Silent Witch thumb
Sem saber que era impossível, ela foi lá e fez!

Eu sei… é quase final de agosto e só agora estou publicando texto de primeiras impressões, quando a maior parte dos animes já estão caminhando para o seu 1/3 final. Muitas coisas ocorreram entre junho e julho, e tornaram minha rotina um pequeno caos, ao ponto de não ter lá muita disposição (nenhuma, na verdade) de ver as estreias dos animes da Temporada de Verão e muito menos, escrever sobre elas. Mas tomei coragem e devo comentar alguns animes que peguei para ver (foram 15 animes, então vou tentar falar de uns 10 deles) e afinal… antes tarde do que nunca! Começo os posts com “Silent Witch”, um dos animes advindos de material de demografia feminina nessa temporada. ^^

Sinopse: “Monica Everett, a Bruxa Silenciosa, é a única maga no mundo que pode usar magias não encantadas, uma verdadeira heroína que derrotou sozinha um lendário dragão negro. No entanto, essa jovem gênio é, na verdade… supertímida! É isso mesmo: ela aprendeu a lançar feitiços silenciosamente só para evitar falar em público e, apesar do seu poder, não tem autoconfiança nenhuma. Agora, Monica foi encarregada de proteger secretamente o segundo príncipe. Será que ela conseguirá se manter firme enquanto enfrenta tanto as forças malignas que visam o príncipe quanto os terrores da interação social?”


Algumas das grandes hypes da temporada são “O verão em que Hikaru morreu” (que logo devo comentar), “Kaoru Hana wa Rin to Saku” (que chega em setembro na Netflix) e “GACHIAKUTA” (a grande aposta da Crunchyroll na temporada). Longe desses grandes holofotes, porém, “Silent Witch” é uma verdadeira pepita! A obra parte de uma premissa bem legal: temos a Monica, que é uma das bruxas mais poderosas do reino e, no entanto, é extremamente tímida, ao ponto de não conseguir olhar as pessoas nos olhos e não conseguir dar um simples “Bom dia!” para ela. E devido a essa timidez, ela desenvolveu algo que até então, era considerado impossível: conjurar magias sem as pronunciá-las! O grande problema é que agora, um dos grandes magos da nação, e meio que colega de trabalho, a encarregou da tarefa de vigiar e proteger secretamente o segundo príncipe da nação, o que desafiará completamente alguém que só queria viver reclusa e com o mínimo de contato humano possível…

No começo do episódio, temos uma introdução sobre a questão mágica e o grande conflito que os reinos enfrentam: dragões. Essa cena de abertura tem direito a sequências bem animadas e dragões bem desenhados! Depois disso, vamos para uma cabana isolada no meio da floresta, residência da Monica, onde ela recebe a visita do Louis, um dos Sete Sábios (que compreende os bruxos mais poderosos) e ele lhe encarrega da tarefa. Da chegada dele na cabana até a saída dos dois de lá, são aproximadamente 10 minutos, ou seja, metade do episódio. O cenário é esse, com algumas leve flutuações para criar situações cômicas, e eles conversando. E não cansa de forma alguma!

O diretor consegue ir contando e dando o contexto dos personagens nesse meio tempo fazendo piadas que aliviam muito o clima e tornam a conversação deles mais interessante. É uma abordagem e uma condução feliz na sua realização e que a meu ver, deu muito certo. Quando digo que ele coloca piadas, não pensem que são daquelas absurdas, um humor pastelão ou aquelas “quebradas”. É um humor mais “calmo” e contido, que combinam com personagem, mas que sabe, você dá uma risadinha e segue bem. Daquelas que vão te confortando conforme o episódio prossegue, de forma que o resultado final é de uma satisfação grande!

