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Entre leituras de horror e muitos nacionais!

Olá pessoal, espero que estejam todos bem. Neste último post opinativo do blog em 2025, talvez o último post do blog no ano, comento os mangás (e afins) que li entre outubro e novembro! Nesses meses (principalmente Novembro), li diversas obras nacionais, em que todas já tem resenha no blog. Serão poucos os mangás que tenho comentários mais longos para fazer. De toda forma, vamos às obras!


Black Rose Alice #1

Esse foi meu primeiro contato com a Setona Mizushiro, uma autora emblemática para o mangá feminino, embora pouco reconhecida no ocidente e nunca explorada no Brasil. Nesta história vampírica, a autora coloca em cena um “amor” (obsessão) de um recém transformado vampiro por uma jovem que ele amou. A história começa no início do século XX (1900) e atravessa o século, se desenvolvendo propriamente no início dos anos 2000.

Como eu não sabia que essa era uma obra que se passaria na modernidade, fiquei triste de primeiro momento, porque estava gostando da ambientação da série no século XX, mas assim, longe de ser algo ruim. Acho que a mudança de cenário abriu portas para desenvolvimentos interessantes na obra!


#DRCL – midnight children #1

“Innocent” foi o primeiro trabalho do Shin’Ichi Sakamoto a ser publicado no Brasil, isso lá em 2018, pela Panini. “Innocent”, embora não tenha dado continuidade na coleção da Panini, foi um mangá que adorei o que li nos primeiros volumes (mesmo não lembrando de muita coisa hoje em dia). Com o retorno do autor com sua obra atual, esperava gostar tanto quanto gostei do mangá anterior e, no entanto, não foi o que recebi lendo esse primeiro volume de #DRCL – midnight children.

A história começa com um diário de bordo de um cargueiro. Esse cargueiro está com caixas de uma terra estranha que, no fim, acaba em um banho de sangue (ou nem tanto, rs). O fato é que todo mundo ali vai morrer. Depois dessa introdução, o mangá corta e temos o núcleo principal da obra que é por onde ela vai se desenrolar de fato. O ponto principal que vai se desenvolver aqui é a partir de uma tempestade que junto dela, trará um “mal” que vai acometer um desses personagens, o Luke.

Eu tenho um problema sério com esse primeiro volume que é a maneira como o Shin’Ichi decidiu montar e contar a história. A obra não é exatamente linear, tem vários pequenos excertos, e idas e vindas do passado e presente, mas não acho que seja exatamente bem feito, porque essas passagens não são exatamente bem demarcadas, o que produz algo mais confuso do que deveria e precisava realmente.

O mangá não é de todo ruim, óbvio. Tem vários elementos que gosto, e acho bom o personagem do Luke e bonito que as obras recentes do autor deem tanto espaço para personagens femininas serem o grande destaque, “Innocent Rouge” (que não foi publicado no Brasil) trazia essa veia de feminismo, mesmo em um mangá histórico, mais apoiado na realidade, e aqui, nesta releitura de “Drácula”, o autor faz isso novamente. Aqui, ele coloca, por exemplo, uma questão de racismo com a personagem Mina, que é ruiva (pessoas ruivas, no Reino Unido, frequentemente são retratadas de maneira estereotipada como burras, sujas ou “incivilizadas”), além do autor falar de direitos das mulheres (machismo e misoginia) através da personagem, que é a primeira mulher a conseguir entrar naquele colégio e precisa constantemente se mostrar mais do que capaz.

Eu acho louvável você pegar trabalhos clássicos e fazer novas perspectivas, relações entre personagens e trabalhar com questões que não necessariamente estão nos seus materiais de origem. Porém, acho esse volume inicial meio decepcionante. Gostaria de ter gostado mais, mas não rolou… Talvez melhore no segundo, mas não sei. Não tenho aqui e dificilmente comprarei o segundo já que não curti tanto assim o primeiro.

A minha ideia era lançar resenha dele em outubro, aproveitando o Halloween, mas acabei me enrolando com outros textos e coisas da universidade. Em algum momento de 2026, escrevo e publico a resenha no blog 🙂


La Sorcière du château aux chardons #1

Em anos anteriores, escrevemos recomendando “Umi ga Hashiru Endroll” e neste ano, escrevemos sobre “Goodnight, I love you…“, ambos mangás da John Tarachine inéditos no Brasil. Entre as séries da autora na demografia feminina faltava falar de “Azami no Shiro no Majo”, o único trabalho da autora lançado no Brasil (saiu tempos atrás, pela Mythos, sob o título “A Feiticeira do Castelo“). Eu acho a edição que a Mythos fez da obra um pavor e eu até tenho os 2 primeiros volumes da edição nacional aqui em casa (a editora nos enviou), mas vou deixar para falar dessa edição nacional quando fizermos o post de resenha da obra no blog. Para falar do primeiro volume da obra, a base foi da edição francesa lançado pela Akata.

O mangá começa com Marie, que é uma grande bruxa que vive em Edimburgo e possui uma loja de magia. Um dia, porém, a igreja deixa ela encarregada do Theo, um jovenzinho que possui o “Sangue da Justa Indignação“, um poder poderoso e perigoso, que o torna extremamente ligado aos espíritos (esses espíritos que emprestam seus poderes aos magos daquele mundo por meio de acordos/contratos). Sendo uma feiticeira solitária, não gosta da tarefa, mas também não é como se ela pudesse apenas recusar.

Os olhos são a fonte de contato com os espíritos, então o Theo não pode encarar muito os espíritos, pois eles vão querer fazer algum acordo com ele e sendo tão jovem (tem 13 anos), não tem noção do que pode ou não fazer, sendo um alvo fácil para espíritos não bem intencionados. Boa parte desse primeiro volume é com os dois indo atrás de fazer um óculos para o Theo (os óculos vão funcionar como bloqueadores para os espíritos), enquanto os dois começam a se conhecer e trocar conversas.

É um volume bem slice of life, com aquele desenho SUPER charmoso da John Tarachine que torna a leitura gostosa. Mas o que gostei mesmo neste volume inicial, foi uma passagem legal envolvendo uma senhora e uma árvore com décadas de vida no seu quintal. A vida da árvore está associada a de um espírito, no entanto, a árvore parece morta. Daí que a dupla de protagonistas vai até lá para ver o que pode ser feito. É um conto bonito de uma senhora que não quer sair de casa para não abandonar seu jardim, enquanto que a árvore/espírito deseja que aquela senhora tenha liberdade para ir viver. Como pessoa que adora botânica, achei o conto tocante e bonito!

Sendo sincerro, esse foi o trabalho que menos gostei dela tendo em vista apenas o primeiro volume. Tanto “Umi” como “Goodnight” tiveram introduções mais interessantes e que conversaram mais comigo. Isso torna “A Feiticeira” ruim? De forma alguma! É um trabalho legal e acho que quem gostou de “The Ancient Magus Bride“, da Kore Yamazaki, potencialmente vai adorar este mangá aqui!


A Menina do Outro Lado #1 e #2

Anos atrás, lá em 2019, escrevi uma resenha para o primeiro volume de “A Menina do Outro Lado”. Na época, ainda estava no Ensino Médio e desde aquele tempo, não tinha dado continuidade na leitura da obra. Decidi, então, reler o volume #1 e ler o segundo. Meu plano é escrever uma nova resenha no blog no próximo ano e por agora, para além das coisas que comentei no post do volume 1, é que com o tempo, percebi que dá para fazer uma relação com a discriminação que ocorre na obra, manifestada na maneira que as “pessoas de dentro” tratam quem está “do outro lado”. Da maneira como é feito, a gente pode trabalhar com uma ideia de racismo, já que as pessoas “de dentro” são representadas nas cores brancas, como pureza, e os “do outro lado” são pretos e oferecem risco de contaminação por causa da “maldição”.

Em entrevista, o Nagabe disse que ao fazer a obra não tinha pensado em mensagens profundas ao fazer a obra, mas que as interpretações vão de cada leitor e seus sentimentos. Nessa linha, se você pensar em minorias marginalizadas, dá para você colocar grupos nessa mesma situação: o racismo, a homofobia ou até mesmo na maneira como “Israel” trata os palestinos e faz o genocídio daquele povo.

