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Quase 20 anos atrás, Io Sakisaka já era genial!

Terceira resenha do nosso pequeno especial do Dia dos Namorados Internacional e agora, iremos começar um pequeno especial, dentro do nosso especial, rs. Io Sakisaka é uma autora emblemática do mangá Shoujo, sendo um grande sucesso no Japão e no ocidente (embora hoje em dia, o auge da popularidade dela já tenha passado). Ela foi publicada pela primeira vez no Brasil com “AohaRaido – A Primavera de Nossas Vidas” e foi considerada como a “salvadora do Shoujo Brasil” quando o mangá feminino estava em crise por aqui (naquelas falas já muito de que “Shoujo não vende”), tendo sido um enorme sucesso, o que levou a vinda de mais mangás Shoujos para cá, sobretudo na Panini. Posteriormente, entre 2019 e 2021 , a autora voltou a ser lançada pela Panini com “Furi Fura – Amores e Desenganos”. E atualmente, a Panini lança “Strobe Edge”, o primeiro grande sucesso da mangaka. A Io Sakisaka é conhecida pelos seus Shoujos super agradáveis, leves e bem “água com açúcar” (no bom sentido da expressão) e que mangaka melhor para se falar na ocasião do Dia dos Namorados? Por isso, nos próximos dias, iremos propor uma resenha de volume #1 para três mangás da autora, começando por “Strobe”! ^^

Strobe Edge” (ストロボ・エッジ) é um mangá Shoujo escrito e ilustrado pela Io Sakisaka. A obra foi publicada entre Junho de 2007 e Agosto de 2010 na revista Bessatsu Margaret (Shueisha), sendo concluída em 10 volumes. A série consolidou a carreira da Io Sakisaka no Japão, possuindo 8 de milhões de cópias em circulação no Japão (10 volumes). Em 2015, a obra ganhou uma adaptação em filme-live action e em 2025, a obra ganhou uma nova versão em série live-action em 2 temporadas (a 1ª exibida em 2025 e a 2ª, a ser exibida em 2026). Embora seja o primeiro grande sucesso da mangaka, a obra está chegando no Brasil bem tardiamente: a Panini iniciou a publicação do mangá em Abril de 2025 e atualmente está em vias de ser concluído (falta 1 volume para a conclusão).

Sinopse: “Ninako é uma estudante honesta e gentil do ensino médio, mas que nunca se apaixonou. Dizem que os sentimentos dela por Taiki, que também sente algo pela garota, são amor, e Ninako o acha um cara legal, mas…? Um dia, no trem, voltando para casa, ele conhece Ren, um garoto popular da escola. Ninako sente uma nova sensação com apenas uma pequena conversa e um sorriso. Como é esse sentimento…!? O verdadeiro primeiro amor de Ninako começa.”


  • História e Desenvolvimento

A obra trata da Ninako, uma garota meio bobinha e inocente, que não sabe exatamente como tomar as próprias decisões e opiniões, sendo frequentemente levada pelos que os outros dizem e não refletindo sobre, apenas aceitando essas opiniões. Esse é, inclusive, o ponto de por onde o mangá parte, já que a sua mãe pede que ela compre determinados itens, e nada além do que ela pediu, e a Ninako acaba comprando uma maçã, porque o vendedor disse que estava saborosa, sem nem mesmo provar. Desde as primeiras páginas, a autora evidencia que essa vai ser uma característica importante para a personagem nesses primeiros momentos da narrativa. 

A Ninako nunca se apaixonou por alguém e não sabe como é esse sentimento, o que não faz ela compreender bem as investidas do Daiki, amigo de infância que é apaixonado por ela há muito tempo e que, entretanto, nunca tomou iniciativa para se declarar. Ela sabe que ele tem sentimentos, mas não sabe como ela se sente sobre ele. Ela sabe que o Daiki é um garoto legal, gosta dele, mas não tem certeza sobre estar apaixonada e nisso, como as amigas dizem que ela está, acaba acreditando realmente que está apaixonada pelo garoto, mas fica martelando essa questão na cabeça… do outro lado, temos o Ren, que é o garoto que metade das garotas da escola tem um crush. Ele é bonito, de poucas palavras, quase que sem amigos, nunca deu um sorriso, o que fascina as garotas da escola e faz com que elas tentem se aproximar dele (sem sucesso). Um dia, por acidente no trem, o Ren acaba derrubando, pisando e quebrando um pingente de celular da Ninako, que o Daiki deu para ela, e é nisso que eles acabam se encontrando e tendo a primeira interação.

Esse probleminha vai acabar criando uma conexão entre os dois. A Ninako percebia o Ren (como não, né?!), mas até então, a maneira que ela o tinha era como alguém bonito e nada além disso, sem interesse na sua figura, mas este momento que vai resultar no Ren comprando um novo pingente e vai culminar em um interesse genuíno da parte dela, que passa a ficar mais atenta ao garoto e criando interesse na sua pessoa.

