20260213_154316(1)
O novo Shoujo gay do momento!

Dias atrás, publiquei a resenha do primeiro volume de “Sob a Luz da Lua”, Shoujo da Mika Yamamori. Na ocasião, comento que o blog está se mobilizando para publicar algumas resenhas nesse período de meio para o final de Fevereiro em razão do Dia dos Namorados Internacional que ocorre hoje (14). Serão 5 ou 6 textos de resenha e este é o segundo deles! A ideia é selecionar obras bem estilo “água com açúcar” (no melhor dos sentidos da expressão), trazendo mangás que tenham propostas românticas bem simples, um pouco dramáticas e felizes (em geral). O segundo mangá a ser resenhado é o Shoujo gay™ do momento: Será que esse amor é irresistível?.

Será que esse amor é irresistível?” é publicado no Japão sob o título de “Tamaranai no wa Koi na no ka” (たまらないのは恋なのか). A obra é escrita e ilustrada pela Mia Sorahana e começou a ser publicada em Julho de 2023, na revista Bessatsu Friend, da editora Kodansha. Em meados de 2024/2025, a obra passou a ser publicada também na Honey Milk, a revista BL da Kodansha, com alguns capítulos de delay em relação à publicação da Bessatsu Friend, por isso, também está certo quem considera como BL. A obra conta com 6 volumes lançados no Japão, sendo que o 6º foi lançado em 13 de Fevereiro. A série já ultrapassou a marca de 550 mil cópias em circulação no Japão (dados da época do lançamento do 5º volume). No Brasil, a Panini anunciou a obra em Fevereiro de 2025. A publicação foi iniciada em Maio. Atualmente, a editora lançou 4 volumes e o 5º está previsto para Março. Eu ganhei o primeiro volume de presente da @Debora e é por meio dele, que resenhamos a obra hoje ^^

Sinopse: ‘Eu não virei um delinquente porque queria.’ 
Misuzu passa seus dias participando de brigas que ele nunca desejou. Certo dia, depois de ter ajudado Kitahara, um aluno da classe avançada, a sair de uma enrascada, este começa a se interessar por ele… Para não envolvê-lo em brigas, Misuzu tenta se manter afastado do garoto, mas a gentileza de Kitahara, que é tão aconchegante quanto o sol, deixa seu coração balançado…


  • História e Desenvolvimento

Nas “palavras da autora” que fica na capa interna, a Mia Sorahana diz: “Quero desenhar uma história comovente e com alto teor de açúcar” e não demora muito para chegar à conclusão de que ela consegue chegar exatamente nesse ponto. Aqui, temos uma história de romance no arquétipo do aluno certinho (Kitahara) que dá em cima do aluno delinquente (Misuzu), que por sua vez, não sabe como lidar com as investidas do garoto. 

Misuzu não é exatamente um delinquente porque quer, ocorre que meio mundo puxava briga com ele e o Misuzu revidava, pegando uma fama de encrenqueiro com o tempo. Por causa disso, ele se isolou – tanto na ideia de que quem se aproxima dele, corre o risco de acabar se machucando, como também por os outros terem medo dele – e vive uma rotina ao estilo “lobo solitário”. Eu digo “lobo”, mas o Misuzu não tem esse “porte”, ele está mais para um garoto arisco do que com um lobo e, a certa altura, a autora até brinca com isso. É em um dia, que ele acaba esbarrando com o Kitahara (que além de certinho, é um tanto descompensado) que estava prestes a apanhar de um grupo de encrenqueiros. O Misuzu infere, o que deixa o Kitahara bem encantado com aquela pessoa.

Na escola, quando o Misuzu estava novamente levando bronca de um professor por ele sempre se meter em confusão e a essa altura, já é algo que os professores nem se importam com o contexto e apenas imputam culpa/responsabilidade para o coitado do Misuzu, o Kitahara aparece e diz que ele estava agindo apenas para defendê-lo. A aproximação repentina causa um susto no Misuzu, que definitivamente não esperava por aquilo, ainda mais que o Kitahara diz que quer seu amigo, o que novamente, pode ser um problema tendo em mente pessoas que podem “marcar” o Kitahara como alvo, além de afetar negativamente a imagem que ele tem de ‘aluno exemplar’.

