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Autora fala de "Mitarai-ke, Enjou suru", Josei de suspense e vingança!

Com pouco mais de 10 anos de carreira e apenas 4 mangás publicados, a Moyashi Fujisawa tem consolidado uma carreira bem interessante. Seus trabalhos – todos inéditos no Brasil – exploram questões e aspectos muito diferentes entre si. Ela ganhou experiência durante os anos que trabalhou como assistente da Rumiko Takahashi (InuYasha; Ranma 1/2; MAO) e sua carreira começa em 2015, quando ganha o Primeiro Prêmio do Newcomer Manga Award da revista Hatsu Kiss (revista-irmã da Kiss) com a obra “Femme Fatale to Hirugohan wo“. Rapidamente, ela logo se estabeleceu e estreou sua primeira série, ainda em 2015, com “17-sai no Tou” – crítica social e relações de poder -, mangá em 2 volumes publicado na Hatsu Kiss. E é em Março de 2017 que ela começa “Mitarai-ke, Enjou suru” na revista Kiss. O mangá foi concluído em Abril de 2021, com 8 volumes. A obra foi o maior sucesso da mangaka até o presente e é seu mangá mais publicado fora do Japão! Desde Julho de 2023, a autora publica “Tasogare no Hito” na Kiss, estando em andamento com apenas 2 volume lançado, sendo que o segundo foi lançado hoje no Japão.

A obra chegou na França em 2023, tendo sido publicado entre Julho de 2023 e Janeiro de 2025 pela Akata. O mangá foi um grande sucesso no país, um dos grandes destaques de mangá feminino daquele ano. A entrevista que traduzimos agora foi lançada no final de Julho de 2023, pouco após o lançamento do primeiro volume do mangá na França.

A entrevista foi feita pelo Valentin Paquot, para o site Linternaute.com. A entrevista completa pode ser lida na íntegra aqui.


É no seio editorial chamado “mulheres na investigação policial” que a Akata decidiram de publicar a partir de Junho de 2023 o mangá “Burn the House Down” [Mitarai-ke, Enjou suru], de Moyashi Fujisawa. Este thriller vai te deixar na ponta da cadeira ao longo dos 8 volumes que o compõem (série completa no Japão). Partindo de uma sinopse, à primeira vista, clássica de investigação e vingança, Moyashi Fujisawa constrói um mangá de uma complexidade e de uma profundidade das mais apreciáveis.

Seu domínio do suspense e das reviravoltas são louváveis, tanto que é difícil de parar a leitura desta série. Uma série que cativou os leitores japoneses, mas também os produtores da Netflix, pois eles adquiriram os direitos da obra e a adaptação televisiva está disponível no mundo inteiro desde 13 de Julho de 2023 sob o título “Famille en flammes” [no Brasil, como “Consumidas pelo Fogo“].

É no Japão, por intermédio da Akata e dos responsáveis pela Kodansha, que pudemos entrevistar a talentosa Moyashi Fujisawa.


Linternaute – Como nasceu “Burn the House Down“?

Moyashi Fujisawa – O que aconteceu primeiro neste projeto foi a palavra “enjou”. Ela significa “chama”, “queimar” (o termo “enjou” é utilizado no título original do mangá: Mitarai-ke, Enjou suru, nota do editor), mas ele pode, também, exprimir a vingança e veicular a ideia de veemência e de violência. É um termo frequentemente usado na mídia; é um termo inequívoco/sem ambiguidade. As suas implicações falarão com todos, pelo menos no Japão. Eu tinha vontade de utilizar este termo que me inspirava.

Linternaute – E em seguida?

Moyashi Fujisawa – Como realmente queríamos usar esse termo “enjou”, desde o começo deveríamos incluir um incêndio na história. Em seguida, para fosse empolgante, precisava revelar quem tinha provocado esse incêndio. Esses foram meus dois pontos de partida e na sequência, eu construí a história pouco a pouco.

Linternaute – Anzu esperou dez anos para colocar sua vingança em prática. Você teria essa paciência?