Narrativamente, “A Menina do Outro Lado” é ótimo; em conceito e proposta, igualmente; em personagens e na relação estabelecida por eles, também; A arte é sublime, com o autor trabalhando com o contraste entre branco e preto, sem usar retículas para fazer sombras. Enfim, é bárbaro!


La Belle & la Racaille #1

“Sukeban to Tenkousei”, da Fujichika, é um Yuri ambientado numa escola do Japão dos anos 1980 e retrata o romance entre duas colegiais: a delinquente e temida Atsuko, e a estudante novata da escola, a Kanzaki. A relação das duas se estabelece por um joguinho de palavras que a Kanzaki propõe à Atsuko: a Atsuko lê, quando tem um tempinho, palavras fofas para a Kanzaki!

É um ponto de partida super… banal, mas é tão adorável! As duas personagens são fofas, principalmente a Atsuko, que não sabe exatamente como reagir com a Kanzaki. É uma tristeza que a obra tenha sido cancelada no Japão, mas é um mangá que super vale a pena procurar para ler. ^^


My Fair Honey Boy #1

Conheço e aprecio o trabalho da Junko Ike há alguns anos e em “Mizutama Honey Boy”, mangá que consolidou e levou a carreira da autora para outro patamar, conta a história de um garoto (Fuji) hetero afeminado que é apaixonado por uma garota do clube de Kendo, a Sengoku, que bem… não é uma garota desfem, mas está longe do padrão de feminilidade.

O que gosto na obra é a maneira como a autora brinca com esses papéis de gênero e, proposital ou não, trabalha com aquela ideia de que sexualidade independe da maneira como você performa gênero, afinal, tudo é construção social e depende do tempo que se está inserido. É uma comédia romântica deliciosa.


O Ladrão de Mundos #1

Li alguns “mangás brasileiros” nesta reta final do ano para resenhar no blog e o primeiro que li foi o BL “O Ladrão de Mundos”, uma ficção científica ao estilo enemies to lovers. Dentre todos os que li, ele é, sem dúvidas, o meu favorito! Me peguei gostando da obra, mais do que poderia imaginar. É um trabalho muito bom, seja na construção dos personagens, aos mundos que eles visitam e o pano de fundo da série. É um trabalho que definitivamente merece atenção!

Fizemos uma entrevista com a Sayuritake no blog! Vocês podem lê-la aqui.


SENSE LIFE #1

“SENSE LIFE” é um dos maiores sucessos comerciais dos últimos anos, mesmo considerando mangás (japoneses), possuindo 30 mil cópias em circulação com apenas um volume e isso é um feito e tanto (uma obra sem outras mídias/adaptações associadas, só com a força do público da série)!

Na história, temos o Kaleb, um jovem problemático usuário de drogas, e o Noah, um garoto depressivo que quer encontrar um sentido na sua deprimente existência. O Noah ajuda o Kaleb por um breve momento e acaba sendo envolvido em uma série de confusões, já que alguém quer a cabeça do Kaleb, mas, apesar disso e de alguma forma, uma amizade nasce a partir dali…


Cosmico

“Cosmico” é um BL que pode ser colocado como aquele que traz uma sensação de aconchego grande. Ou, como eu mesmo escrevi na resenha: aquela impressão de “quentinho no coração”. É uma história de romance simples, com um desenvolvimento legal, tem personagens carismáticos e um desenho cativante! Vale a pena conferir. ^^


Ugly Princess #1

Natsumi Aida é uma rainha do mangá de comédia pastelão e escrachada na demografia feminina. Ela vai na mesma linha (talvez um pouco mais contida) que a Aya Nakahara, autora de “Lovely Complex”, nas suas histórias. Aqui, temos uma garota feia que deseja se apaixonar e ser amada. Ela sofreu bullying e foi ridicularizada, então mantém “afastada” desse meio real, se concentrando nos homens 2D que ela tanto ama.

Como pessoa que se acha feia, me sinto abraçado pela personagem e me identifico com ela com várias das suas inseguranças. A Natsumi Aida narra a personagem baseado nas suas próprias impressões quanto a sua aparência, e descreve com muita delicadeza na maneira como retrata a protagonista (Meguro). Tem cenas bonitas neste primeiro volume da obra.

Esse foi meu primeiro contato com a mangaka e fiquei satisfeito com o que encontrei aqui, não só pela comédia, mas pelos dramas que a autora apresenta e representa através da sua protagonista. É um Shoujo de apenas 7 volumes e vale a pena conhecer!


Pela Última Vez

“Pela Última Vez” é o segundo trabalho do Alec que tenho contato (“Lebre e Coelho” foi o primeiro) e neste mangá aqui, o autor começa propondo uma história trágica que parte de dois garotos apaixonados, mas que, por um motivo ou por outro, nunca falaram seus sentimentos um pelo outro. Tudo muda quando um deles é atropelado por um caminhão, ficando à beira da morte e ganha a oportunidade de ver o seu amado pela última vez. É uma obra que, dependendo do quão conectado consegue estar, é para lavar a alma. Eu lembro que li no ônibus, indo para a universidade, e tem uma parte se aproximando do meio do volume que eu fui me segurando para não chorar.

Minha tristeza com a obra: não ser uma obra de tragédia :'(


Rei de Lata #1 e #2

Considerando os novos trabalhos nacionais que li para resenhar no blog neste mês (o que não inclui “Lebre e Coelho”, que li pela primeira vez há mais de 5 anos atrás), junto de “O Ladrão”, “Rei de Lata” foi meu favorito. Uma história envolvente, com uma base sólida, personagens cativantes (o José me cativa ódio) e um desenho sublime! Tem pouquíssimas coisas, detalhes, que eu consigo pensar que eu não gostei tanto assim ou que eventualmente possam ter me incomodado. E olha que o JEFF coloca dezenas de personagens em um espaço curtíssimo de tempo e mesmo assim, não deixa a peteca cair. É algo que considero realmente impressionante.

Fizemos uma entrevista com o autor da obra! Leia aqui ^^


The Flower Pot

“The Flower Pot” foi a obra que inaugurou o Selo Start! da JBC. Embora não seja lembrado hoje em dia, o episódio envolvendo a obra foi particularmente triste, já que envolveu uma série de descasos da editora com a obra (comentamos melhor sobre o assunto na resenha do mangá). Esse foi um trabalho que há muito tempo queria ler e resenhar no blog. Até comecei a ler em outras ocasiões, mas nunca cheguei a terminar de fato – o máximo que cheguei até então foi a metade do volume. É uma história agradável, fofa e doce, realçada ainda mais pelo estilo de arte da autora, a Amanda, que pinta a obra com cores vibrantes, coloridas, ficando tudo alegre.

Meu único problema com a obra é que sinto falta de um fio condutor mais consistente para a narrativa. Mas ainda assim, é um trabalho que se sustenta bem!


Lebre e Coelho #1 e #2

“Lebre e Coelho” é o que eu particularmente já considero um clássico do mangá nacional, principalmente considerando o BL. É uma história de amores adolescentes, com personagens que erram, fazem burrada, brigam, se desentendem, se amam e tentam acertar mesmo errando.

Mas se me permitem, algo que não comentei na resenha, mas fiquei pensando sobre: quando li a obra, há muito tempo atrás, tinha a impressão de que ela era muito mais depressiva do que nessa releitura. Aí me veio a dúvida: será que estou confundindo os mangás e esse mais depressivo, na verdade, é uma outra obra? OU será que, por eu estar lendo na adolescência, quando era vitima de bullying na escola, a obra me soou mais triste do que era em alguns trechos? Não sei e, talvez, nunca saiba. Mas fica aí o questionamento


Aproveitamos a ocasião para agradecer à todo.a.e.s que acompanharam o blog ao longo do ano, sejam os mais recém-chegados, como aqueles que já nos acompanham há mais tempo. Desejamos um Feliz Ano Novo para todos vocês e nos vemos para mais em 2026! <3