A história ao longo do volume segue quase que em uma dinâmica de gato e rato, só que ao invés do gato perseguir o rato, é o rato quem corre atrás do gato, rs. O Kitahara quer, a todo custo, ser “amigo” no Misuzu – eu tenho minhas dúvidas se o interesse dele era pura e exclusivamente amical, rs – e ele, por sua vez, foge dessas investidas. Só que o Misuzu não consegue não se sentir balançado pelo Kitahara, pois ninguém nunca foi tão insistente em uma aproximação com ele. Demora para que ele ceda, mas essa bravata vai se derretendo aos poucos ao longo do volume e é algo completamente adorável de se acompanhar! ^^

Tem algo que existe quando pensamos em yankees (ou delinquentes) que são da comunidade LGBTQIA+ e que eu particularmente adoro, que é a ideia dessa ‘rebeldia’ como uma válvula de escape. Quando se é LGBTQIA+ e está sujeito a esses ambientes (familiar, escolar…) que frequentemente são hostis conosco, existem alguns poucos caminhos que se pode tomar: você pode ser vítima de bullying e implodir; pode ser a pessoa que faz bullying para desviar a atenção de você; ou pode se rebelar (aqui, podendo ou não ser ou ter sido vítima de bullying). Na obra, pelo menos nesse volume, a autora não parece fazer uma conexão direta entre a delinquência com a sexualidade, pois a autora coloca o Misuzu como tendo sido empurrado para esse papel e ele só incorporou com o tempo, mas existe um Q nisso, que é manifestado na sensação de solidão e de se sentir deslocado frente à maioria, o que não deixa de ser um sentimento muito recorrente para nós, LGBTers.

Como dissemos na apresentação da obra, o mangá é tanto publicado numa revista Shoujo (Bessatsu Friend), como numa revista BL (Honey Milk). Eu pessoalmente considero como Shoujo, porque ele tem toda a estrutura narrativa, os arquétipos, a montagem e o “jeitinho de Shoujo” de ser. E ao menos para mim, é esse “jeitinho de Shoujo” que torna o mangá com uma carinha tão especial. É meio complexo de explicar, mas existe quase que uma “magia” na maneira como o Shoujo se apresenta que torna esse tipo de narrativa mais agradável e cativante de acompanhar.


  • A Autora

A Mia Sorahana é uma mangaka relativamente nova. Ela estreou em 2020 com a história curta (volume único) “Kono Koi wa Kizukaretakunai!”, publicada na Betsufuri Petit (Kodansha). Nesta obra, a autora apresenta uma garota muito interessada em “dominar” um garoto frágil. No ano seguinte, em 2021, a autora foi para a Palcy (Kodansha) e publicou “Kimi Iro Parasite”, uma série em 3 volumes (2021-2023) que retrata um triângulo amoroso entre dois rapazes e uma garota (um dos garotos gosta do outro). Até que em 2023, ela lança “Será que esse amor é irresistível?”, sendo o maior sucesso da mangaka e o maior trabalho de sua carreira.

Capas japonesas de ““Kono Koi wa Kizukaretakunai!” e dos volumes 1 e 3 de “Kimi Iro Parasite

  • A edição nacional

“Será que esse amor é irresistível?” é lançado no Brasil pela Panini no formato 13,7 x 20 cm, com capa cartonada fosca e papel Off White 66g. O volume #1 tem 192 páginas, sem páginas coloridas. A tradução é da Luana Tucci. O preço de capa é de R$ 43,90. O tomo inclui um marca página e um adesivo de brinde. O vídeo mostrando a edição nacional será adicionado em breve!


  • Conclusão 

“Será que esse amor é irresistível?” é um romance bem simples, com arquétipos bem comuns se você acompanha mangás (principalmente do BL), mas ele tem um teor muito doce e especial, sendo muito fácil de entender o porquê do sucesso que faz no Japão e da popularidade crescente no Ocidente ^^


  • Ficha Técnica
  • Título original: Tamaranai no wa Koi na no ka (たまらないのは恋なのか)
  • Título nacional: Será que esse amor é irresistível?
  • Autora: Mia Sorahana
  • Serialização no Japão: Bessatsu Friend/Honey Milk
  • Editora japonesa: Kodansha
  • Editora nacional: Panini
  • Quantidade de volumes: Em andamento com 6 volumes
  • Formato: 13,7 x 20 cm; capa cartonada fosca
  • Preço de capa: R$ 43,90 (volumes 1 a 4) | R$ 46,90 (volume 5)
  • Tradução: Luana Tucci
  • Compre em: Amazon/Loja Panini

Deixe um comentário