Moyashi Fujisawa – Eu seria incapaz de esperar dez anos por qualquer coisa (risos). O altruísmo e a força de vontade que ela demonstrou durante esta década para preparar sua vingança são qualidades que eu não possuo. Isso foi, aliás, o ponto mais difícil que eu tive que enfrentar ao dar vida à personagem da Anzu: lhe dar traços de personalidade que eu não possuo.

Linternaute – Dizemos que quando somos autores, colocamos um pouco de si nos personagens. Qual deles mais se parece com você?

Moyashi Fujisawa – Paradoxalmente, a personagem que mais se parece comigo é a Anzu. Não pelo âmago de sua psique. Mas ela é bastante reservada, quase taciturna, sobretudo se a comparamos com sua irmã mais nova que é extrovertida e alegre. Eu também tenho uma irmã mais nova que sorri bem mais que eu. Nesse aspecto, me sinto próxima da Anzu.

Linternaute – Quais são as referências e as influências usadas para Burn the House Down?

Moyashi Fujisawa – Foram principalmente as séries de TV e os filmes que eu consumo muito. Por exemplo, o filme “Gone Girl” [“Garota Exemplar”, no Brasil] com Ben Affleck me inspirou para a história entre Makiko e Osamu.

Linternaute – E quanto à quadrinização?

Moyashi Fujisawa – Minhas referências são ligadas aos filmes de horror. É preciso dizer que nós assistíamos muitos filmes de horror com a Rumiko Takahashi (cujo ela foi assistente, NDE), ela gosta muito do gênero. E eu naturalmente acabei sendo influenciada por eles. Eu amo a maneira que os filmes de terror brincam com o zoom, utilizando planos abertos para criar tensão e gradualmente aproximam a imagem, até o momento do horror nos atingir. Eu brinco muito com o posicionamento das câmeras nos meus mangás.

*página da Makiko andando sobre o feed do Insta*

Linternaute – Ao trabalhar em um thriller e assistir a filmes, você consegue viver sua vida cotidiana sem suspeitar de tudo?

Moyashi Fujisawa – Eu assisto a muitos filmes de horror, mas na verdade, eu tenho muito medo (risos). Eu sou uma pessoa muito medrosa por natureza. Ouvir um filme de terror me assusta e quando há fantasmas, eu espero até que me digam “Está tudo bem, eles não estão mais na tela” para reabrir os olhos (risos).

Linternaute – Seu mangá aborda muitos problemas da sociedade: a questão das aparências, a importância das redes sociai, a pressão social, as fake news. Você acha que as coisas estão caminhando na direção certa?

Moyashi Fujisawa – Desde 2017, desde a época do lançamento da obra, houve melhorias, sobretudo no que diz respeito à condição geral das mulheres, particularmente a respeito das violências contra as mulheres. Notavelmente, com a explosão do movimento #MeToo. Falamos, também, bem mais nas mídias sobre a problemática do assédio virtual. No entanto, ainda temos muitas coisas para mudar, batalhas a serem travadas.

Eu tenho uma criança de 3 anos, e eu olho com ela os programas culturas e educativos adaptados para sua idade. Eu constatei uma evolução nesse sentido. Eu diria que estamos caminhando por uma boa direção, mesmo se o caminho ainda pareça longo…

Linternaute – O que podemos fazer para melhoras as coisas?

Moyashi Fujisawa – Infelizmente, nós não podemos fazer grandes coisas. Sempre haverá pessoas que procuram explorar a ingenuidade das pessoas por todos os meios possíveis. Sem querer ser derrotista, eu penso que estes problemas não serão resolvidos enquanto eu estiver viva. No entanto, vamos dar nosso melhor no cotidiano, dentro das nossas possibilidades.

Linternaute – Em Burn the House Down, como em um bom thriller, há várias reviravoltas na trama. Como você as imaginou? Você cria as situações para inserir essas surpresas narrativas, ou elas surgem depois?

Moyashi Fujisawa – O que é importante, é, sobretudo, a construção das diferentes etapas. Construímos a narrativa em um esquema clássico: um problema ou ameaça surge para a protagonista, que, após uma série de peripécias, busca uma solução e avança na história. É preciso dosar a gravidade dessas ameaças, desses elementos perturbadores e criar uma curva de progressão. É essencial que, mesmo que um problema possa aparecer, que ele não seja insolucionável. O leitor deve sentir a tenção, mas não deve ser dominado por ela.