A partir disso, o Ren também se aproxima, de forma um tanto furtiva, da Ninako, estabelecendo alguns momentos de conversação, ainda que de forma breve, entre os dois. Essas conversas são banais, com diálogos sobre coisas cotidianas, mas que acabam mexendo com a garota, que passa a refletir sobre o que ela está sentindo. Algo bacana nesse volume está justamente na maneira como a Ninako é essa garota que não entende de romance e vai na dos outros. É uma ingenuidade que a autora vai desconstruindo a medida que a Ninako vai sentindo coisas novas, pensando sobre elas e como não conta para suas amigas, o que a faz refletir (talvez, pela primeira vez) de forma independente e não pelo que os outros acreditam que seja. A narrativa do Shoujo caminha pelos monólogos internos dos personagens e eu gosto do texto reflexivo que a Io Sakisaka deu para a personagem.

Quanto ao Ren, de primeiro momento, achei que ele seria a versão 1.0 do Kou, o protagonista de AohaRaido. Isso porque o personagem tinha o arquétipo do cara quieto, que é meio distante e indiferente, mas que com a protagonista se comporta de maneira levemente diferente, porque ela mexe com ele… e não foi bem assim não! Ele, de fato, é quieto e ‘na dele’, mas é um cara que pode ser gentil à sua maneira. Ele só parece ser um personagem que é mais quieto mesmo. É essa gentileza, que não é anunciada e que, portanto, poucos conhecem, que encanta a Ninako e a faz ficar ainda mais interessada no guri.

Quanto ao Daiki… bem, ele faz o estilo quase oposto ao Ren, o que já é característico nos mangás da Io, sempre fazendo personagens que tem visões e personalidades quase que opostas. Eu quase tenho pena do Daiki, porque ele é muito fofo, gente boa e está em uma friendzone, o que claro, não é nem um pouco culpa da Ninako, já que nunca teve coragem para falar como se sente. E ele só vai começar a se mover realmente quando sente que está ameaçado pelo Ren e passa a agir de forma meio possessiva e até um pouquinho escrota (mas fica mais compreensível quando temos uma certa revelação). E aliás, a certa altura nesse volume, tem um pequeno plot twist que eu não vi vindo e fiquei genuinamente de queixo caído quando foi revelado. O que tornou o desenrolar da narrativa ainda mais interessante!

Gosto muitíssimo na cena mais ao fim deste volume que a Ninako reflete sobre como ela gosta do Daiki, mas esse amor que ela sente, não é uma paixão como que ela está sentindo pelo Ren. Sem entrar em muitos detalhes para não estragar para quem não leu ainda… Para a minha surpresa, de certa forma, Strobe Edge está falando de amores que não podem ser concretizados, porque o amor do personagem está comprometido ou não tem reciprocidade. Fiquei interessado e curioso para ver como a autora vai desenvolver e amarrar a história desses personagens. ^^

Quando terminei de ler este primeiro volume da obra, comentei no Twitter e Blue Sky do blog sobre como a Io Sakisaka é absolutamente genial! Eu digo isso porque esse é um mangá que começou em 2007, ou seja, há quase 20 anos e acho incrível que a Io consiga usar “””a mesma história””” há tanto tempo. E vou além: não tem quem faça como ela e na qualidade que entrega! Ela é genial!

Quando digo “a mesma história”, é no sentido de que a base narrativa é sempre a mesma, mas Io Sakisaka sempre consegue dar um toque especial que passa aquela sensação de “novo” ou de “frescor” quando se começa a ler uma nova obra dela. Claro, nem toda obra pode agradar tanto ou ainda, as pessoas podem “cansar” no meio do caminho, mas o fato é que ela sempre te convence do ponto de partida. Às vezes ela se enrola no caminho, mas o resultado final sempre é com saldo positivo.

E não obstante, é legal ver como ela evolui como mangaka ao longo desses anos. Por mais que a base seja a mesma, é interessante ver que existe uma maturação e evolução dos personagens ao longo de cada obra e dos temas que ela toca, aprofundando neles ou não. Um exemplo: logo no começo do volume #1 de Strobe Edge tem uma cena de uma personagem cogitando que o Ren seja gay, já que ele nunca dá bola para nenhuma garota, sempre sozinho, etc; o que uma das meninas do grupo de amigas da Ninako diz que não aceitaria isso, pois seria “um desperdício”, um claro comentário homofóbico em tom de “piada”; Em “Sakura, Saku”, um dos trabalhos mais recentes da Io e que ainda não é licenciado aqui no Brasil, pelo que vi de comentários, na obra temos uma personagem feminina que é apaixonada por uma outra garota da obra. O Shoujosei, mais do que qualquer outra(s) demografia(s) é sempre apoiado na sociedade e frequentemente reflete pensamentos e discussões atuais, principalmente por frequentemente tratar de situação cotidianas e de vivências de mulheres. É bom ver esse nível de maturação e mudança em uma mangaka ao longo do tempo e mostra que há uma evolução e mudança de pensamento, até com o que vai acontecendo ao longo de toda uma carreira.


