"A voz que não consigo ouvir, é minha ou sua?"

“A voz que não consigo ouvir, é minha ou sua?”

Olá meus queridos! Hoje vamos falar mais uma vez de um drama. Na última sexta-feira (22/10), estreou no GagaOOLala (site de streaming) com legendas em português, o filme “The Immeasurable” (聽不見的距離). Uma produção de origem taiwanesa que me chamou muita atenção quando vi comentarem sobre. Ele tem um visual interessante (‘prometendo’ dramas), uma sinopse que te propõe um conflito bem atrativo e que eu venho aqui falar o que achei que deu certo, o que deu errado, o que gostei e o que não gostei do filme. Vamos lá! ^^

Sinopse: “O estudante universitário Xiang encontra o policial Vic na quadra de basquete. Eles rapidamente se apaixonam. Vic tira Xiang da escola e o apresenta para sua tia, que apoia o relacionamento de Vic. Mas não demora muito para que as diferenças entre os dois apareçam. Vic se opõe a Xiang ir em protestos com seus amigos, e Xiang acha que Vic não o entende. A distância entre os dois cresce. Uma noite, quando Xiang está protestando, Vic recebe um telefonema de seu chefe para ir ao local do protesto como reforço. As ruas estão cheias de gente raivosa, e a polícia está mantendo sua linha. Os dois estão gritando um com o outro, mas eles não podem ouvir o que um ao outro está realmente dizendo …”


Meses atrás, eu fiz a review de “LIGHT” aqui no blog, sendo outro filme de Taiwan e lá eu comento que um dos problemas do filme é que ele promete de mais e entrega de menos. Em LIGHT, colocam diversas características e pequenas pontas no roteiro, mas que não desenvolvem (quase) nenhuma delas, deixando o roteiro com aquela sensação de vazio e mal trabalhado, somado à falta de tempo para desenvolver tudo o que foi apresentado. Em The Immeasurable (nome difícil do cão), ele não promete tantas coisas, mas igualmente sofre com a falta de tempo para desenvolver o que se propõe. Se LIGHT tinha pouco menos de 1 hora de filme, The Immeasurable tem MENOS DE 25 MINUTOS!

Só por esses 25 minutos de tempo, dá para ter uma noção do problema. Inicialmente eu até achei que era algum erro e fui verificar para ver se era uma série e não um filme, como eu estava pensando. Porém, no fim, era aquilo mesmo o_o… Eu posso dividir o filme/curta em basicamente 2 blocos: o da introdução e o do conflito. Cada um desses blocos tem cerca de 10-11 minutos (o 2° é um pouco menor que isso). O começo é sem dúvida alguma o que melhor funciona aqui. Basicamente é o que teremos o estabelecimento do casal, a convivência dos dois, a pegação, etc. Começamos o curta com os dois se conhecendo num jogo de basquete que o Xiang vem a se machucar e o Vic socorre a criatura que por um equívoco, acaba dando em cima do Vic.

A partir desse momento, as coisas simplesmente voam. Há um corte para os dois voltando de moto, para logo em seguida estar os dois transando – adoro as pegações de drama taiwanês por elas serem muito bem feitas – para logo depois engatarem um relacionamento. Este que não fica exatamente claro, porque o Vic parece meio receoso, mas depois eles estão fazendo sexo de novo. Com isso, chegamos a seguinte conclusão: tudo se resolve na cama (rs). É tudo muito rápido. Sei que rola sexo casual, mas estranhei porque estava partindo da ideia de que iriam formar um casal, que íamos ter uma construção básica dos personagens antes de chegar nesse ponto. Mas apesar disso, e mesmo com o pouquíssimo tempo, o casal engrena. Eu acho até um pouco impressionante em como conseguem fazer isso funcionar em tão pouco tempo. O casal não é um primor, que você se apega, sofre ou torce por eles, mas é o bastante para você comprar assistindo e é fofo os (poucos) momentos que mostram o cotidiano deles.

