Arco no estádio, acabe, por favor!

Arco no estádio, acabe, por favor!

Bem vindos de volta pessoal, para mais um episódio sem coerência de Platinum End. Nesse post, eu e o Alê tentamos entender o que está acontecendo, qual o plano do Metropoliman e o que o Ohba fumou durante a concepção dessa história. Procuramos lógica nessa bagunça narrativa e aparentemente nunca acharemos. Fiquem com a nossa conversa em busca de sanidade nessa doideira.

Proporção? Noção de espaço?? O que é isso???

RUB: Alê, lembra que eu comentei no post passado sobre Platinum End do quão bosta é termos personagens analíticos ao extremo? O resumo desse episódio é isso. Uma mistura de Death Note, com o mangá de Battle Royale e as bizarrices de Arifureta (até no quesito animação e produção de baixa qualidade). Meu caro, como caralhos temos MAIS DOIS PERSONAGENS QUE PENSAM E PLANEJAM TUDO? Sério, o Ohba não interage com ninguém. Vendo o episódio dessa semana, me lembrou um certo livro que li chamado As Crônicas de Arian (review aqui) em que todos do elenco são cópias comportamentais de seu autor. Não existe diversificação. Melhor dizendo, esses autores citados separam por gêneros a persona dos personagens. Os homens são os fortes e inteligentes. As mulheres são as burras, lindas e indefesas. A criança ali que aparece é o maior exemplo. Uma guria bobinha, que prefere ser defendida do que lutar. A Saki idem. Esse roteirista não cria personalidades únicas. Ele segue uma linha de raciocínio simplório, e continua sem pensar em causa, ou consequência, ou desenvolvimento de personagens. Reparem nesse começo em que temos o AMIGO 1 e AMIGO 2 (não vou decorar os nomes desses malucos, porque já morreram mesmo de TÃO RELEVANTES que foram), disparando flechas vermelhas e descobrem que o Metropoliman que está no meio do estádio é um humano normal. E ainda tem mais. Ele já foi atingido por uma flecha vermelha e não pode ser tocado por outras flechas no período de 33 dias. Nunca falaram isso, mas né… coerência para quê, não é mesmo? Aliás, inventaram uma desculpa para isso. Está lá a Nasse e o Revel conversando e eles jogam uma informação: “Legal, descobri o tamanho da flecha, porque EU NÃO SABIA”. O outro responde: “Não tem como SABERMOS tudo.”. CARALHO, VOCÊ SÃO OS JUÍZES DA BAGAÇA E NÃO SABEM DAS REGRAS??? VAI SE FUDER! É a pior desculpa que teve até agora. Os anjos que estão participando não sabem das limitações dos próprios poderes? É bizarro Alê. Eles estão como função de observadores/juízes da situação. Tanto que quando um morre, eles são obrigados a retirar as almas dos perdedores e levarem para o céu. É igual a uma partida de futebol. O juiz ou quem organiza as partidas, PRECISA SABER DE TODAS AS REGRAS, se não vira uma bagunça completa. Quando tem essa fala, eu só me perguntava se esse autor realmente escreveu suas obras anteriores, porque é péssimo. Como ele estava na JUMP anteriormente, eu acredito que era o editor deles que salvava suas peles e não permitia fazerem cagadas. Agora com mais liberdade, fica evidente suas limitações criativas.

ALÊ: Se você pegar, até mesmos os anjos seguem esses moldes. O autor deixa bem demarcado o que seria as anjas da parada e mesmo elas seguem o padrão de menos inteligentes, estarem atrás de alguém ou implorar por ajuda, como foi com a anja da garotinha no final do episódio. É sempre isso. O anjo da Saki é ardiloso, protegendo ela. A anja do Mirai é avoada e de certa forma, burrinha. A Saki fica pedindo por ajuda, sendo inexpressiva e apenas existe na trama (provavelmente vão criar algum background para ela em algum momento na tentativa de justificar ela ser assim), sem esquecer da cena do episódio passado que o Mirai basicamente vira uma luz para ela enquanto estão voando. Até as anjas que aparecem para os dois caras que morreram no episódio, tinham que ser duas com aparência de mulheres e dando um puta destaque para os peitos de ambas. E voltando um pouco, a criança poderia literalmente ficar escondida, vivendo a vida dela e com a anja dentro de casa que ficaria tudo certo. Quem raios iria desconfiar de uma criança??? Não tem o menor sentido a guria ter ido para lá. E é aquilo que venho dizendo há alguns posts. As coisas vão só aparecendo aleatoriamente. O autor parece estar escrevendo sem ter o menor preparo do texto/direcionamento da história. Só vai jogando as coisas quando ele lembra: “Puts, esqueci de explicar isso, como faço agora? Ah, vou colocar essa explicação aqui!”. Foi de foder os próprios anjos não saberem as regras do jogo. Não tem como isso. E sim! Fica essa impressão mesmo. Como as outras duas obras anteriores foram grandes sucessos, deram maior liberdade para ele fazer o que bem entendia agora. Parece bem semelhante com aquele mangá do autor de “Naruto” que foi cancelado.

RUB: Fica mais evidente o quão despreparado o autor é, quando ele decide contar o passado do Amigo 1 e Amigo 2. Nossa, falta MUITA SENSIBILIDADE do autor em abordar o assunto suicídio. Ele banaliza de tal forma, que esse dois malucos SAEM para beber antes de se matar. Se fuder. Quem em sã consciência, um pouco antes de se matar, vai pensar em beber? O autor não sabe NADA sobre depressão. Ele trata isso na obra como fosse uma simples dor de cabeça ou opção de escolha para a pessoa depressiva com tendências a essa prática. É horrível. Só para deixar claro, não estou falando que fracassar no vestibular não seja algo importante e extremamente valorizado na sociedade japonesa (tanto que os índices de suicídio entre os jovens são grandes). A minha reclamação é da forma que foi levada. Deixam todo esses traumas dos personagens como fosse algo pequeno e comum. “Oh, encontrei um colega que está em uma situação similar e na merda também. Vou fazer um CLUBE DE SUICIDIO COM ELE e me matar com um novo amigo que nem sei quem é.”. Não é assim que se trata o tema de forma tão leviana. Aliás, eles nem estavam perto de se matarem. Eles só PENSARAM NA POSSIBILIDADE. Porém foi suficiente para eles serem escolhidos. Pelo que a Nasse comenta lá na estreia, dá a entender que você precisa ter tomado a iniciativa e estivesse prestes a morrer de fato para participar dessa seleção do inferno. Só que os malucos estavam de ressaca, de bobeira e TCHAM, bora concorrer a ser um novo Deus. Maluco, que salada de conceitos. Nem vou entrar no mérito de que as DUAS ANJAS pensaram que esses idiotas seriam ÓTIMOS CONCORRENTES. Foi igual ao comedor de idols. Esses anjos parecem não querer ganhar, porque escolhem os piores competidores. Se o objetivo é o prêmio, a última pessoa a ser escolhida são os mais fracos. E novamente bate naquilo que eu disse no começo. Eles são EXTREMAMENTE ANALITICOS. E olha que eles REPROVARAM NA PORRA DO VESTIBULAR DA FACULDADE. Com esse poder TODO de raciocínio que eles GANHAM subitamente no roteiro, seria o suficiente para eles terem passado na prova. Ainda tem um outro ponto que é: todos (menos o Metropoliman, por enquanto) sofria algum tipo de bullying. Repito que DIVERSIDADE de personagens não fazem parte do modo de escrita do Ohba. Ele segue um passo a passo básico do que ele “sabe” e depois monta de qualquer forma em um roteiro, e depois diz que é história coerente com começo, meio e fim.

ALÊ: Platinum End está quase no ponto de “Juuni Taisen”. Para quem não conhece, Juuni Taisen é um anime de 2017, que basicamente é um Battle Royale com 12 participantes em que cada um representa um animal do Zodíaco Chinês. Entre muitos problemas, um dos principais era que todo episódio contava o passado de um personagem. Por exemplo, o primeiro episódio ele foca na Javali, contam todo o background dela e como chegou até ali, para no fim do episódio, matarem ela. E assim, não era algo rápido. Muitas vezes o flashback do personagem consumia metade ou até mais do episódio, para logo em seguida ele morrer. O autor tenta compactar depressão em pouquíssimos minutos. Tipo, não é uma regra que precise de um grande tempo. Alguns autores com poucos minutos, conseguem estabelecer muito bem a depressão e ir trabalhando o assunto aos poucos. Fica bem claro que toda vez que ele toca no assunto, não tem uma mínima de pesquisa para colocar o tema no mangá. Provavelmente é potencializado no anime, já que eles estão adaptando cerca de meio volume por episódio (o conteúdo daqui já é do volume 3). Acho completamente bizarro essa seleção, porque dos 7 candidatos apresentados até aqui, pelo menos 4 dos participantes foram piores escolhas possíveis. Qual o objetivo desses anjos? Foram chamados para o jogo, mas não queriam participar escolhendo o primeiro que deu na telha? Mano, colocar uma CRIANÇA num negócio desses? Vamos supor que viesse a ser ela a vencedora ou escolhida, sei lá como funciona a decisão disso. Ela nem é “madura” o bastante para um negócio desses. QUE SELEÇÃO MALUCA É ESSA??? Não tem um pingo de esforço para tentar tornar atrativo. Juuni Taisen pelo menos tinha lutas, alguns flashbacks eram decentes, mas aqui não tem nada do gênero. É tudo ruim. Animação, direção, personagens, TEXTO… Nem os diálogos entre os personagens se salvam.

