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Uma estreia doce e radiante!

Lá em 2015, foi exibida a adaptação em anime de “Ore Monogatari!”, um Shoujo que durante muito tempo, era comentado e recomendado na bolha do anime e da demografia feminina. Agora, 10 anos depois do anime de “Ore Monogatari!”, outra obra da Kazune Kawahara volta a ser adaptada para anime, esta sendo sua obra atual: “Taiyou Yori mo Mabushii Hoshi“, cujo anime está disponível na Amazon Prime Video com o título localizado “Uma Estrela mais Radiante que o Sol“!

Começamos os comentários dos animes da Temporada de Outono de 2025 com o Shoujo “Saigo ni Hitotsu dake Onegai Shitemo Yoroshii Deshou ka” e agora, vamos para outro Shoujo ^^

Sinopse: “Sae Iwata é uma garota mais durona do que as outras que se apaixona pelo delicado Koki Kamishiro, ainda no ensino fundamental. No ensino médio, Koki se torna um adolescente charmoso e popular e parece estar fora do alcance dela. Quando os dois trabalham juntos no comitê do festival esportivo, o primeiro amor de Sae, há muito tempo guardado, vêm à tona.”


Aqui, temos a história da Iwata, que é uma garota um pouco mais alta que a média e que por isso acaba chamando bastante atenção (o que a deixa um pouco complexada também), e do Kamishiro, um garoto fofinho, gentil e meio bobinho (o que faz parte do charme) que ela conhece desde a infância e que desde o momento que o conheceu, se apaixonou perdidamente por ele. Os anos passam e agora no último ano do Fundamental II, o Kamishiro cresceu bastante, deixou de ser menor que Iwata, a voz dele passa a ser mais grave e se torna alguém bem diferente do que era criancinha, mas algumas coisas permanecem iguais: a inocência, a alegria e o jeito bobão dele de ser.

O que vemos nesse primeiro episódio é mais um background dos personagens, apresentando os dois protagonistas e as razões da protagonista de acabar se apaixonando pelo Kamishiro, bem como as razões pela qual ela acha que ele nunca iria gostar dela da mesma forma que gosta dele. A história propriamente dita vai começar a partir da segunda metade do episódio, com eles entrando no Ensino Médio. Sendo bem sincero, a Iwata é uma grande coitada. Ela passa o episódio inteiro em um grande monólogo de lamentações e achando que cada mínima ação dela afasta o Kamishiro e a distancia desse sonho (que ela acredita ser irreal) dele se apaixonar por ela.

Eu não acho esse coitadismo algo ruim. Acho que pode irritar algumas pessoas, principalmente se a querida continuar dessa forma, mas a maneira como expressam isso na animação tem um lado de inocência e ingenuidade que me convence bastante. O anime usa algumas estilizações para mostrar as cenas de flashback, bem como deixa os encontros dos protagonistas e os momentos mais fofos entre eles com brilhos e cores radiantes que transmitem bem a sensação de fofura.

Se for para destacar uma cena do episódio, eu volto minha atenção para o momento no Festival Escolar em que o jogo era buscar algo que estava escrito no papel o mais rápido possível para ganhar ponto. A Iwata tira um papelzinho que diz para “levar alguém que ela ame”, como ela não tinha coragem de chegar no Kamishiro, ela leva a amiga; já na vez do Kamishiro, ele tira “uma garota bonita” e leva a Iwata, porém como ele estava com vergonha, diz que estava escrito “uma garota alta”. Tomando coragem para falar, ele vai atrás dela para desfazer a situação e contar a verdade e é TÃO bonitinho, ele todo corado e envergonhado contando para ela. É adorável.

Tem uma ala de pessoas que não gosta desse tipo de Shoujo (mesmo considerando gente da bolha de demografia feminina) e que tem um certo horror ao romance escolar, mas toda vez que vejo um tão bem feito, tão redondinho e fofinho, que me deixa com um sorriso quando termino um episódio, só consigo pensar: que pena para eles. Saber apreciar esse tipo de obra é uma das coisas que mais amo, pois mesmo nessas histórias mais simples, às vezes é tudo que a gente precisa. ^^

O segmento final do episódio é justamente com eles começando a vida de estudantes do Ensino Médio e agora, eles serão da mesma classe. O episódio termina com a Iwata segurando nos braços uma garota depois dela cair da escada. É provável (e o anime já dá a entender isso) que essa garota (Onodera) vai se apaixonar pelo Kamishiro, mas confesso que acharia algo mais bacana se ela fosse se apaixonar pela Iwata, ainda mais depois da forma que ela a socorreu na escada, a segurando nos braços. Seria algo mais interessante haha. E assim sendo, é provável que se crie algum conflito amoroso e disputa. Como a Iwata não tem muita autoestima e é meio impensável para ela que o Kamishiro goste dela, imagino que vamos ter um pouco de slow burn até eles entrarem num relacionamento. Porém, como o Shoujo atualmente está em uma onda mais ágil para formar casais (o interesse da demografia está mais focado na vida e relacionamento de casal, do que no processo de formação do casal), não acho que vá demorar muuuito para termos o casal principal formado.

