Se eu for resumir. é: "É muito bonito. É muito silencioso. É muito discreto. É muito contido. E eu amei"

A Temporada de Verão de 2024 começou e depois de “Roshidere” (leia aqui) e “Tasogare Outfocus” (leia aqui), dois romances escolares mais agitados, “Gimai Seikatsu” chegou em uma chave totalmente oposta, com um ambiente muito mais calmo, monótono e por vezes, silencioso. E eu adorei!

Sinopse: “Quando seu pai se casa outra vez, Yuta Asamura acaba tendo que dividir o mesmo teto com sua nova meia-irmã, Saki Ayase, a garota mais bonita da sua turma na escola. Carregando as cicatrizes dos divórcios conturbados de seus pais, eles prometem manter uma distância respeitosa. Mas o que começa como uma amizade cautelosa floresce em algo mais profundo a partir de experiências compartilhadas… Será admiração, amor familiar ou algo mais?”


A frase que abre o texto e que é o resumo do post antes de você abri-lo, é uma fala de um dos vídeos da Isabela Boscov e que resume perfeitamente o que foi esse episódio de estreia: É muito bonito visualmente, com momentos bem caprichados e silencioso, pois tem longos takes em completo silêncio. É muito discreto, tanto em produção, como na ação dos personagens. É muito contido, novamente, pela maneira como os personagens agem e reagem, sempre num tom muito sóbrio e tranquilo. E claro, eu amei o que vi aqui.

Como eu disse, nessa temporada eu já vi dois animes de romance: “Tokidoki Bosotto Roshiago de Dereru Tonari no Alya-san” (Roshidere), uma comédia romântica que vai mais para um lado bem tradicional, mas bem executado; e “Tasogare Outfocus”, um BL que gosto muito e vai para um lado um pouco mais dramático, excelente! Embora eu não conheça “Gimai Seikatsu”, vi a proposta e logo pensei ser apenas mais uma comédia romântica (como tantas outras) e que vai trazer aquela coisa dos meios-irmãos que eventualmente vão se gostar e ficar naquele flerte de ‘incesto’. Porém, contudo, entretanto, todavia, o que encontrei foi algo completamente diferente. O anime começa com os personagens, de certa forma, ironizando que existem obras que trazem meios-irmãos se conhecendo, morando juntos e, eventualmente, se apaixonando, casando e constituindo família.

A cena inicial é um monólogo de ambos os protagonistas (Asamura e Ayase) refletindo sobre a questão de meios-irmãos e revelando um certo distanciamento dessa questão e que não demora muito para se revelar que ambos não desejam forçar algo entre eles, no sentido de que é uma relação muito estranha e abrupta (literalmente, já que o pai do Asamura contou do casório e no MESMO DIA já teve que conhecer a esposa e a filha). Com isso, o que vemos no decorrer do capítulo é uma relação entre duas pessoas que absolutamente não sabem o que fazer.

Eles conversam, interagem, mas a todo momento é sempre aquela impressão de estranhamento. Meio que um tenta deixar o outro mais a vontade e, ao mesmo tempo, sem se envolver muito propriamente. Por exemplo, durante a mudança, o Asamura e a Ayase conversam um pouco, ela fala da formalidade na fala dele e que não precisava daquilo. Ele deixa o tom mais formal e vida segue. Posteriormente, mais ao fim do episódio, depois de tomar banho o Asamura para na frente da porta do quarto dela, respira, bate e fala que ela pode ir. Ele sai para então ela sair. Soa como se sempre eles hesitassem, tivessem algum receio na forma de abordar, porque no fim das contas, é realmente estranho. Você viveu sozinho com seu pai (ou sua mãe, no caso dela) durante um longo período de tempo, para ‘do dia para a noite’, você ter um irmão/irmã e ter que conviver na mesma casa.

Esse episódio do anime encerrou com uma cena absurdamente simples, mas totalmente genial, com a Ayase saindo do banho e tentando acertar qual era o interruptor certo que apagava a luz do corredor. Eu já tinha gostado bastante do episódio até ali (especialmente a segunda metade), mas ali eu me rendi de vez. É uma coisa tão banal e tão simples, mas quem já mudou de casa sabe o quão difícil é acertar qual é o interruptor de cada lâmpada ou ter familiaridade em um local desconhecido mesmo sendo sua nova casa. Adorei. Irei dar continuidade ao anime com certeza.

Quem dirige o anime é o Takehiro Ueno que trabalhou como diretor assistente em “Sasaki e Miyano” e aqui assume a direção principal pela primeira vez. Além disso, toda a equipe principal de “SasaMiya” está nesse ano. A DEEN está trabalhando com dois animes ao mesmo tempo, “Gimai” e “Tasogare”. Não sei até que ponto isso pode ser um problema real para o estúdio, mas vendo o episódio 1 de ambos os animes, pelo menos parece que eles estão em uma situação confortável em termos de produção. Para uma estreia de direção, ele fez um trabalho muito competente.

É um anime essencialmente ‘parado’ e, no entanto, não me pareceu chato, pelo contrário. A direção junto ao texto conseguiu me deixar interessado no anime (com exceção de alguns momentos ali no miolo do episódio). Tem algumas cenas que ele guia a “câmera” conforme os personagens falam, então começa a fala do Asamura, o foco vai para ele, quando a Ayase começa a falar, a tela vai indo aos poucos até ela. Além de outras sacadas artísticas interessantes mais ao fim do capítulo. Ele aprendeu até que bem com o Shinji Ishihara (diretor principal de Sasaki e Miyano).

A direção está tentando pelo menos

Não é um anime que vejo todo mundo gostando, porque ele é beeeem paradão. Com cenas longas, sem “nada” acontecendo, com momentos sem diálogo e/ou apenas uma música ambiente de trilha sonora. Não sei se a partir do próximo episódio com os personagens passando a ir a escola isso irá mudar, mas estou presumindo e torcendo para que não, pois acho que nesse ponto que o anime se colocou, ele acertou e muito! Vejam se é para vocês e tentem. ^^

1 thought on “Gimai Seikatsu (Days with my Stepsister) #1 – Primeiras Impressões

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