Linternaute – Como é que sabemos se uma reviravolta é ‘too much‘?

Moyashi Fujisawa – É, efetivamente, o principal risco que corremos quando escrevemos esse tipo de história: não ser crível, fazer reviravoltas demais… da minha parte, eu tinha muita vontade de que meu mangá fosse o mais realista possível. Então, a cada vez, eu perguntava ao meu editor se eu estava exagerando, se não estava indo longe demais. Ocasionalmente, me ocorreu de ajustar certos elementos depois de seus feedbacks.
No entanto, a cada evento que planejava, eu tentava ir um pouco mais longe do que eu havia feito anteriormente, de maneira que meus leitores, que são muito perspicazes, também pudessem cair nesta armadilha.

Linternaute – Como você geriu o ritmo do seu mangá?

Moyashi Fujisawa – No começo, eu havia estabelecido uma montagem para uma história em cinco volumes. Mas, mesmo que as vendas fossem corretas, sem ser fabulosas, meu mangá figurava regularmente no topo das listas de mais populares da revista (as revistas de pré-publicação organizam pesquisas de popularidade para classificar as obras, NDE). O editor-chefe me disse um dia que ele me daria carta branca para este título. Quando eu comecei a preparar a redação dos primeiros capítulos do volume 4, foi decidido em comum acordo com a redação de expandir a história para 8 volumes.

Linternaute – Você precisou adicionar mais reviravoltas à trama? Introduzir novos protagonistas?

Moyashi Fujisawa – Não, na verdade, a razão para a mudança de duração da história está ligada justamente ao ritmo narrativo. Para que a história que eu havia planejado fosse palpitante, era preciso gerir o ritmo das revelações e das aparições dos personagens. Em cinco volumes, isso seria muito denso e pouco agradável para o leitor. Precisava de mais tempo para introduzir os protagonistas e a situação inicial, construir e revelar os antagonistas, estabelecer a vingança, desenvolver uma atmosfera pesada. A história não mudou em relação ao conceito inicial. Foi um processo bastante natural.

Linternaute – No volume 2, você apresenta a Claire. Como nasceu essa personagem tão original?

Moyashi Fujisawa – Tudo começou a partir de uma necessidade bem simples. Eu esperava mostrar que, apesar do seu desejo por vingança, a Anzu não havia sacrificado tudo da sua adolescência. Que ela tinha uma amiga que a apoiava nesta jornada. Para esta personagem, eu me inspire na personagem de Garcia da série “Esprits criminels” [no Brasil, como “Mentes Criminosas“].

Linternaute – Como foi ver seu mangá adaptado para uma série de televisão, especialmente na Netflix?

Moyashi Fujisawa – Há muitas obras da Kiss (a revista de pré-publicação onde foi Burn the House Down foi publicado, NDE) que são adaptadas para série, então a probabilidade existia. Eu me dizia que seria legal se acontecesse, mas não devia sonhar muito. Então, naturalmente, quando o projeto de adaptação chegou, e ainda mais sob uma plataforma de streaming tão prestigiosa como a Netflix, foi uma surpresa incrível. Um impulso inegável. Ainda hoje me custa a acreditar.

Linternaute – Por que, na sua opinião, os Shoujos [e Joseis] são mais adaptados para dramas do que em desenhos animados?

Yosuke Taoka (editor encarregado da Moyashi Fujisawa) – Para mim, é, antes de tudo, uma questão de orçamento. Os mangás Shounen tem muitas cenas de ação, cenários de fantasia ou outros mundos imaginários, o que custaria muito de fazer em animação. Os Shoujo, em contrapartida, frequentemente possuem uma narrativa ancoradas em um universo realista, com situações do cotidiano como o trabalho, a escola etc. O que torna mais fácil de adaptar em drama.

Linternaute – Sua primeira série [“17-sai no Tou“] ganhou o Grande Prêmio da revista Kiss. Sua segunda série foi adaptada para série na Netflix. Para a próxima, você estaria visando Hollywood?

