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Isekai e BL, unidos para criar algo fantástico!

2026 se apresenta e nós já começamos nossos trabalhos! Seguimos na nossa “missão” de falar, propagar e aclamar a demografia feminina (Shoujo, Josei, BL…) e nessa nossa coluna, para quem não conhece, o blog se propõe a recomendar pelo menos uma obra de demografia feminina por mês. Felizmente, o mangá feminino vem se apresentando como em bons tempos, recebendo cada vez mais adaptações em anime, embora muitas ainda possuam uma qualidade duvidosa nas suas produções. Um dos animes da Temporada de Inverno de 2026 é o BL “Isekai no Sata wa Shachiku Shidai”. E hoje, há poucos dias da estreia da animação, escrevemos um texto recomendando a obra. ^^

Isekai no Sata wa Shachiku Shidai” (異世界の沙汰は社畜次第) é originalmente um romance escrito pela Wakatsu Yatsuki. A obra começou a ser publicada em fevereiro de 2019 pela KADOKAWA. A novel conta com ilustrações da Kikka Oohashi. A obra foi concluída em setembro de 2021, com 3 volumes no total. Em março de 2020, começou a ser publicada a adaptação em mangá da obra. Feita por Irodori Kazuki, a adaptação é lançada na revista B’s-Log Comic, uma revista da Enterbrain que é essencialmente de demografia feminina, incluindo a publicação de BLs. A obra tem 7 volumes e se encontra no 3º e último volume do original, portanto não devem restar muitos volumes para a conclusão. A série tem 2 milhões de cópias em circulação no Japão (7 volumes do mangá + 3 da novel). A adaptação em anime foi anunciada em novembro de 2024 e estreia agora, em 6 de janeiro, com produção do estúdio DEEN (Sasaki e Miyano) e direção de Shinji Ishihara (Sasaki e Miyano; Tadaima, Okaeri).

Na França, a obra é publicada desde setembro de 2024 pela Akata, sendo um dos grandes sucessos de BL do catálogo da editora. Eles lançaram 6 dos 7 volumes disponíveis. Para escrever sobre a obra no blog, terei por base os 3 primeiros volumes do mangá, que cobrem o conteúdo do 1º volume da novel! Mas CALMA, serão comentários sem entrar nos pormenores da história, sendo um post sem spoilers! ^^


“Isekai no Sata”, como o título sugere, é um BL Isekai, algo que até então, vi raríssimas vezes. A história parte do Seichirô, um salaryman absolutamente comum: explorado pela empresa que trabalha, sendo obrigado a realizar cargas horárias exaustivas, além de receber cada vez mais trabalho. Ele está próximo dos 30 anos e sentindo-se completamente exausto. É num dia quando, ao voltar para casa, tenta ajudar uma moça que estava sendo sugada por um estranho portal. Nessa tentativa, ele acaba sendo tragado junto da jovem moça. Os dois são teletransportados para outro mundo e lá, descobrem que a invocação se deve ao fato do Reino de Romani precisar da ajuda de uma Santa para que extermine o miasma que acomete as florestas e está se espalhando, ameaçando o reino. Como o interesse estava na moça, a Shiraishi, o Seichirô acabou ficando sem ter nada para fazer, dado que sequer sabem como mandar alguém de volta… Ele, então, rapidamente pede por um trabalho! Assim, começa a trabalhar na corte do reino, mexendo com a contabilidade. Ele só não esperava que sua movimentação chamaria atenção e levantaria a desconfiança do Aresh, o capitão dos cavaleiros conhecido como “Príncipe de Gelo”.

No trabalho de contador, o Seichirô vai descobrir que a forma com a qual o reino lida com os gastos é completamente insustentável e tão breve, começa a interceder para tentar regular os gastos do reino, especialmente com a ala mais alta do exército que é onde altas quantias são destinadas, de forma a tentar ajustar as coisas antes que o reinado colapse. Ocorre que esse trabalho do Seichirô não vai demorar muito tempo para começar a incomodar às pessoas que mais se beneficiam com a verba do reinado sendo destinada de forma tão equivocada e descontrolada. Essas insatisfações primeiro vão chegar no alto escalão dos cavaleiros, que é um dos setores que mais abusam dos orçamentos, sempre criando novas requisições com desculpas estapafúrdias para ter mais (e mais) dinheiro.