Me acabei de rir aqui e a música é tão boa… ficaria ouvindo se tivesse versão estendida

O fato é que o Louis é encarregado da proteção do primeiro príncipe do reino (existem “facções” entorno de cada príncipe e elas aparentemente não se bicam, mas ainda não está totalmente claro o que isso representa ou vai representar para a série) e o rei mandou ele ficar de olho no segundo príncipe. Como ele não pode ficar perto já que ele é uma figura famosa (ao contrário da Monica que sempre se esconde no capuz), ele até tentou usar um amuleto mágico que daria informações sobre onde o príncipe está, mas o amuleto foi destruído pelo tal príncipe no mesmo dia que foi entregue. A solução foi pedir um “favor”, do qual ela não pode recusar, para sua amiga e colega de se infiltrar na escola no lugar dele. Como ninguém sabe que ela é uma bruxa e ainda é uma garotinha, não vai ser um grande desafio… nesse quesito pelo menos, rs.

Assim, se montou toda uma história, em que a Monica vai ser irmã da Isabelle (a filha do duque que ela indiretamente salvou do ataque dos dragões no começo do episódio) e a Isabelle irá se passar por uma irmã malvada. Adoro a cena que as duas se conhecem, porque a personagem se introduz atuando como um estereótipo de vilã para mostrar seu comprometimento com a história e é maravilhoso! Depois disso, a Isabelle ainda fica completamente emocionada de a conhecer, já que é sua salvadora, e promete ser a irmã mais malvada na frente das pessoas. Genial!

Agora é isso, a póbi da Monica foi incumbida de uma missão que ela não queria e não podia recusar. Agora terá que interagir com pessoas, o que para ela, é mil vezes pior do que ter que lidar com dragões haha.


Grande parte do humor da série está nos excelentes seyuus! Quem dá voz a Monica é a Saya Aizawa, que vinha de personagens ou pouco expressivos ou de animes menos populares, faz um trabalho maravilhoso na personagem, acertando todas as notas e sendo convincente. Outro grande destaque para mim foi a maravilhosa Atsumi Tanezaki, que dá vida à Isabelle. Ela já fez de tudo um pouco. Gosto dela como Futaba em “Seishun Buta Yarou” e como a Chise em “The Ancient Magus Bride”, mas a maioria do pessoal atualmente vai ter ela em mente por fazer a Anya em “SPY x FAMILY”. E aqui, ela faz uma personagem que vai de 0 a 100. Como a Isabelle terá que fazer um papel de vilãzona, ela vai ter que ser escrachada e vai 80 tons acima para entregar essa performance. Adorei! E por fim, quem também vai muito bem é o Junichi Suwabe (Sakuna em “Jujutsu Kaisen”) como Louis, fazendo uma ótima dobradinha com a Monica.

Já a outra parcela dos créditos tem que ir para o diretor, o Takaomi Kanasaki, que aqui também assina o roteiro, além de ser o responsável pela direção de som do anime. O Takaomi é conhecido por ser o diretor de “Konosuba!” (e quem assiste, sempre elogia a comédia) e bem, embora seja meu primeiro contato com a direção, ele é realmente um diretor de muitos talentos! Ele sustenta essa história e seus personagens muito bem graças ao timing cômico preciso somado, claro, ao trabalho dos dubladores. O anime está sendo feito no estúdio Gokumi (Jidou Hanbaiki ni Umarekawatta), estúdio pouco expressivo e com trabalhos beeeem medianos/para ruins, mas aqui está com uma super produção graças ao diretor que é cheio de contatos. Tem takes excelentes! Animação fluida, designs complexos, a comédia (que frequentemente exige da animação) no ponto, além de um acabamento geral excelente!

Quero terminar o post dizendo que a OP está linda de morrer e a música (“Feel” por Hitsujibungaku) é ótima também! E tá aí, comecei a temporada muito bem! Terminei esse primeiro episódio com um sorriso genuíno. Não é daqueles animes que você morre de rir, mas que diverte e entretém bem no seu decorrer. Vale muito a tentativa. ^^

Essa versão é como um filminho, então não tem créditos. Está ótima para tirar prints ^^