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O meu favorito da Io Sakisaka!

Olá, pessoal! Estamos na feta final do mês de Fevereiro e como vim fazendo ao longo do mês, esta é mais uma resenha temática para o Dia dos Namorados Internacional. Essa é uma das últimas resenhas do nosso pequeno especial, que já contou com textos para: Sob a Luz da Lua; Será que esse amor é irresistível?; Strobe Edge; e AohaRaido – A Primavera de Nossas Vidas. Desta vez, vamos falar de “Furi Fura – Amores e Desenganos”, o segundo trabalho da Io Sakisaka lançado no Brasil!

Furi Fura – Amores e Desenganos” é um mangá escrito e ilustrado por Io Sakisaka. A obra foi publicada no Japão entre Junho de 2015 e Maio de 2019 na revista Bessatsu Margaret (Shueisha), sob o título “Omoi, Omoware, Furi, Furare” (思い、思われ、ふり、ふられ) e foi concluído com 12 volumes no total. Em 2017, o mangá venceu o 63º Shogakukan Manga Award na categoria de ‘Melhor Shoujo’. A série tem um acumulado de mais de 5.5 milhões de cópias em circulação no Japão. Em Agosto de 2020, foi lançada a adaptação em filme live-action e em Setembro do mesmo ano, foi lançada a adaptação em filme animado feito pela A-1 Pictures. A série foi anunciada no Brasil em Dezembro de 2018 pela Panini e começou a ser publicada em Maio de 2019, sendo finalizada em Março de 2021.

Sinopse:A história gira em torno de Yuna e Akari que têm duas visões muito diferentes de amor: Yuna é alguém que vê o amor como um sonho e Akari é alguém que é muito realista sobre suas escolhas de romance. Enquanto isso, há dois garotos, Kazuomi e Rio, que também têm pontos de vista diferentes de amor: Kazuomi é uma cabeça oca e não entende o conceito de amor, enquanto, Rio agarraria a oportunidade quando alguém se confessa… enquanto a garota for bonita.


  • História e Desenvolvimento

Eu tenho um carinho muito grande por “Furi Fura” por uma série de motivos, como por exemplo, a ocasião do anúncio do mangá foi a CCXP de 2018, a única CCXP que consegui ir e que eu estava lá no evento no dia do anúncio – foi uma ocasião muito legal, já que fui com meu irmão mais velho e com meu primo. A época do lançamento, a Panini tinha uma questão muito curiosa (e pouco inteligente) de sair dando informações de seus próximos lançamentos respondendo perguntas de leituras na página do Facebook. Isso foi anterior ao blog existir, mas bem, lá estava eu conseguindo informações da edição nacional de Furi Fura, rs. Mas a razão principal do meu carinho pela série – para além da narrativa – foi que ele foi o último mangá que acompanhei em bancas. Bancas vinham em constante decadência ao longo dos anos 2010, mas foi a pandemia de COVID-19 quem praticamente terminou de enterrar o setor, de forma que a medida que os preços se elevaram vertiginosamente e o isolamento social nos manteve presos dentro de casa, meu pequeno hábito de manter compras de algumas séries em banca morreu e “Furi Fura” foi o último mangá que me lembro de ter comprado numa banca de jornal. Claro, eu parei de comprar antes do último volume, passando a adquirir os tomos pela internet (Amazon, principalmente), mas é algo que sinto falta… Alguns outros motivos de boas lembranças incluem: meu ex-namorado me dando volumes de presente, minha querida amiga Helena conseguindo o raríssimo volume 7 para mim numa cidade no interior de São Paulo, a maneira como a série foi crescendo de popularidade graças ao boca-boca do pessoal, além de ser o único trabalho da autora que tenho completo em casa.

