Uma das estreias que em particular, estava bem animado para ver, era a de “Isekai no Sata wa Shachiku Shidai” (disponível na Crunchyroll com o título “Isekai Office Worker: The Other World’s Books Depend on the Bean Counter”), o Isekai BL! Assisti aos dois primeiros episódios do anime e assim… não é que seja ou esteja ruim, mas achei tudo MUITO corrido. Explico melhor o que gosto e o que desgosto da estreia do animação a seguir!
Sinopse: “Seiichiro é um funcionário comum: explorado pela empresa. Ao se aproximar dos trinta anos, ele está à beira do esgotamento e questiona suas escolhas de vida… Mas, quando um dia, ele tenta ajudar uma jovem que parece ter sido sugada por um vórtice estranho, ele cai em outro mundo! Teletransportado brutalmente para o reino de Romani, ele rapidamente encontrará seu lugar lá: em menos tempo do que o necessário para dizer, está pedindo emprego! Graças às suas habilidades como contador, ele pode muito bem se estabelecer como um aliado valioso na gestão do Estado… o que desperta a suspeita de Aresh, o capitão sombrio dos cavaleiros, apelidado de Príncipe do Gelo.”

Na obra acompanhamos o Seiichirou um salaryman absolutamente comum: explorado pela empresa que trabalha, sendo obrigado a realizar cargas horárias exaustivas, além de receber cada vez mais trabalho. Ele está próximo dos 30 anos e sentindo-se completamente exausto, sem conseguir vislumbrar uma mudança na vida, apenas existindo dia após dia. E é num (nem) tão belo dia, que ele tenta salvar uma moça que estava sendo sugada por um vórtice suspeito, que os dois acabam sendo tragados pelo portal e vão parar em um outro mundo. Nesse mundo, a moça que foi levada, a Yua Shiraishi, foi invocada para ser a Santa que vai salvar o mundo, purificando o miasma que surge a cada 100 anos, destrói as cidades e toda a vida ao redor. O Seiichirou, como chegou de “brinde” indesejado, não tem uma função propriamente e como não tem nada para fazer, rapidamente pede por um trabalho, passando a trabalhar na corte do reino.

Como workaholic que é, ele logo começa a assumir e tomar controle de mais funções e não demora para perceber que as contas daquele reino não estão fechando e absolutamente não tem ficar positivo. Os gastos são altíssimos, mais do que se arrecada, os pedidos orçamentários são aprovados sem critério, principalmente quando se trata de pedidos do exército e o Seiichirou começa a vetar esses pedidos até que eles sejam informados corretamente, com os dados necessários e principalmente, quando forem condizentes. Nesse interim, ele chama a atenção do Aresh, capitão dos cavaleiros, não muito carinhosamente, apelidado de “Príncipe do Gelo”.
O Aresh não vê o Seiichirou com bons olhos. Acha a movimentação do Seiichirou um bocado suspeita, considerando que não existe motivo para ele querer um trabalho, ainda mais envolvendo as contas do reino, observando-o com certa distância. O caminho dos dois se cruza quando o Seichirou passa mal por abusar de poções mágicas que recuperam a energia e vigor, fazendo com que o Aresh precise intervir para o garoto não morrer no meio da rua. E qual seria essa intervenção? Levar o rapaz para a cama, rs.

Eu acho conceito demais que, por o Seiichirou não estar familiarizado com a magia, acaba sendo intoxicado por ela, aí como forma de solução desse problema, precisa levar r*la para se acostumar com a mana do conjurador (o famoso, chá de p*ca 😊). E o próprio Seiichirou, na hora, fica pensando “Nossa, não estou entendendo, isso não faz sentido para mim”. E as motivações dele para continuar vivo é que ele precisa terminar o documento de contabilidade. No dia seguinte, o Kondo ainda diz que o Seiichirou está com uma cara ótima e que parece ter dormido bem (e como dormiu…). É maravilhoso, rs.

Eu gosto da relação do Aresh com o Seiichirou, porque ela começa com uma desconfiança, precisa evoluir para algo carnal e não sentimental, mas não demora para os dois ficarem “encantados” com o outro, principalmente o Aresh, que forma uma dicotomia entre a bravata de cara frio e distante, e ao mesmo tempo, está lá movendo céus e mundos para cuidar do Seiichirou e tornar a vida dele mais confortável. Ainda estamos só no comecinho, mas teremos momentos excelentes entre os dois mais para frente. ^^
Do lado da santa, mais para o começo da série, tinha um ranço tremendo da Yua, porque achava sonsa demais, porém com o passar do tempo, percebi que só é muito ingênua (para não chamar de burra mesmo). No anime, estou repetindo esse mesmo processo, é uma ingenuidade enorme, porque ela não consegue ver coisas que estão a mais 1 metro de distância dela. Demora demais para processar uma coisa simples, leva as coisas que o Seiichirou fala para o lado pessoal e quase que como ofensa (são falas duras, é verdade, mas não deixam de ser pontos importantes), mas também não consigo não pensar que garota sonsa. Meu pai do céu.