RUB: Na verdade, só o Metropoliman que aparenta ser a decisão mais certa do anjo escolher para concorrer nessa competição. O resto dos personagens não faz sentido serem os escolhidos. Mas agora Alê, eu quero chamar atenção para o plano MALUCO do Metropoliman. Sério, gostaria de tentar entender a razão de várias decisões absurdas que ele toma, como usar a flecha vermelha em VÁRIAS PESSOAS NORMAIS, FAZER DELAS COMO DISTRAÇÕES, DEPOIS APARECER NO ESTÁDIO EM MÚLTIPLAS OCASIÕES FICANDO VULNERÁVEL A ATAQUES E DEPOIS VIRAR UM VILÃO DE NOVELA MEXICANA EM QUE AMEAÇA UMA CRIANÇA A MORTE NA FRENTE DE MILHÕES DE PESSOAS… BELEZA… Não vai ter policia ou o governo atrás dele depois do massacre, imagina. Parece que ele esqueceu que não é a prova de balas, porque ao que parece, armas não existem naquela realidade do anime. É bizarro Alê o Metropoliman agir de forma TÃO ABERTA ASSIM, sendo que o maluco organizou uma outra pessoa para se passar por ele para se proteger de ataques. E tipo, ainda tem MAIS candidatos naquela plateia. Por que caralhos se expor daquela forma no final, torturando uma criança, de uma forma tão over e extravagante? E precisava fazer a ANJA também suplicar? Nada casa nesse roteiro Alê. É um maniqueísmo barato e sem lógica, que torna tudo muito pior. Até mesmo o twist dele conseguir transportar seu sósia, colocar ele na cabine e o próprio ficar no centro do estádio, parece muito uma facilitação preguiçosa do roteiro, porque ele tinha que fazer isso em SEGUNDOS E SEM FAZER BARULHO perante a plateia. Pô, um avião a jato faz um barulho ENSURECEDOR quando voam em altas velocidades, mas que POR ALGUM MOTIVO, um maluco que voa ainda MAIS RÁPIDO DO QUE ISSO, consegue viajar um percurso de centenas de metros sem emitir UM SOM SEQUER. Ok, o Ohba ignorou a ciência completamente aqui (ou ele não estudou, porque se nem sabe o básico de psicologia, imagina conceitos mais específicos de física). Aí temos o protagonista FINALMENTE indo agir. Viu 2 malucos morrerem, mas para ele tudo bem. Na criança ele ficou tocado e ao estimulo da Saki, vai lutar com o GRANDE VILÃO da vez. Esse final foi total anticlimático para mim.

ALÊ: O Metropoliman parece a escolha mais ‘acertada’ até aqui, mas se considerar que (talvez) eles levem em conta as ações e o caráter do participante para ser ESCOLHIDO para sucessão, fica muito estranho (para dizer o mínimo). Talvez porque a essa altura, eu nem sei mais o que de fato é a determinante para vencer essa competição. Se o cara será escolhido entre os participantes ou se quem matar todo mundo e sobreviver até o final vira Deus. Mas voltando, bem que me falaram que todo esse segmento no estádio é horroroso. Cara, é completamente absurdo o que se passa ali dentro e vai ficando ainda pior quanto mais o tempo passa. Acho maravilhoso (estou sendo irônico, ok?) que o cara age como se não houvesse ninguém acima dele mesmo. Imagino o que ele faria se fosse peitado. Ia sair matando todo mundo? Por que como caralhos um ser desse pode estar sendo cogitado como Deus? Isso partindo do princípio de que Deus é virtuoso, sábio, etc… O cara dá uma VOLTA INTEIRA para chegar ao mesmo lugar e vai crescendo em proporções que são completamente desnecessárias. Tá, ele queria chamar atenção, mas NESSE NÍVEL? Com a polícia e os caralho a 4 perseguindo ele posteriormente? Espero que aconteça, porque se não tiver nenhuma ação nesse sentido, eu vou ficar puto (embora não venha a ser uma surpresa caso acontecesse dado o amadorismo do roteiro). Além de todo esse núcleo ser completamente vergonha alheia, sério que não tinham nomes melhores que Metropoliman e derivados disso? E ainda surgiu uma penca deles. Porra, CINCO? Outra coisa é que o Mirai só resolveu que ia até lá ajudar, porque a Saki serviu de gatilho para aquilo. Talvez se não fosse isso, ele ia ficar quieto. E igualmente a Saki não poderia ir lá, pois agora eles compartilham os poderes. É um roteiro muito, muito merda.

RUB: Alê, eu chuto que teremos um outro candidato a Deus salvando o protagonista, porque ele ainda é uma merda e irá precisar de ajuda para lutar com o Metropoliman. Eu só não quero mais um episódio lotado de diálogos nada a ver igual o passado, porque aí sim seria um tédio de assistir e de comentarmos depois. Se for ruim, tem que ser REALMENTE horrível. Não quero o “meio termo” da ruindade.

ALÊ: Também acho que alguém vai entrar no meio. O Mirai não vai conseguir agir, do jeito que esse roteiro é, e um outro alguém deve aparecer no exato momento salvando a guria. Eu não sei nada a partir daqui, mas teremos pelo menos mais 2 episódios nesse estádio (cry). Acredito que vão seguir esse esquema de muitos diálogos sem nexo. Mas torço para tentarem focar mais em batalha, nem que seja em luta mal feita e que dá para o gasto, sendo bem sincero.

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