Tratando da história em si, a base narrativa já nos é muito familiar se você conhece um pouco do trabalho da mangaka: garota com uma concepção de mundo e romance, encontra garoto com visão quase oposta a dela, passando a interagir por alguma razão e desconstruindo essas visões até chegar no relacionamento. Em “Strobe Edge“, nós tínhamos uma protagonista que não conhecia a sensação de estar apaixonada e encontra com um garoto que desperta isso nela (só que o cara é um cafajeste); em “AohaRaido” temos uma garota que tenta manter os garotos afastado, exceto um que ela enxerga de maneira diferente e, no entanto, anos depois, ele muda muito o seu jeito, o que contrasta com a imagem que ela havia consolidado dele; e aqui, a Io Sakisaka coloca em cena quatro personagens que vão contrastar entre eles, sendo que temos duas protagonistas femininas e dois rapazes. As meninas são a Yuna, que tem uma visão idealizada de romance, sonhando com seu príncipe encantado, enquanto que a Akari é mais cética e mais realista quando se trata de romances. Os garotos, por sua vez, também vão ter estilos diferentes, sendo que o Rio é o garoto bonito que não rejeita ninguém, desde que a garota pretendente seja bonita, enquanto que o Inui faz mais o estilo “tranquilo” e cortês.

Quando li a obra da primeira vez, eu lembro de ter gostado mais da Akari no começo e no decorrer dos volumes, a Yuna ir crescendo cada vez mais, ao ponto de se tornar a personagem mais interessante da obra. Nesta releitura, porém, eu já achei a Yuna muito mais interessante que a Akari. Não é que a Akari seja uma personagem ruim ou que ela não tenha seus méritos nesse começo da narrativa, mas é que a Yuna é uma personagem com camadas bem legais e minha surpresa vem justamente de eu não ter percebido (?!) isso na minha primeira leitura.

A história parte do dia que a Yuna e a Akari se encontram na estação de trem, ambas estão indo se despedir de pessoas que lhes são queridas, mas a Akari acabou esquecendo o passe dela, precisando pedir dinheiro emprestado. A Yuna fica meio receosa de emprestar dinheiro a uma desconhecida, mas elas acabam chegando em um acordo. Mais tarde, as duas descobrem que se mudaram para o mesmo prédio e não somente isso, estão na mesma escola E na mesma classe. Assim, elas começam uma relação amical.

Nesse meio tempo, a Yuna esbarra no Rio, por quem ela acaba ficando muito encantada e apaixonadinha. A Akari conhece o Rio, o que leva a pensar que eles são namorados, o que não é real. Na verdade, o Rio vem a ser meio-irmão da Akari. A Akari namora e desde que se mudou, vem mantendo um relacionamento à distância, algo que a Yuna não consegue exatamente conceber, por causa do fator distância. Ao mesmo tempo, sabendo que a amiga está gostando do meio-irmão, ela se preocupa com os sentimentos da amiga, afinal o Rio tem relacionamentos superficiais, normalmente iniciados quando alguma garota se declara para ele – que por sua vez, são baseados na aparência dele – e por isso, não se envolve muito o que leva a esses relacionamentos igualmente não durarem, o que na cabeça da Akari, só fará com que a Yuna sofra. E ainda temos o Inui, que nesse primeiro volume, ainda tem uma participação muito pequena. O desenvolvimento do personagem vai se dar nos próximos volumes e eu pessoalmente não gosto muito, acho o personagem menos interessante do elenco principal.

Apesar de parecer superficial – e de certa forma, ele é – o Rio é um personagem muito interessante e tem algumas camadas vão se mostrando no decorrer do tomo, principalmente nas questões familiares que o envolve. Ele tem um jeito muito direto e sincero, o que tem seu lado fofo. Agora, gosto muito da dicotomia que a Io Sasakisaka coloca entre a Yuna e a Akari na forma como elas enfrentam adversidades. A Akari tem uma postura de quem enfrenta as coisas de frente, está sempre olhando para frente, mas isso é uma bravata e de alguém que, na verdade, tem suas inseguranças e medo de falar sobre os próprios sentimentos. Já a Yuna está sempre olhando para baixo, tem uma tendência de fuga das situações e está sempre se diminuindo, por exemplo, em imaginar que alguém como o Rio não teria olhos para ela. Apesar disso, a autora coloca essas questões em xeque, fazendo com que as duas tenham que se mover de alguma forma para mudar a situação que se encontram, então uma personagem vai “Bater” no fraco da outra e servir como alicerce uma da outra. É uma amizade muito bonita das duas ^^

O que é bacana na ideia de explorar diferentes concepções de amor e de se apaixonar é que a Io Sasakisaka não está interessada em colocar uma personagem como certa ou errada, ou ainda, como uma mais certa que a outra, muito pelo contrário. Como a própria autora comenta, o que ela quer é apenas explorar essas visões e ver os caminhos que cada uma tomará baseado nessas concepções e, mesmo uma não sendo completamente concordante com a outra no que diz respeito a estar apaixonado e relacionamentos, uma consegue sentir admiração na outra por alguma característica ou decisão tomada. Ou seja, no fim das contas, está todo mundo aprendendo e afinal, não existe apenas uma forma de enxergar e encarar o amor.