  • A Autora

A Io Sakisaka está caminhando para os 30 anos de carreira. Ela estreou em 1999 com a história “Sakura, Chiru” na Shueisha. Nesses primeiros anos de carreira, a autora publicou basicamente volumes únicos (alguns, com histórias contínuas, outros, coletâneas) e séries curtas, tais como: “Call My Name” (2001, volume único); “Bye-Bye, Little.” (2002, volume único); “Watashi no Koibito” (entre 2002 e 2003, em 2 volumes); “Kimi Bakkari no Sekai” (2004, volume único); “Gate of Planet” (2005, volume único); “Mascara Blues” (2005-2006, volume único); e “Blue” (2006, volume único). E em 2007, ela estreia “Strobe Edge”, a primeira série longa da sua carreira, sendo um enorme sucesso e mudando completamente o seu status na Margaret. 

Após Strobe, em 2011, ela lança “Ao Haru Ride”, que ficou em publicação até 2015 na Bessatsu Margaret e foi concluído com 13 volumes no total. A obra chegou no Brasil como “AohaRaido” e marcou história, sendo um dos Shoujos mais populares dos anos 2010 e possivelmente, o maior sucesso da carreira da artista (ali, foi o auge de popularidade dela), vendendo quase 6 milhões de cópias quando o mangá ainda estava em publicação (números de 2014, não achei dados recentes). A série também foi o primeiro trabalho da autora a ganhar anime, com a animação sendo produzida pela Production I.G. e exibida em 2014 com 12 episódios + OVA. Em 2015, ela estreia “Furi Fura – Amores e Desenganos”, mangá em 12 volumes, publicado até 2019 na Bessatsu Margaret. A obra ganhou adaptação para filme animado em 2020 feito pela A-1 Pictures.

Entre 2021 e 2023, ela publica “Sakura, Saku”, mangá ainda inédito no Brasil, completo em 9 volumes (até agora, a série mais curta dela desde que alçou o estrelato com Strobe). O acumulado da série é de mais de 1 milhão de cópias. Por fim, desde 2024 a autora publica “Yume ka Utsutsu ka” na Bessatsu Margaret. A obra conta com 4 volumes publicados (o quinto, previsto para o fim de abril/2026).

Capas nacionais de “AohaRaido” #1 e “Furi Fura” #1; e capas japonesas de “Sakura, Saku” #1 e “Yume ka Utsukushi ka” #1

No comentário que fiz no Twitter, uma seguidora comentou que gostaria de ver a Io Sakisaka saindo dessa zona de conforto, o que para mim, pode ser que possa acontecer. Se ela não se aposentar antes, acho que eventualmente ela vai para o Josei, em um caminho que, por exemplo, a Aya Nakahara fez (após “Lovely Complex”, a autora passou a publicar na Cocohana, revista Josei da Shueisha). Acredito que conforme ela for ficando mais velha, com maior maturação de ideias (quase 30 anos de carreira, afinal), pode ser um caminho que ela decida trilhar. 

Agora… enquanto esse caminho para outros estilos de narrativa não se concretiza, algo que tenho muita vontade de ler são os trabalhos dela ANTES de “Strobe Edge”. Nós conhecemos a Io dos romances escolares a partir desse sucesso, então fico curioso para saber como era a escrita e que tipo de história ela contava nesses trabalhos mais curtos dela, como “Blue”, “Call My Name” ou “Watashi no Koibito”.

Capas japonesas de “Blue“, “Call My Name” e “Gate of Planet

  • A edição nacional

“Strobe Edge” é publicado no Brasil pela Panini no formato 13,7 x 20 cm, com capa cartonada fosca e no papel Off-White 66g (sem páginas coloridas). O mangá foi lançado integralmente pelo preço de R$ 43,90. O volume #1 incluiu marca página e um adesivo de brinde. A tradução é da Eliana Takara. Em breve, adicionaremos o vídeo mostrando a edição nacional em detalhes 🙂

Papel, como se tornou costume na Panini, bem ruinzinho, com muita transparência, ao ponto de eu conseguir ver a parte de trás da página e a página seguinte… é uma reclamação corriqueira, mas né, mangá está cada vez mais caro e esse papel não melhora, pelo contrário, e em alguns casos até piora.


  • Conclusão

“Strobe Edge” é uma história bem simples, com personagens carismáticos e o que aparenta ser um enredo bem redondo. Para quem já leu um mangá da Io Sakisaka e gosta do estilo dela, não tenha dúvidas quanto à recomendação da leitura. Agora, se você não gosta das obras da Io, bem… acredito que não vá gostar desse daqui, A NÃO SER que você só tenha lido “AohaRaido”, aí recomendo dar uma chance para esta série ou para “Furi Fura”.

Espero que tenham gostado e até a próxima resenha! ^^


  • Ficha Técnica
  • Título original: Strobe Edge (ストロボ・エッジ)
  • Título nacional: Strobe Edge
  • Autora: Io Sakisaka
  • Serialização no Japão: Bessatsu Margaret
  • Editora japonesa: Shueisha
  • Editora nacional: Panini
  • Quantidade de volumes: Completo com 10 volumes
  • Formato: 13,7 x 20 cm; capa cartonada fosca
  • Preço de capa: R$ 43,90
  • Tradução: Eliana Takara
  • Compre em: Amazon/Loja Panini

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