Moyashi Fujisawa – Eu ainda estou muito surpresa com tudo isso. Eu estou surpresa que minhas obras sejam adaptadas em série. No entanto, meu objetivo principal não é visar as adaptações hollywoodianas, mas sim, sobretudo, fazer com que meus mangás agradem às leitoras e leitores. Meu objetivo é ser reconhecida como mangaka.

Capa japonesa dos dois volumes de “17-sai no Tou

Linternaute – Como você se tornou mangaka?

Moyashi Fujisawa – Desde criança, eu desenho nos meus cadernos, seja na escola ou em casa. O desenho se tornou uma parte fundamental da minha vida, antes mesmo de eu me dar conta.

Linternaute – Você copiava outras obras ou já criava seus próprios personagens?

Moyashi Fujisawa – Eu sempre criei meus próprios personagens e meus próprios universos. Eu não tive o hábito de copiar outras obras.

Linternaute – Se você tivesse que citar um mangá e um(a) mangaka que te inspiraram..

Moyashi Fujisawa –Sailor Moon” [publicado no Brasil pela JBC] é o primeiro mangá que eu li e que me fez compreender o que era um mangá. Este título despertou em mim a verdadeira essência do mangá, com sua profundidade, sua riqueza, sua expressividade e sua arte. Esses elementos para além do simples conceito de uma história desenhada.
Não se pode copiar ou se inspirar em Rumiko Takahashi; ela é algo à parte, está em outro planeta, em um nível superior. Podemos ser inspirados pelo trabalho dessas mangakas geniais em termos de motivação criativa, mas dizer “Eu me inspirei em” é impossível. E mais, artisticamente falando, eu prefiro ser eu mesma.

Linternaute – Você foi a assistente de Rumiko Takahashi. Quais conselhos você obteve com esta experiência?

Moyashi Fujisawa – Eu trabalhei durante sete anos junto da senhorita Rumiko Takahashi. Comecei próximo dos três últimos volumes de “InuYasha” [também disponível no Brasil pela JBC] e foi até o 30º volume de “Rinne” [“Kyoukai no Rinne“, publicado entre 2009 e 2017, em 40 volumes; inédito no Brasil]. Ela nunca me deu conselhos em específico sobre o que eu estava desenhando por conta própria na época. No entanto, ela me fez assistir à séries, filmes etc…, com um olhar artístico e a notar e compreender o que poderia ser interessante ou não no contexto de um mangá. Ela me ajudou a desenvolver esta capacidade de decifrar e analisar tudo o que víamos, de enxergar a vida pelos olhos de um mangaka.
No que diz respeito ao desenho, como eu era responsável pelos cenários, ela me ensinou principalmente sobre a composição. Cada prancha e cada quadro deve responder claramente as questões como “quem, o que e quando” para serem legíveis. Eu ainda utilizo essas instruções em todos os meus mangás, pois esses elementos são essenciais para o equilíbrio de uma obra.

Linternaute – Qual é a primeira lembrança que você guardou desta colaboração?

Moyashi Fujisawa – Com a Takahashi-sensei, nós trabalhávamos à noite. Ela nos reunia às 23h para trabalharmos até às 10h da manhã. Cada um levava uma série ou filme que achava interessante e nós os colocávamos de fundo, enquanto trabalhávamos, comentando cada cena e compartilhando nossas impressões. Quando eu relembro desses anos de assistente, são essas interações que mais me marcaram.
Rumiko Takahashi tem uma grande curiosidade intelectual. A casa dela é repleta de livros, pois toda semana e os lê e segue comprando mais para continuar aprendendo. Ela tem uma sede incansável de conhecimento.

Linternaute – O que te deu vontade de passar para o Shoujo [Josei], após ter trabalhado com Shounen com a Rumiko Takahashi?

Moyashi Fujisawa – Após ter trabalhado com Shounen com a Rumiko Takahashi, eu tentei alguns projetos no gênero, assim como no Seinen. No entanto, eu senti que meu estilo se aproximava naturalmente do Shoujo. Neste momento, a revista Kiss lançou uma importante campanha promocional para o lançamento de uma revista-irmã chamada Hatsu Kiss [a revista ficou ativa entre os anos 2014 e 2021] e eles buscavam novos autores. É então que eu decidi participar do concurso e tentar a sorte no Shoujo.