– O que está fazendo aqui?

É nesse interim que entra o Aresh, o futuro par romântico do Seichirô. Ele é um dos cavaleiros mais prestigiados de Romani e é o capitão do exercito, ganhando o apelido de “Príncipe do Gelo” pela sua postura imponente e fechada. O Aresh não é exatamente a pessoa mais receptiva e não vê o Seichirô com bons olhos, mas mantém sua distância, sempre observando as ações dele. E como é que esses dois vão começar a se relacionar? O que serve de start para que os dois passem a, de fato, interagir um com o outro? O Seichirô desenvolve uma espécie de “alergia” à magia daquele mundo, porém, virou um grande workaholic pela maneira que levava sua vida na Terra. Ao passo que se adentrava mais nas finanças do reinado, percebendo como as coisas estavam caminhando mal financeiramente e na tentativa de encontrar soluções e meios de contornar a crise iminente, mais trabalho surgia. Como forma de tentar dar conta de todo aquele trabalho, começa a usar poções que trazem um bem-estar, no entanto, abusando disso e sem saber da sua “alergia” à magia, não demora para que ele passe mal (à beira da morte) e é aí que o caminho dele cruza, de fato, com o do Aresh, que vai entrar como a pessoa que irá remediar essa quantidade de magia que o Seichirô tem contato.

O Aresh tem toda aquela postura imponente, de que nada o afeta e é indiferente com as pessoas, mas quando o Seichirô entra na roda, tudo que ele não consegue fazer é se manter indiferente. O personagem só não se deu conta, embora os dois, a certa altura, saibam que a relação deles está progredindo para “algo a mais”, mas já está completamente rendido pelo Seichirô, de forma que moldou a sua rotina a conseguir prestar atenção no garoto, como formas de fiscalizar se ele está se alimentando, se está fazendo pausas para descanso, trabalhando menos ou mesmo, esperando para ver se ele encerra o expediente sem fazer horas extras, e por aí vai… Gosto muito desse tipo de personagem, porque tem um lado que é adorável nessa dicotomia de ser frio e, ao mesmo tempo, ser completamente rendido pela pessoa que gosta.

Dessa forma, aos poucos a obra vai estreitando a relação dos dois personagens, de maneira que o Seichirô, a partir do momento que toma consciência do Aresh, não sabe bem como lidar com ele, tanto por não saber bem o que se passa na sua cabeça, como também pelo lado de que está sempre com uma cara fechada, frequentemente parecendo estar com raiva. Ele não consegue ler o rapaz, por isso se vê um tanto perdido no que e como fazer. No entanto, tem certos cuidados e uma dedicação (como nos cuidados com a saúde e o levar para jantar em um lugar que é especial para o próprio Aresh) que deixam o Seichirô deveras confuso e, se bobear, confundem ao próprio Aresh, rs. E acho bacana a maneira como um muda pelo outro, buscando o melhor do próximo, mesmo que não assumam isso de primeiro momento.

Além dessa relação dos dois, da comédia (deliciosa) envolvida e das situações do trabalho, há uma trama política correndo por trás que não é tão simples como parece. Como eu disse, o Seichirô prontamente passa a causar incômodos no reinado graças às fiscalizações orçamentárias, e há um personagem em específico que sonda o Seichirô. Ele teve algumas poucas aparições ao longo desses dois volumes (coisa de 2 ou 3 situações), mas em cada uma dessas aparições, sempre está com um tom suspeito, já que ele acha o Seichirô um pouco fascinante e passa uma grande impressão de perigo.