A partir da 2ª metade, o roteiro levanta a questão que está na sinopse e não trabalha ela. É nessa parte que tenho mais problemas com o curta. Se eu não soubesse um pouco do que a história trata, eu só iria saber que o Vic é policial no final. O Xiang ser militante, ir para protestos e tudo mais, – manifestações essas que são contra uma construção que irá degradar o meio ambiente – é mostrado em alguns momentos na 1ª metade, mas o Vic não tem qualquer menção a ele ser policial. A trama dá a entender que o Xiang sabe da profissão dele, mas nunca é verbalizado. No final, os dois tem uma pequena discussão e o Vic fala para o Xiang ficar, não ir para as manifestações por ser perigoso e ele não quer ter que encontrar o amado lá (por isso é difícil ir com a cara de policial -__-). A obra ainda deixa indícios de que o Xiang tem problemas com o pai dele, mas novamente, não é explorado.

E antes que falem, a sinopse que está ali é literalmente um resumo do filme. Sério, não tem muito mais além do que é falado ali. Inclusive, a sinopse oficial acaba servindo de complemento para algumas informações que não são deixadas claras na trama, como a parte que diz que o Vic apresenta o Xiang a sua tia. Não é dito que aquela senhora é tia do Vic. A forma que é mostrado, dá a entender que aquela moça era algum parente do personagem ou que fosse alguém de muito apresso do Vic, mas não chega a ser dito que é a tia dele. Então assim, não tem o que pensar ou se preocupar com spoilers, porque simplesmente não tem um plot ou tempo que dê para ser desenvolvido aqui e que se for contado, estraga a experiência. Se vocês lerem o post e forem lá ver o curta, o que está sendo descrito aqui é o filme. É uma pena, porque a ideia do conflito era bem interessante. Queria muito ver como iriam trabalhar a visão do Vic sendo um policial e o Xiang estar do outro lado, o que essa diferença poderia gerar, como o Vic iria agir com o namorado dele estar ali ‘contra’ ele. Mas isso… morre no próprio curta. Quando você acha que vão abordar o assunto, o filme acaba. Sim, isso aí. O filme termina, mas não encerra aquilo que começou.

Não vou entrar em muitos detalhes (muito embora não tenha muito o que se falar), mas no final, tem uma brincadeira de palavras muito interessante e que dá um maior sentido à frase que coloquei lá no comecinho do post. Para nós, não vai fazer um completo sentido, porque a brincadeira de palavras envolve a semelhança da pronúncia e para isso, você precisa prestar atenção nas falas deles. Essa parte é mais uma coisa interessante que ficou bem de lado. É um paralelo muito bem construído naquele momento.

Por fim, tenho que dar os parabéns para os diretores. Eles usam filtros para deixar os tons de verdes bem demarcados. Algumas vezes fica muito saturado, mas no geral, cria uma atmosfera muito boa! Adoro muito disso. Fora as escolhas de ângulos e filmagens, com alguns takes vistos de espaços pequenos para mostrar aflição dos personagens. Tudo muito bom.


Assim como LIGHT, The Immeasurable não é a pior coisa que saiu no ano ou a coisa mais mal feita. Ele só me deixa triste por ser mais uma proposta interessante que não é bem aproveitada. Mais 20-30 minutos resolveriam ‘fácil fácil’ boa parte dos problemas apresentados. Poderia ser uma série curtinha também. É um misto de sensações, porque mais uma vez eu gostei do casal, mas não tive tempo para apreciar eles. É triste :(. Se recomendo ou não, diria pensando no roteiro eu não recomendo, mas pode ser uma boa para ver o casal ou só os amassos bem dados, ou até mesmo prestigiar o lindo, maravilhoso (e gostoso) do Trent Chen, sendo uma boa pedida. Ainda mais que em menos de meia hora, já acaba o curta. No demais, é isso. Fica minha tristeza com mais uma produção de Taiwan e a esperança de que a próxima vez que eu venha comentar no blog algum drama, seja boa 🙂

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