Capa da primeira edição da Hatsu Kiss, publicada em Junho de 2014.

Linternaute – Sua nova série, “Watashi no Arika” [publicado entre 2022 e 2024 na WEB Young Magazine, em 6 volumes; inédito no Brasil], é um Seinen. Por que mudar de demografia?

Moyashi Fujisawa – Não é tanto o desejo de mudar de demografia que motivou minha decisão, mas sim, o ritmo de publicação. Eu comecei minha carreira muito tardiamente e eu me dei conta que se eu continuasse a trabalhar em revistas mensais, eu só conseguiria produzir mais umas outras duas ou três séries, o que eu achava um pouco triste. Quando um editor da Young Magazine [Kodansha] me propôs de publicar uma série semanal, eu aproveitei a oportunidade. Isso me deu a oportunidade de trabalhar em mais títulos e explorar novos horizontes.

Capas japonesas dos volumes 1, 3 e 6 de “Watashi no Arika

Linternaute – Qual é o impacto da passagem de uma publicação mensal a uma publicação semanal nos seus horários?

Moyashi Fujisawa – Trabalhar em um cronograma semanal tem a vantagem de permitir estabelecer rotinas, pois podemos rapidamente se estamos ficando atrasados. No caso de Watashi no Arika, onde eu seu principalmente a responsável pelo roteiro do que pelo desenho, eu dedico meus pensamentos a este trabalho de segunda a quinta-feira. Em seguida, o resto da semana, eu trabalho em outros projetos e também me ocupo do meu filho(a). Esse novo emprego do tempo me permite organizar minhas atividades de maneira mais equilibrada e gerenciar melhor minhas diferentes responsabilidades.

*página de Burn no Linternaute*

Para esta montagem [acima], podemos claramente observar a influência dos filmes de horror na minha composição. No primeiro quadro (à direita), eu comecei desenhando os olhos da Anzu, em seguida, trabalhei na surpresa no fundo do painel. Em seguida, eu completei o resto do corpo da Anzu afim de criar um contraste com o fundo. A oposição entre o preto e o branco é um truque simples. Assim como as linhas verticais fazem parte da linguagem visual dos mangás para representar o suor frio, elas também contribuem para o congelamento de Anzu nesta cena.
Se eu adicionei dinamismo no segundo quadro, não é somente para amplificar a surpresar da Anzu, mas também para romper com o ritmo e tranquilo do primeiro volume. O quadro é mais estreito não apenas porque o tempo é mais curto, mas também porque eu desejava que o leitor demorasse mais no quadro da direita.
Por fim, em termos de ângulos de câmera, eu mostro apenas a parte inferior do desconhecido, pois neste momento, mesmo que eu soubesse de quem se trata, eu não havia escolhido seu rosto (risos).

*página no Linternaute*


Aqui, eu utilizei um ‘zoom out‘, onde eu me distanciei progressivamente da cena. A razão é muito simples: as páginas precedentes mostram a Anzu se inquietando por não estar sozinha na casa e verificando se não há ninguém escondido [abaixo]. O ponto de vista estava na altura dos olhos dela. Ao mudar para uma visão externa de Anzu, reforcei a ideia de que alguém de fora a observava, criando uma sensação de desconforto. Da mesma forma, optei por desenhá-la de costas no segundo quadrinho.

*imagem no Linternaute*

Quando meu marido viu esta página, ele me perguntou se não estava faltando algum texto (risos). Mas é, na verdade, um truque clássico que encontramos em vários mangás. Eu adoro a Naoko Takeuchi e me inspirei em um volume de Sailor Moon onde esse truque é usado. Ele permite não apenas para mostrar a passagem do tempo, mas também as mudanças de lugar e de dimensão. Dessa forma, um simples quadro branco se torna um marcador espacial e temporal imediatamente compreendido pelos leitores.

*imagem no Linternaute*


É isso, pessoal! Espero que tenham gostado e se interessado mais em conhecer o trabalho das Moyashi Fujisawa. “Mitarai-ke, Enjou suru” é completo em 8 volumes e, infelizmente, inédito no Brasil. Foi publicado integralmente na França pela Akata.

Novamente, a entrevista pode ser lida na íntegra aqui.

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