Uns meses atrás, uma amiga comentou que tinha começado a ler e achou o início do mangá bem acelerado, com situações e momentos passando rápido e por causa disso, fiquei com um pouco de receio de como ficaria o anime, mas vendo o episódio, achei tudo nos eixos. Não sei se a direção tomou liberdade para mexer no material, fazer um rearranjo do que se passa no mangá ou se seguiu certinho, mas achei tudo muito bem colocado nesse episódio de estreia.

Falando na direção, quem assume esse posto é a Sayaka Kobayashi que assume o posto de direção pela primeira vez (anteriormente, ela já trabalhou como diretora de episódio, storyboarder, key animation…). Gosto do trabalho que ela faz nesse episódio de estreia, usando sobreposições nas cenas (algo que eu particularmente amo, vide trabalhos do Masaomi Andou) para contar cenas e mostrar sentimentos, além das estilizações de pintura que gostei. Meu grande destaque de acerto no trabalho também vai para a utilização de cores do anime. O título tem “mais Radiante que o Sol” se referindo a maneira como o Kamishiro é essa pessoa alegre e que contagia os outros, mas o anime consegue expressar isso pelas cores. Mesmo nas cenas noturnas, é tudo vivo, com cores vibrantes, fortes. Os momentos fofos entre os personagens são extremamente coloridos e é lindo de ver! No começo do ano, tivemos o anime de “Honey Lemon Soda” e principalmente a cor amarela era saturada no mangá original e isso se perdeu um pouco na animação. Tinham cenas escuras e opacas, não dando espaço para esse aspecto da obra aparecer e aqui, fico feliz que apareça. Um excelente acerto!

O estúdio KAI (é o mesmo de “7th Time Loop“) é um estúdio bom, mas que para produções mais deslumbrantes visualmente, acabam dependendo bastante de diretores com experiência e contatos, e aqui, mesmo com limitações, a diretora consegue contornar elas bem com um storyboard criativo, uma montagem funcional e eficiente, além de usar técnicas e recursos que não exigem tanto da animação em si e que compõem o anime deixando ele mais atrativo visualmente falando.

Eu sempre fico feliz quando vejo diretores que quando pegam para adaptar um Shoujo (ou Josei), realmente entendem o material que estão adaptando e se entregam nesse material e nos conceitos visuais que são presentes no gênero. Se o episódio é tão adorável do jeito que é, muito por causa da direção da Sayaka que consegue transpor toda essa doçura dos personagens para a tela.

Algumas cenas com decisões criativas que eu adorei nesse episódio

Queria deixar uma menção para o título que o anime recebeu no Brasil (Uma Estrela mais Radiante que o Sol). Anos atrás, a Crunchyroll passou a usar títulos localizados para o idioma do país, adaptando os títulos para português (no Brasil e Portugal), espanhol (Latam e Espanha), francês (França) ao invés dos tradicionais títulos internacionais em inglês e isso foi algo que celebrei muito, porque torna mais acessível ao país. Poucas pessoas falam inglês no Brasil e ter algo no nosso idioma não só é mais atrativo e convidativo, como é uma forma de tornar o anime em si mais chamativo já que muitas vezes, só o título já te deixa interessado em conhecer uma obra (principalmente entre aqueles animes cujo título é enorme). Infelizmente, a ação não durou muito e logo o streaming voltou para os títulos em inglês. A Netflix, vez ou outra, lança algum anime com título localizado, mas é algo mais pontual. O Anime Onegai (que agora vai encerrar as atividades) fazia um ótimo trabalho de localização dos seus títulos. E temos a Prime Video, que felizmente está voltando a investir em animes (estão pegando mais animes por temporada) e mais feliz ainda, está adaptando os títulos. O título utilizado no anime ótimo (!) e faz jus ao que vemos no anime em si! Enfim, fico muito feliz com isso.

Que boa temporada para o Shoujo. Duas estreias que vi, dois ótimos animes e os dois sendo Shoujos. Espero que os outros animes que adaptam material de demografia feminina também estejam sendo executados de maneiras tão boas e eficientes quanto estes. Para quem gosta de um Shoujo de romance leve, com personagens carismáticos e fofos, esse daqui é uma ótima pedida! ^^

Yuri feelings

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