A série ainda ganha outras camadas e contornos interessantes no decorrer da narrativa, como a interseção de grupos poderosos daquele reino, da maneira como a Santa vai se por nessa obra e como vai lidar com uma série de questões no decorrer da história, na relação da Igreja com essa figura da Santa e o símbolo que representa, e até nas brigas que o Seichirô se coloca como disposto a comprar para provar o ponto dele e trazer novas perspectivas de ação material e concreta daquela realidade. E por sinal, isso é algo que deveria ser melhor explorado nesse tipo de obra: a bagagem (cultural, tecnológica…) que a pessoa traz do mundo para o outro e os impactos que isso traz para aquela realidade. O Seichirô, por exemplo, vai fazer uso de objetos de matemática que, hoje em dia são arcaicos, mas que dentro daquele contexto, são uma revolução.

Claro que eventualmente, essa proximidade dos dois vai terminar na cama, rs.

A gente vê, ao longo de vários anos e em toda temporada, vários isekais que são praticamente a mesma história, com os mesmos estereótipos e arquétipos horrendos e diversas vezes, “os mesmos personagens” (quantos Kiritos a gente já não viu nesse tipo de anime nos últimos anos?) e mesmo que “Isekai no Sata” não reinvente a roda, acho divertido como ele é mais estruturado, bem sustentado e desenvolvido, seja nos seus personagens, como na história. A autora sabe bem ir amarrando e entrelaçando os assuntos que quer abordar, deixando as pontas para puxar mais para frente. Devem existir (com certeza) outros isekais BLs por aí no Japão, mas esse é o primeiro que vejo fazer tanto sucesso dentro e fora do Japão (não é só na França que a série é um grande sucesso comercial) e fico feliz com essa adaptação, ainda mais vindo de um diretor que sabe trabalhar bem com esse tipo de material!


Falando um pouco das autoras e começando pela Wakatsu Yatsuki: “Isekai no Sata” é, sem dúvida nenhuma, seu maior sucesso atualmente. Do que pudemos encontrar, esse é o primeiro BL da autora e atualmente, ela trabalha escrevendo outras séries de demografia feminina, mas dentro do Shoujo e do Josei: “Akuyaku Reijoutachi wa Yuruganai” é uma novel em volume único que ela lançou em 2023 e desde 2024, é publicada uma adaptação em mangá com ilustrações da Nina Akabane, está em publicação na revista FLOS Comic (KADOKAWA) e conta com 2 volumes lançados. E em 2025, ela começou outras duas séries de mangá: “Merimero ~Bishokuka Dragon ni Sasagu Isekai Sweets~“, Josei ilustrado por Natsuo Ito e publicado na Wings (Shinshokan); e “Tensei Daihachiouji no Shiawase Kazoku Keikaku“, Shoujo com ilustrações de Noko Minamino, adaptado de uma novel em 2 volumes que ela lançou entre 2024 e 2025, é publicado na GA Comic (SB Creative). “Merimero” ainda não possui volumes lançados, já o mangá de “Tensei” conta com 2 volumes publicados.

Capas japonesas de, respectivamente: “Akuyaku Reijoutachi wa Yuruganai” novel e mangá #1 e “Tensei Daihachiouji no Shiawase Kazoku Keikaku” novel #1 e mangá #1.

Já do lado da Irodori Kazuki, ela é uma mangaka mais jovem, tento aparecido profissionalmente no final dos anos 2010 e participado de algumas coletâneas aqui e ali e de forma independente. “Isekai no Sata wa Shachiku Shidai” é a primeira série da mangaká e, portanto, seu primeiro grande sucesso!


Mesmo não reinventando a roda, “Isekai no Sata” parte de algo que não estamos particularmente habituados a ver no BL. Entre os Boys Love que foram adaptados para anime nos últimos anos, esse tem uma pegada bem diferente (com fantasia etc.), o que pode atrair olhares mais interessados. É uma obra que vale a pena ficar de olho e que torcemos para que o anime faça sucesso, pois merece! ^^

Abaixo, como de costume, deixamos o vídeo mostrando o primeiro volume da edição francesa da obra e em seguida, a lista com todas as obras que já recomendamos no blog. Até o próximo post!

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