“The Flower Pot”, há cinco anos atrás (e meu deus, como passa rápido), foi a obra que inaugurou o Selo Start! da editora JBC. Passado esse tempo todo e depois de 3 edições diferentes, finalmente criamos a oportunidade perfeita de falar da obra no blog!
“The Flower Pot” é um mangá BL brasileiro escrito e ilustrado pela Amanda Freitas. A obra foi concebida para a autora participar do concurso do Tapas, mas acabou não dando certo. Mesmo assim, a Amanda continuou com o projeto do quadrinho e reformulou a história e os seus personagens. A publicação se deu entre dezembro de 2018 e agosto de 2020 no próprio Tapas. A autora até comenta que o trabalho dela ganhou popularidade em inglês (mais de 2.4 milhões de views acumuladas), ficando muito contente com a oportunidade de publicação pela JBC. A obra teve várias edições ao longo do tempo: a 1ª em outubro de 2020 numa impressão POD (Print On Demand); a segunda em meados de 2022 (por volta de outubro), quando ganhou uma impressão em gráfica; e a 3ª foi uma republicação que a editora chamou de “Edição Definitiva”, lançada em julho de 2023. Em setembro de 2022, a editora lançou de forma digital “The Flower Pot – After Story“, que se passa após os eventos de “The Flower Pot” e por fim, em julho de 2024, a JBC lançou “The Flower Pot – O Começo“, uma prequel que mostra como a vida dos protagonistas antes de se conhecerem na história principal.
O blog tem duas das três edições (POD e regular) da obra e é por meio delas, que fazemos essa resenha ^^

Sinopse: “Um legítimo BL (abreviação para Boys Love, que é uma das vertentes dos mangás shoujos com enfoque em relacionamentos homoafetivos), The Flower Pot conta a história de amor entre o tímido Pio e Hadrian, o garoto que ajuda sua avó na floricultura da família. Uma história doce e meiga escrita e desenhada pela artista brasileira Amanda Freitas.”
- História e Desenvolvimento
Antes de falar da obra em si, vale relembrar uma história: a JBC anunciou “The Flower Pot” em novembro de 2019, na ocasião em que anunciou o Selo Start! (voltado aos títulos nacionais). “The Flower Pot” foi o trabalho que inaugurou o Selo da editora (lá para meados de outubro de 2020) e a primeira publicação foi desastrosa. Foi uma saga tenebrosa em que a editora não dedicava atenção à obra e preferia dedicar o seu tempo em uma divulgação exaustiva de “O Regresso de Jaspion“, um projeto nacional que a JBC estava mais ligada diretamente. Enquanto que “Jaspion” ganhava minutos de divulgação nas lives da editora (na época, chamados de “JBC Bits”), entrevistas com autores, releases de imprensa, “The Flower Pot” morria sem destaque e nem mesmo se demonstrava a empolgação da editora com o lançamento da obra. O cúmulo foi quando a editora divulgou um teaser,muito gracioso, do mangá em um dos Bits e ficou SEMANAS sem divulgá-lo em suas redes sociais. O vídeo permaneceu confinado em uma live que foi vista por apenas algumas centenas de pessoas, desperdiçando totalmente o potencial.
Na época, o descaso com o mangá me revoltou tanto que passamos quase que um mês inteiro divulgando diariamente o teaser no Twittter do blog, tentando trazer visibilidade para obra, já que a editora não o fazia. Para completar, a primeira publicação da obra foi feito por POD (Print On Demand), ou seja, uma impressão sob demanda, a R$ 54,90 reais no preço de capa (e-book a R$24,90), sem grandes ações promocionais, com um frete ridículo (lembro que para mim, saía a 16 reais de frete e eu moro no interior de São Paulo e em regiões do Norte/Nordeste, o valor beirava 100 reais), o que minou ainda mais o lançamento da obra e dificultou ainda mais o mangá encontrar seu público.
Eu acho esse contexto importante, pois foi algo que me marcou profundamente (de forma negativa) nesse início da publicação de nacionais da editora. Ao longo dos anos, principalmente depois que boa parte da JBC foi comprada pela Companhia das Letras, isso foi melhorando muito e a quantidade de obras lançadas no Start! aumentou bastante. A qualidade das edições também (abordarei o assunto mais para frente), já que deixaram de serem trabalhadas em POD e passaram a ganhar “tiragens regulares”, impressas em maior escala e com as gráficas que a editora trabalha regularmente.
Falando de “The Flower Pot” em si, temos aqui a história de romance do Pio, um jovem adulto que trabalha em um restaurante, e o Hadrian, um estudante de Botânica que está passando uns tempos na casa da avó e cuida da floricultura dela enquanto está hospitalizada.

