5 e #7)
- Tradução: Lucas Cabral
- Compre em: Amazon/Loja Panini