Esses dois episódios, de maneira geral, foram legais e condizentes com a série, com uma produção beeeem mediana, com claras limitações. A direção do Shinji Ishihara definitivamente não está na melhor das inspirações, entretanto diria que foi tudo “ok” de maneira geral. Dá para passar de ano. O que me incomodou é que o anime está simplesmente voando nessa adaptação! Eu não conheço a novel, não li, então não posso dizer como é, mas considerando a adaptação em mangá, é bizarro que eles adaptaram quase 5 capítulos do mangá (e isso é quase o volume inteiro) no primeiro episódio. É tudo muito corrido, de forma que não tem tempo de respiro entre uma cena e outra.
Acho que a série acaba perdendo nisso, porque não tem mais espaço para sutileza ou subtexto. Não que o texto da obra seja profundo, mas existia uma calma na hora de contar as coisas, que tornavam os eventos mais interessantes e impactantes. Por exemplo, aquela cena do Aresh encontrando o Seiichirou e confrontando ele sobre o que estava fazendo e o que ele ia fazer, no mangá tem mais impacto. Aqui, acaba sendo algo que só é passável.

Se o episódio 1 vai até metade do capítulo 5, o episódio 2, em 6 minutos de episódio, já termina de adaptar esse 1º volume do mangá. O episódio termina na metade do 9º capítulo, de forma que falta só mais mais 3 capítulos e meio para terminar o 2º volume (o 3º volume do mangá já termina de adaptar o volume 1 da novel). A novel original é completa em 3 volumes. São volumes de umas 300 páginas, mais ou menos. Adaptar 3 volumes de novel em 12 episódios não parece uma coisa muito difícil e, na verdade, isso é até bem comum nas animações e em geral, é uma quantidade bem ok de material para adaptar normalmente. Aí fica a minha dúvida: será que esse ritmo acelerado que estamos vendo no anime vem da light novel mesmo OU é o mangá que fez preenchimentos e inseriu novas cenas na sua adaptação, para criar algo mais “lento” com mais nuances? Não sei, mas fica aí o questionamento. O fato é que por ser tão rápido, eu (como pessoa que conhece o mangá) não consegui me apegar tanto aos personagens do que aqueles que conheço em outra mídia. Ainda assim, é uma obra que gosto bastante e, portanto, fico feliz de ver os personagens se movendo.
E vale dizer: o anime está sofrendo um hate massivo de um bando de otaku hetero que resolveram ver o anime (sem olhar as tags, aparentemente) e ficaram putinhos, porque os protagonistas aparecem transando no episódio 2, em uma cena que dura segundos, e que, sinceramente, não mostra nada (se vissem no mangá como é). Um bando de ridículos (como de costume).

A animação está sendo feita pelo estúdio DEEN que está com outros dois animes nesta temporada (“Shibou Yuugi de Meshi wo Kuu” e o Shoujo “Akuyaku Reijou wa Ringoku no Outaishi ni Dekiai Sareru“). Lá em cima, escrevi que é um evento canônico o Shinji Ishihara voltar ao estúdio DEEN para um novo BL, porque já faz alguns bons anos que o diretor (que é conhecido por ser o diretor de “Fairy Tail”) só volta para o estúdio para adaptar algum BL. Nos últimos anos, ele estava por trás de animes como: “Super Lovers” (2016 e 2017), anime TV e filme de “Sasaki e Miyano” (2022 e 2023, respectivamente) e mais recentemente, “Tadaima, Okaeri” (2024). A cada 1 ou 2 anos, o diretor volta para nos entregar um novo projeto gay e eu acho bonito sua iniciativa. Para ele fazer tantos BLs, os últimos trabalhos dele de diretor foram SÓ com BL, deve gostar muitíssimo do gênero.
“Isekai no Sata” definitivamente não é o trabalho mais inspirado do Ishihara, mas não faz feio. Acaba sendo uma coisa mais básica e sem muitos recursos (creio que a atenção do estúdio esteja em “Shibou Yuugi de Meshi wo Kuu.“, dirigido pela nova estrela do estúdio, o Souta Ueno).

E já que estamos falando da animação e do estúdio, o design de personagens segue o que foi feito para a novel original (criado pela Kikka Oohashi), que tem uma aparência mais de twink para o Aresh. Eu pessoalmente não gosto desse design e prefiro o do mangá. Não entendam errado, nada contra os queridos twinks, mas o Aresh é descrito com alguém frio, distante e imponente e eu não consigo ter essa impressão com o design que foi para a animação. Essa impressão é muito mais forte e marcante quando olhamos para o design que a Irodori Kazuki fez para a adaptação em mangá.

Termino esse post dizendo que acredito que ainda vale ver o anime, principalmente se você não conhece o mangá. Creio que talvez soe melhor se você não tem noção de como é o tempo e o andamento dos eventos do mangá. Agora na novel eu não posso dizer nada, porque não li, mas também deixo a recomendação do mangá. É um trabalho legal e tem post aqui no blog. A quem possa interessar:
