Lindo visualmente, mas narrativamente perdido.

Shin’ichi Sakamoto se tornou um autor muito emblemático do mangá. Sua carreira alçou um novo patamar com a publicação de “Kokou no Hito” (ainda inédito no Brasil), em 17 volumes, sendo um trabalho conhecido (dentro de um nicho) por se tratar de escalada/alpinismo. Em Janeiro de 2013, ela estreia “Innocent” (9 volumes), mangá histórico que sobre uma família de carrascos durante a Revolução Francesa, sendo outro grande trabalho de sua carreira e o responsável pelo grande ‘boom’ do autor no Ocidente, lhe rendendo publicações em vários dos grandes mercados Ocidentais, incluindo o Brasil pela Panini entre Fevereiro de 2018 e Junho de 2019. A obra, inclusive, ganhou uma sequência intitulada “Innocent Rouge“, em 12 volumes. Esta, porém, nunca foi publicada pela Panini, permanecendo inédita no Brasil. O autor marca seu retorno ao Brasil pela Panini com “#DRCL – midnight children“, obra atual do autor que está sendo responsável pelo novo ‘boom’ de interesse no trabalho do Shin’ichi Sakamoto!

*página colorida*

“#DRCL – midnight children” é escrito e ilustrado por Shin’ichi Sakamoto e é baseado no livro “Drácula” (1897) de Abraham “Bram” Stoker. Começou a ser publicada no Japão em Dezembro de 2020 na revista Grand Jump, da editora Shueisha. A obra conta com 6 volumes lançados atualmente, sendo que o 6º saiu em Junho desse ano. A obra foi indicada, em 2024, ao Eisner em algumas categorias como a de “Melhor Edição Americana de Material Internacional” e de “Melhor Adaptação”. No Brasil, a Panini anunciou a obra em Outubro de 2024 e começou a publicar o mangá alguns meses depois, em Abril de 2025. Atualmente, a editora publicou 3 volumes (o mais recente, em Julho). Recentemente, adquiri o 1º volume da edição nacional e venho comentar o que achei da obra, aproveitando esse finzinho de Outubro e, portanto, ocasião de Halloween!

*volume 1*

Sinopse: “Shinichi Sakamoto reinterpreta a obra-prima de Bram Stoker numa história que transcende gênero, classes sociais e fronteiras geográficas. Enquanto Mina luta para encontrar seu lugar como a primeira e única aluna da Whitby School, um horror diabólico é desencadeado sobre a academia e seus alunos desavisados: o Conde Drácula. No entanto, quando esse mal indizível reivindica sua amada Lucy Westenra, Mina está pronta para unir forças com seus colegas e lutar contra isso com tudo o que tem.“


  • História e Desenvolvimento

Antes que pensem: pode sim, ser proposital. Pode ser uma escolha do Shin’ichi Sakamoto em decoupar a história dessa forma. Pode até que eu seja só burro demais para entender. Eu não descarto nada disso! Mas não tenho como não dizer que a montagem da obra, neste primeiro volume, não é pelo menos esquisita e desnecessariamente confusa. Não sei, um pouco da impressão que me passa é de o autor tentar fazer algo mais poético/conceitual e não conseguiu chegar lá. Pode ser que melhore a partir do segundo volume, mas provavelmente não vou continuar para descobrir.

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Um pequeno à parte aqui: o retorno do Shin’ichi Sakamoto ao mercado, mesmo depois de “Innocent” não ter dado certo – se tivesse, a Panini teria lançado “Innocent – Rouge” – ilustra bem a ‘boa vontade’ do nosso mercado quando se trata de autores de Shounen e Seinen. Mesmo um trabalho não tendo dado certo, ele ganha uma nova chance. Se fosse um autor de demografia feminina (Shoujo, Josei…), talvez não tivesse a mesma “sorte”… E deixando bem claro: não tenho absolutamente NADA contra o Shin’ichi. Mesmo não tendo gostado muito desse primeiro volume de #DRCL, eu gosto muito do trabalho dele, adoro “Innocent”, o acho um artista fantástico, muito comprometido com suas obras, principalmente nas históricas, em que ele faz um trabalho de pesquisa muito bom (não só dos aspectos históricos em si, mas também a nível de costumes, roupas, comportamento…), mas não consigo não deixar de pensar nessas questões. Em todo caso, feliz pelo retorno do autor – ainda que com uma série que não tenha curtido tanto -, triste pela não continuidade de “Innocent” e mais triste ainda pela maneira deprimente ao qual a demografia feminina é tratada neste mercado.


  • A edição nacional


  • Conclusão


  • Ficha Técnica

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