E retorno novamente para comentar aqui no blog o quinto anime que assisti dessa temporada. Se vocês olharem no título deste post, reparem no tamanho do nome dessa desgraça. Para facilitar tanto para mim, que escrevo, quanto para vocês, que lerão a resenha, vou abreviar para Yuusha Party. Então comentarei sobre essa adaptação de um mangá, que desconhecia até alguns dias atrás, e que descobri enquanto escolhia o que pegaria para ver dessa temporada, e assim… o anime não é um desastre completo, mas está longe de ser algo bom, até mesmo se você for com a maior boa vontade do mundo em consumir essa animação.
Sinopse (Crunchyroll): Reencarnado como um demônio de nível médio, Youki tinha uma única missão: esmagar o grupo do herói. Então, ele viu a sacerdotisa do grupo, Cecilia, e se apaixonou perdidamente por ela. Agora, esse demônio apaixonado jura confessar seus sentimentos, mesmo que isso signifique trair o Rei Demônio. Será que o amor florescerá entre esses dois inimigos jurados?

Se vocês leram o parágrafo acima com a sinopse, é o resumo do que acontece nos 10 primeiros minutos do episódio de estreia. A segunda metade do capítulo vira outra coisa, mudando por completo a perspectiva geral do enredo. Pode até esquecer esse lance de “namoro proibido” entre duas pessoas de grupos opostos. Não é um Koi wa Sekai Seifuku no Ato de (aquele anime do Power Ranger vermelho que namora com a vilã arqui-inimiga dos heróis), em que temos uma paixão proibida entre personagens antagônicos. Esqueça esse plot. A sinopse induz para uma vertente que, logo após a primeira metade, tem seu status quo modificado para uma parada completamente distinta, com o Youki virando aventureiro nível F (mais baixo do rank).
Até mesmo o Rei Demônio citado na sinopse morre, fora de tela, e foda-se para o suposto “super” vilão dessa história. Bem no início, o Youki fala, em um diálogo de introspecção, que ele é mais forte que o rei. Se é nessa linha, o perigo é inexistente. Aí a dúvida que aparece é o motivo dessa sinopse sinalizar que é um temor para o protagonista guardar esse segredo de sua paixão para o seu superior, sendo que o maluco não teria dificuldade em matar o bicho ruim. Até inventam a desculpa de que, caso ele seja o responsável por tirar a vida do Rei Demônio, ele assume o trono. Entretanto, se ele matar todos os demônios, não vai ter ninguém para o coroar como novo líder. Qual o motivo ele tem para continuar escondendo? O roteiro só ignora esse fato. E, mesmo que fosse relevante, pouco importa, pois a narrativa muda, o cenário é transformado em uma aventura, e o protagonista começa a primeira “quest” de subir de rank na guilda, parecido com aqueles jogos de RPG japoneses de baixo orçamento. E, falando de baixo orçamento…

Rapaz, aqui em Yuusha Party, se esse é o máximo que a equipe de produção conseguiu entregar em qualidade técnica, nem quero imaginar no decorrer da temporada. O pior é que o diretor e os demais integrantes sabem que não vão realizar um trabalho decente com esse ínfimo investimento do comitê desse anime. E, por terem essa noção das limitações, tentaram de tudo para disfarçar todas as imperfeições presentes na animação. Tentaram fazer designs simplificados dos personagens para facilitar nos desenhos, utilizaram uma película para simular pintura a óleo para deixar borrada a definição das formas e cores, usavam closes e frames estáticos o máximo que podiam, sem parecer uma apresentação em PowerPoint… Mas não foi suficiente. Os defeitos gritavam na tela. Personagens próximos do foco do enquadramento estavam deformados, faltando olhos, nariz ou boca; deformações de cenários e movimentação bizarra de objetos; personagens que parecem que foram colados no cenário, não casando com o background; direção tenebrosa e edição nem se fala… Tipo, nada dá para elogiar em relação à parte técnica. O anime é muito feio visualmente. Pior que as ilustrações do mangá são até boas. Dei uma olhada no primeiro capítulo e é ok. O lance é que a adaptação animada piorou a coisa toda e fudeu com o visual em comparativo com o material original.
Falando assim, parece que detestei o Yuusha Party. Vi vários animes com produções horrendas e que consegui tirar algum proveito das obras, mesmo tendo de tudo contra essas animações. Por exemplo, adorei Otome Game Sekai wa Mob ni Kibishii Sekai desu, e é um negócio de chorar sangue enquanto você assiste. E eu vou tentar fazer a mesma coisa em Yuusha Party. Semelhante a um porco procurando trufas em um monte de merda, estarei lá eu, tirando até a última gota de algo bom desse anime. Como essa obra não me ofendeu, ou me chamou de imbecil, ou me tirou do sério no seu roteiro, farei esse esforço em tentar focar nas coisas boas. Até devo estar com toda essa boa vontade de insistir, acho que por conta de estar lendo uma manhwa chamado I Became The Villain The Hero Is Obsessed With, que tem uma proposta similar. Vendo por esse prisma, temos uma outra obra que está influenciando minha percepção e me fazendo ver o lado bom de Yuusha Party.

E, falando do que eu curti no anime (são poucas coisas, mas vou me agarrar com o que tenho), achei a dinâmica da dupla de protagonistas bem divertida. O Youki e a Cecilia são carismáticos, e quando os personagens trocam diálogos é bem gostoso de acompanhar, visto que é uma coisa inocente e leve, mesmo o Youki sendo um demônio. O ponto alto do episódio são suas interações. Apesar de ter várias piadas (achei a comédia somente ok), é a química dos dois se conhecendo que vale mencionar como algo bom do roteiro. Ao menos o romance (coisa que valorizo nas obras que têm isso como gênero principal) entre os dois vai ser legal de acompanhar nos próximos episódios.
Também, mesmo reclamando da falsa propaganda da sinopse, achei um pouco ousado abandonar essa parada do amor “Romeu e Julieta” para um slice of life medieval. Aliás, queria saber o motivo de precisar ser um isekai. Se o rumo da narrativa for esse, do cotidiano do casal em aventura pelo reino, não tem a necessidade do maluco ser um renascido de outro mundo. Ele podia ser, tranquilamente, um demônio que não gosta de matar humanos. Bastava isso. Não precisava ele ter sido humano na vida passada para justificar a empatia dele com o grupo do herói. Ele se apaixonou e pronto. Mas inventaram de ser um isekai. Vamos aguardar e ver como o enredo tratará o tema do protagonista ser reencarnado.
No final, sou eu que tentarei me enganar e me iludir com argumentos frágeis para continuar assistindo Yuusha Party. Definitivamente não recomendo o anime para ninguém, nem para quem curte acompanhar uma história de romance impossível, mas, se mesmo lendo este texto ficou interessado em pegar para assistir, não me responsabilizo por quaisquer danos que tenha ao consumir algo perigoso. Não dirija após ver esse anime e aprecie com moderação.

O anime está disponível na Crunchyroll. Clique aqui caso queira assistir.
