Fate/Fake anime 03012026
Ao menos esse início começou promissor, mas não pelos motivos esperados.

E aí, pessoal!? De volta dos mortos depois de alguns anos sem postar no blog, estamos aqui comentando sobre os animes da Temporada de Janeiro de 2026, e decidi assistir a um dos hypes, Fate/strange Fake. E, devido a essa longa pausa, estou meio enferrujado para escrever textos falando de animes e mangás em geral, mas vamos lá tentar pegar o ritmo e manter frequência de postagens por aqui.

Sinopse (Crunchyroll):
Em uma Guerra do Santo Graal, Magos (Mestres) e seus Espíritos Heroicos (Servos) lutam pelo controle do Santo Graal — um dispositivo onipotente que, segundo a lenda, realiza qualquer desejo.
Anos se passaram desde o fim da Quinta Guerra do Santo Graal no Japão.
Agora, sinais pressagiam o surgimento de um novo Santo Graal na cidade de Snowfield, no oeste americano.
E, de fato, Mestres e Servos começam a se reunir…
Uma classe de Servos desaparecida…
Invocações de Servos impossíveis…
Uma nação envolta em segredos…
E uma cidade criada como campo de batalha.
Diante de tais irregularidades, a Guerra do Santo Graal se distorce e mergulha na mais profunda loucura.
Que se abra o pano para um espetáculo de humanos e heróis, obrigados a dançar no palco de um falso Santo Graal.

Para quem me conhece ou acompanhava o blog antigamente, sabe do meu desgosto com a franquia FATE. Meus amigos curtiam, e achava estranho só eu odiar essa parada. E olha que eu tentei MUITO gostar das coisas que eram lançadas. Tentei jogar a Visual Novel que deu origem a tudo, vi quase todas as adaptações animadas com título FATE, li a merda da novel de Fate/Zero (meu ódio pelo Urobuchi fala mais alto aqui), joguei por um tempo Fate/Grand Order… Fiz de tudo, mas não adianta. Não consigo gostar.

Acho que a franquia, no papel, é muito melhor do que sua execução, independentemente da mídia em que é lançada. Essa parada de termos magos invocando espíritos heroicos para lutarem em busca do Santo Graal é maravilhosa. A ideia parte de um enredo simples e que podia render uma história fantástica, com personagens complexos emocionalmente envolvidos enquanto buscam a realização de um desejo quase intangível em sua grandeza. Só que a franquia FATE joga essa sinopse no lixo para criar… hum… coisas duvidosas, talvez!?

Nem me refiro a tentativas de criar uma narrativa densa, porque os roteiristas adoram se complicar em terminologias e lógicas que não vão fazer sentido ou que serão ignoradas no segundo seguinte por conveniências baratas. Estou focando mais no fato de que eles têm liberdade para ir MUITO mais longe, mas ficam no medíocre ou em fanservices ridículos para agradar os fãs. E acaba que os grandes feitos da franquia FATE ficam destinados à parte técnica ou visual em suas adaptações.

É engraçado que, conversando com amigos que curtem FATE, quase não dá para discutir algo, porque os grandes momentos de toda a franquia ficam restritos a cenas específicas: Gilgamesh soltando sua “ultimate”, a beleza da Saber ou de qualquer personagem feminina que apareça na trama, os sakugas das lutas, frases de efeito (aquele monólogo do Archer quando vai soltar o Unlimited Blade Works). Tipo, o roteiro não é algo que tem substância para abrir possibilidade de discussão entre amigos. Ele só é uma justificativa frágil (se pensar na lógica do bagulho, aí fudeu, não faz sentido) para ter lutas de entidades famosas de conhecimento popular, e apenas isso.

E vou focar apenas no quesito roteiro, pois, se eu precisar aprofundar em todos os problemas que a franquia FATE tem, terei que fazer vários posts, um para cada tópico que eu queira abordar (personagens femininas objetificadas para agradar otaku carente, a lógica da existência do Santo Graal ser uma loucura de conceitos que não têm sentido, doideiras de viagem temporal, e por aí vai).

Mas, por incrível que pareça, mesmo tendo essa resistência em assistir algo de Fate em pleno 2026, curti essa estreia de Fate/Fake. Só que gostei justamente por ele REALÇAR os seus defeitos, e não suas qualidades. Vou explicar, mas vamos por partes. A “lore” de Fate nunca foi bem embasada. O autor do original, Nasu, nunca conseguiu formar uma base sólida dentro do jogo de 2004, o que gera inúmeras inconsistências de roteiro na linha principal e nos derivados lançados posteriormente. E, dependendo do roteirista que está escrevendo o spin-off da vez, esses furos de roteiro ficam ainda mais evidentes, não sendo possível embarcar na jornada cujo mundo criado é vazio e raso.

Com certeza vai ter fãs da VN falando que no original é melhor explicado do que nos animes X e Y, que vai ter que jogar 100 horas de textos e mais textos para entender, aguentar a chatice do Emiya como péssimo protagonista de um game longo… Mas, antes que apareça algum desses nos comentários, quero deixar claro que estou avaliando o ANIME. Não quero saber se há explicações externas. O que importa é a obra animada lançada nessa temporada, e estarei me atendo somente a ela (Mas tenho que reforçar que, para assistir Fate/Fake, será necessário ter visto ao menos os Fates da linha principal, pois, caso contrário, personagens e menções a obras anteriores não farão sentido algum para um novato na série.).

Assim, sabendo das fragilidades no alicerce do roteiro da franquia, ter na trama os americanos “tentando” roubar a Guerra do Santo Graal dos japoneses da maneira mais extravagante possível não tem como ser levado a sério dali em diante. E, no dia de hoje (03/01/2026), os americanos invadiram, atacaram e sequestraram o presidente da Venezuela, com possível golpe de Estado em uma nação soberana para roubar petróleo. As coincidências da vida são fabulosas. E sim, estou ligado que o roteiro não fez uma ligação política direta com o fato histórico atual, porém, refletindo sobre isso, até mesmo em obras originadas de parceiros comerciais dos EUA, a imagem americana é a de ROUBAR coisas de outros países com a alegação de “paz” mundial. O mago policial é uma boa representação disso, e foi perfeito.

Mas, deixando minhas divagações, justamente por essa trama partir de um ponto que é uma guerra “falsa”, e que precisa ser verdadeira para ser validada e o Santo Graal ser ativado, atendendo ao desejo do campeão; por ter um enredo de espionagem no estilo dos filmes de James Bond dos anos 70 e 80 com toneladas de reviravoltas e traições; por ter personagens extravagantes e exagerados; vilões que contam seu plano antes de morrer pateticamente; a existência de um garoto imbecil ridicularizando outros magos que apareceram na franquia anteriormente; lutas sem nexo algum só para satisfação visual; elenco completamente unidimensional; pouquíssima exposição barata com lore jogada na tua cara sem necessidade; tudo isso junto deixou a experiência de assistir Fate/Fake maravilhosa. O anime não ter pretensão de ser algo grandioso e ser simples na apresentação e narrativa, transformou a produção em algo palatável, até mesmo para mim que não sei os mínimos detalhes da história de FATE.

Sei que meu gosto por galhofas em obras ruins fala mais alto nesse momento, e que estou assistindo Fate da “maneira errada”. No entanto, por ter saído daquele núcleo merda das famílias Matou, Toosaka e Einzbern, dá uma revigorada maravilhosa na franquia. Como não precisa criar justificativas ou associações para o envolvimento de qualquer membro das famílias citadas, tudo fica melhor, pois não existe a necessidade de ficar preso a pilares tenebrosos da obra original. Pode-se partir de um ponto novo e construir uma narrativa com novos personagens ou conceitos, seguindo dali, com liberdade criativa para tentar, ao menos, ser diferente do que já foi lançado antes na franquia. Pô, só com isso já me deu uma boa animada.

O problema inicial que eu tive foi com o lançamento que essa temporada fez em sua estreia. Para quem está perdido (e não tenha lido o título do post ou sido informado), temos um episódio prólogo. O famigerado episódio 0. Odeio essa parada de lançarem coisas fora de um cronograma tradicional de temporada e que tenham a necessidade de ser assistidas para o entendimento do enredo no lançamento oficial do anime. E, para fechar o combo MERDA disso, o episódio 0 tem 1 hora de duração.

Estou ligado que esse episódio 0 foi lançado há mais de 2 anos e que o episódio 1 foi lançado no final de 2024, dando tempo para assistir. Mas jura que eu ia assistir naquela época e, depois de 1 ano, iria ver a continuação!? Nem fudendo. Já tenho problema de lembrar de coisas de um mês para outro. Imagina um ano depois. Preferi esperar para assistir agora, perto dos lançamentos semanais dos episódios futuros.

Entretanto, apesar de odiar essa parada de 1 hora no episódio de estreia, aqui em Fate/Fake não senti que foi uma decisão ruim. A estrutura que o anime adotou, com mudanças de perspectivas e núcleos serem bem dinâmicas e rápidas, ficou tudo menos cansativo. Nem reparei que tinha passado 1 hora de episódio. Só fui notar quando subiram os créditos e tivemos aquele epílogo no episódio 0 da verdadeira protagonista do anime.E diferentemente de outro anime dessa temporada que também teve estreia de 1 hora (Yuusha-kei ni Shosu), Fate/Fake conseguiu acertar no tom e no ritmo, sem se tornar enfadonho pela longa duração.

Até puxando coisas que aconteceram no episódio 1, gostei do elenco de personagens desse Fate. Ao menos os personagens daqui não são detestáveis. Obviamente, temos aqueles personagens exagerados, cheios de trejeitos espalhafatosos, beirando o caricato, padrão dentro da franquia Fate. Mas, ao menos no roteiro, souberam dosar seus maneirismos, não exagerando ou tornando-os insuportáveis para mim. Até personagens como o mago doente pervertido que tem uma tara na sua serva, ou o “falso servo” do policial com falas machistas (novamente, padrão da franquia), teriam tudo para serem personagens merdas, transformando minha experiência em uma bosta. Porém eles aparecem de forma tão pontual nessa quase 1 hora e meia dos episódios iniciais que passam despercebidos caso assista sem prestar muita atenção.

Minha dúvida fica com a protagonista, Ayaka. Ela só ganha destaque no episódio 1, e quase nada de seu background nos é apresentado. Sei que a personagem é uma derivação do Shirou e baseada na personagem principal do OVA de Fate/Prototype, que era uma das primeiras ideias na época em que estavam criando o primeiro jogo de Fate. Aliás, um adendo: é uma pena que o Nasu não tenha seguido com a ideia inicial de uma protagonista feminina em Stay/Night, pois com certeza parte dos problemas presentes na VN não existiriam no resultado final. No entanto, essa versão da Ayaka, não sei o que esperar. E, por ela ter um visual com roupa similar a um uniforme escolar, me preocupa, e muito, quanto à sua representação na obra, visto o histórico da franquia na retratação de personagens femininas e suas objetificações em fanservice gratuito.

Quanto aos demais aspectos técnicos, como animação, direção, edição, fotografia e trilha sonora, obviamente estão excelentes. E, visto o quanto de dinheiro a franquia rende com o jogo mobile, se saísse uma merda, seria algo inusitado, no mínimo. Me chamou a atenção o fato de que a dupla de diretores (Takahito e Shun) trabalhou anteriormente em outras obras apenas como animadores. A direção como cargo principal é novidade para ambos. E mandaram muito bem para o primeiro anime, ainda mais considerando o escopo que esse projeto deve ter tido para um lançamento mundial com alto investimento.

Considerando minha baixa expectativa quanto ao anime, saí satisfeito após assistir aos dois episódios iniciais. Obviamente, meu gosto por coisas trash no roteiro pode ter aumentado meu apreço por Fate/Fake, mas a execução, junto com uma parte técnica excepcional, deixou mais tragável uma obra de uma franquia que, só de pensar, já me dava ânsia de vômito.

O anime está disponível na Crunchyroll. Clique aqui para assistir.