E algo que comentaram quando postei sobre “Strobe Edge” no perfil do blog no BlueSky e que eu concordo bastante, é que existe uma maturação da Io Sasakisaka como autora ao longo de suas obras, na maneira como ela constrói suas personagens e os temas que ela discute através delas. Não é que a Io Sakisaka se pretenda a grandes questões filosóficas ou profundas nesta obra, nada disso, mas dá para sentir que alguns trupes de roteiro foram sendo aperfeiçoados ao longo do tempo. Por exemplo, tanto Strobe como AohaRaido entram numa questão de triângulo amoroso e em Furi Fura, não é exatamente isso que a autora se propõe no cerne da narrativa. O elemento de um terceiro personagem se interessando em um dos personagens do casal está presente, mas a autora não faz disso o ponto principal da discussão e sim, um elemento que vai guiar a narrativa para um outro caminho. O triângulo deixa de ser o que faz a história andar em círculos e passa a ser o elemento que faz os personagens se moverem (falarei dessa forma para não dar spoilers para quem nunca leu). Ele tem uma ternura e uma doçura que eu particularmente acho diferenciado e é uma obra que vai crescendo a medida que os volumes passam. Não a toa, algo muito legal de se ter visto foi a procura pelo mangá aumentando a cada volume, com mais gente comentando e recomendando, da maneira mais orgânica possível.

O volume termina com um gancho muito bom!! Na minha opinião, entre os 3 volumes 1 de mangás da Io que li, “Furi Fura” só está atrás de “Strobe Edge”, pois a revelação envolvendo o protagonista masculino eu não tinha imaginado. De toda forma, embora a autora deixe as pistas no decorrer do volume, ainda assim, serve como um ótimo gancho!

O que acho mais interessante no Inui é o jeito direto e provocativo dele, rs.

  • A edição nacional

Furi Fura – Amores e Desenganos” foi publicado no Brasil pela Panini no formato 13,7 x 20 cm, com capa cartonada brilhoe no papel Off-White 66g (sem páginas coloridas). O mangá foi lançado, a época, pelo preço de R$ 22,90. O volume #1 incluiu marca página de brinde. A tradução foi feita pela Karen Hayashida. Em breve, adicionaremos o vídeo mostrando a edição nacional em detalhes 🙂


  • Conclusão

Eu optei por falar de três mangás da Io Sasakisaka porque bem, se estamos falando de romance água com açúcar (no bom sentido da expressão) e daqueles romances escolares meio ‘feel good‘, não tem quem faça esse gênero de obra como a Io. Ela é muito mestra nesse tipo de obra e como disse em outra resenha, ela se tornou especialista nesse estilo narrativo e vou um pouco mais além: esse tipo de romance escolar É da Io Sakisaka. Não é que ela inove narrativamente falando, mas existe todo um ar que é muito próprio da autora. Eu acho genuinamente fantástico e sinceramente, acho bem triste quem não consegue comprar e/ou apreciar o que ela faz.

Furi Fura – Amores e Desenganos é o meu mangá favorito da autora e e é uma obra que vai cativando cada vez mais ao longo dos volumes, então dos trabalhos da autora lançados no Brasil até agora, esse é o que mais recomendo! A tristeza é que, como acontece recorrentemente, grande parte dos volumes da série se encontram esgotados. Alguns volumes já chegaram a ter reimpressão no passado, mas hoje em dia, muitos estão difíceis de encontrar…

Uma tristeza a gente não ter essas páginas coloridas…

  • Ficha Técnica
  • Título original: Omoi, Omoware, Furi, Furare (思い、思われ、ふり、ふられ)
  • Título nacional: Furi Fura – Amores e Desenganos
  • Autora: Io Sakisaka
  • Serialização no Japão: Bessatsu Margaret
  • Editora japonesa: Shueisha
  • Editora nacional: Panini
  • Quantidade de volumes: Completo com 12 volumes
  • Formato: 13,7 x 20 cm; capa cartonada brilho
  • Preço de capa: R$ 22,90
  • Tradução: Karen Hayashida