A estrutura da obra se dá por capítulos relativamente curtos, de até umas 15 páginas mais ou menos, que contam coisas do cotidiano desses personagens. Acho interessante que a autora trabalha esses causos cotidianos de forma a não necessariamente dar uma conclusão a eles. Como tudo gira entorno de situações banais (no bom sentido da palavra), o que vemos em boa parte dos capítulos são recortes da vida desses dois. É como se eles tivessem narrando uma história e ela inicia em um dado ponto.
Eu não acho a escolha ruim, mas em alguns capítulos, sinto que falta um fio condutor mais forte para a narrativa, pois os episódios parecem ficarem meio “soltos” em alguns momentos, o que pode ser um problema para algumas pessoas.

Tem um certo “draminha” ali no meio, envolvendo a Mica, amiga do Pio e filha do chefe dele, e o pai dela que eu sinceramente acho desinteressante. Eu não acho um drama legal, e não é como se ele ocupasse muito espaço da trama. De certa forma, ele serve como uma ponte para conectar e aproximar um pouco o casal, mas eu particularmente preferia que tivesse sido dado mais tempo ao Hadrian e ao Pio, e a construção do relacionamento deles.
Esse volume é mais focado na aproximação deles, que é beeem vagarenta, de forma que a relação de casal só vai se mostrar no extremo final do volume e nem vemos do desenrolar dela (a partir do momento que se tornam um casal propriamente), o que eu considero uma pena. Não que o volume não pudesse ser focado nesse desenrolar de uma amizade para daí chegar em um relacionamento, mas como a história chega em um pouco e pula o aspecto do namoro, fica aquele gostinho de quero mais. Tudo bem que temos o “After History”, mas não li para poder opinar. Em todo caso, pelo menos tem material extra para complementar.

Apesar disso, eu ainda acho um mangá bem fofo. O desenho da Amanda é completamente adorável e encantador. Gosto da paleta de cores que ela usa aqui, com cores vivas e intensas, ao mesmo tempo que realçam a fofura e doçura da história e dos personagens. Gosto bastante da ambientação que a autora faz para a obra, inspirada em algumas cidades italianas, e tem páginas lindíssimas, tanto no visual em si, como também no aspecto da composição geral, como no uso de cores (que eu adoro!).
É um quadrinho legal, principalmente se você lê ele aos poucos. Ler diversos capítulos de uma vez acho que pode ser mais cansativo, mesmo sendo fofo. Acho que pela estrutura narrativa, acaba sendo uma obra que demanda uma leitura mais calma e lenta. A Amanda está trabalhando em um novo projeto BL atualmente intitulado “Sunrise Boy” e com parceria da Barbara de Aguiar (financiamento no Catarse disponível) e fico curioso para saber o quanto ela melhorou artística e narrativamente ao longo desses anos.

- As edições da JBC
A JBC lançou três edições da obra com algumas diferenças entre elas. A edição POD foi lançada no formato 14 x 21 cm, com capa cartonada com orelhas, impressão no papel Off-set e preço de R$ 54,90 (192 páginas). A segunda edição foi lançada no formato 15 x 21 cm, com capa cartonada fosca com orelhas e verniz localizado, ao preço de R$ 49,90 (192 páginas). Já a Edição Definitiva seguiu o mesmo formato da segunda edição, porém, incluiu material extra com o capítulo bônus e artbook (232 páginas no total), uma capa nova, sobrecapa, papel Pólen Bold e preço de R$ 79,90. No vídeo abaixo, vocês podem ver as três edições em comparativo.
Sobre a primeira edição, a POD, queria dizer que hoje eu vejo como ela era pavorosa em qualidade de impressão. Eu peguei os dois volumes e quando fui olhar, fica evidente como a impressão da primeira versão distorce as cores. Tem páginas em que o azul praticamente vira roxo. Na foto talvez não dê para percebem bem, mas quando se compara elas vendo pessoalmente, fica evidente o quão ruim é a primeira e ainda mais considerando pelo preço que era cobrado na época…


- Conclusão
“The Flower Pot”, apesar de alguns poréms, é um trabalho gostosinho, cativante e divertido de ler. É uma boa obra para quem curte romances leves, sem grandes pretensões além disso. Possui personagens fofos e uma arte linda! Ele frequentemente aparece em boas promoções na Amazon, então acho que vale a pena ficar de olho.

- Ficha Técnica (edição definitiva)
