20260228_16541126344641845749834
Chihiro Hiro é uma mangaka especial!

Último dia de Fevereiro e não poderíamos terminar o mês sem o nosso tradicional post de apresentação! Para quem não sabe, todo mês o blog se propõe a recomendar uma obra de demografia feminina (Shoujo, Josei, BL…) e neste mês, pensando no contexto do Dia dos Namorados Internacional, escolhemos uma obra que tivesse o elemento romance e que fosse um trabalho mais levinho para a ocasião. O mangá escolhido foi “Futari de Koi wo suru Ryuu”, da Chihiro Hiro!

Futari de Koi wo suru Ryuu” (ふたりで恋をする理由) é um mangá escrito e ilustrado pela Chihiro Hiro. A obra foi publicada no Japão entre Novembro de 2018 e Dezembro de 2022 na revista Margaret, da editora Shueisha. A obra foi concluída com 12 volumes no total e acumula mais de 2 milhões de cópias em circulação no país.

O mangá está em publicação na França pela Akata desde Abril de 2024 sob o título “Toutes les raisons de s’aimer” (algo como “Todas as Razões para se Amar”) e com previsão de conclusão para 2026. Falarei da obra com base nos 4 primeiros volumes ^^


A história parte da Urara, uma garota de atitude – embora não muito confiante – que está começando a vida no Ensino Médio. Um dia, indo para a escola no trem, ela oferece ajuda a um senhor idoso, que não gosta da ação e começa a gritar com ela dentro do transporte. Completamente constrangida e sem saber o que fazer naquele momento, ela é ajudada por um rapaz – que mais tarde, ela vem a descobrir que se chama Okaniwa – e fica muito encantada com a sua figura, se apaixonando por ele. Triste por não ter conseguido pedir contato do garoto, mas extremamente grata por ele, mais tarde ela vai descobrir que eles estudam na mesma escola – embora ele parecesse ser mais velho. Nesse meio tempo, ainda temos o Misono, que é ‘amigo’ da Urara e que conhece o Okaniwa desde a infância. O Misono não gosta nada da aproximação da Urara do amigo, interferindo para que os dois não tenham uma grande aproximação e desenvolvendo a história a partir daí.

– Você vai repetir isso quantas vezes? Haha
* Eu estava no primeiro ano do Ensino Médio… quando eu entendi o que era o amor. Mas até hoje, eu nunca tinha tido um verdadeiro amor à primeira vista.

“Futari de Koi wo suru Ryuu” é uma obra de romance bem convencional em estrutura narrativa. Temos aqui um triângulo amoroso e de primeira, o que pensei que seria desenvolvido é que, na verdade, o Misono gosta do Okaniwa, daí ele agir de forma ríspida com a Urara… infelizmente, não é esse o caminho que a obra toma (o que de primeira, eu achei bem triste, pois um personagem gay/bi tornaria as coisas mais interessantes). Apesar da heterossexualidade, a autora toma caminhos bem interessantes em alguns campos e além disso, tem algumas peculiaridades quanto aos seus personagens que tornam a obra mais cativante. A começar pela própria protagonista que é cheia de atitude. Ela pode ter suas inseguranças, seus medos e até se arrepende de não ter tomado iniciativa em algumas ocasiões no passado, mas ela está disposta a tentar mudar e encarar as coisas mais frontalmente.

Ela torna a obra mais interessante de ler, já que não é uma personagem que está sempre fugindo. A maneira dela, ela tenta fazer os próprios corres, aprender e conquistar aquilo que tem interesse. Não a toa, o Misono age de forma maio detestável com ela no começo e ela bate de frente com ele. Sempre que o garoto tenta afastar ou fazer ela desistir do Okaniwa, ela o confronta e segue tentando fazer o garoto notar ela.

– As garotas ingênuas como você se apaixonam facilmente, não é? Então considere esta história encerrada… e passe para o seu próximo crush.
– Você está completamente engando sobre mim… eu entendo que Okaniwa seja alguém importante aos seus olhos… mas eu te garanto que meus sentimentos são sinceros.

Mas por que o Misono age dessa maneira com a Urara? Não é puramente por ser escroto e claro, tem o fator de que ele gosta dela e só não admite – nem para si mesmo, nem para os outros -, o que é bem tradicional no gênero, mas também existe uma nebulosidade entorno de tudo isso, de que o Misono sabe de algo que a Urara desconhece e por isso, tenta fazer com que ela desista, pois sabe que o Okniwa não vai correspondê-la (na visão dele). A protagonista, claro, não aceita o que ele diz a ela e está sempre tentando algo novo para se aproximar do rapaz.

E do lado do Okaniwa, desde o começo ele é apresentado como aquele típico garoto ~good vibes~, que é muito legal e simpático com todo mundo, amigo de muita gente, incluindo o Misono que tem uma personalidade um tanto difícil de lidar. Entre os personagens do núcleo principal, ele é o que mais acho interessante até o momento, pois a autora vai pincelando que ele realmente esconde alguma coisa. Tem momentos e mais momentos em que ele aparece com um olhar distante, como se esbarrasse em alguma coisa que o incomodasse. Por mais aberto que ele pareça, sempre aparenta haver uma limitação, uma barreira de até onde as pessoas podem chegar perto dele, o que torna o personagem mais complexo do elenco. E, na verdade, se de pensar bem, é ele quem faz a narrativa caminhar.

– Eu não tenho [namorada]
– AIJI!
– O que que há?

Fiquei positivamente surpreso com o quão fluida e gostosa foi a leitura desses volumes. Achei que iria demorar a ler, mas li um volume em sequência do outro e vale dizer, esses 4 primeiros tomos formam o primeiro ato da série, por isso decidi por falar da obra tendo todos eles em mente. Não quero entrar em muitos dos pormenores da série, mas saibam que os personagens tem camadas e alguns tons que vão além do preto no branco. Alguns deles têm algumas áreas mais cinzentas que tornam eles meio dúbios e a autora está sabendo conduzir de forma a não deixar a peteca cair e sempre instigar tanto um lado como o outro, de forma que a gente não sabe exatamente o que aconteceu, como aconteceu e como é, de fato, a relação entre alguns núcleos de personagens.

Os jovens hoje em dia tem uma coisa com o “farmar aura” e lendo o mangá, tem diversas páginas que passam muito bem essa impressão. A quadrinização da Chihiro Hiro é simples e até bem convencional, mas ela sabe criar páginas de impacto, sobretudo na expressão que os seus personagens têm e na maneira como ela desenha os olhos deles. E falando nisso, o desenho da Chihiro é um espetáculo. Além das expressões e dos olhos que são muito impactantes quando olhamos para o desenho dela, tem páginas lindas, com composições muito marcantes ou que o desenho é realmente impressionante. Acho ela muito versátil no desenho e até cenas de jogos ela desenha muito bem!

Nesses 4 primeiros volumes, nós temos o núcleo principal composto pela Urara, pelo Okaniwa e o Misono. No terceiro volume, temos a introdução da Maaya e a partir do próximo, vai entrar o Hajime, que fecha o núcleo principal da narrativa. Como eu disse, é uma história de romance escolar “comum” no âmbito do tipo de história, mas que tem seu encanto diferenciado pelos personagens e pela maneira como a autora dispõe a narrativa, tornando ela mais interessante de ser acompanhada.


Sobre a mangaka, a Chihiro Hiro estreou com a obra “Toshishita no Otokonoko” em 2015 na Margaret. A obra teve 3 capítulos lançados e participou de um concurso de popularidade na revista com outras obras. O título foi o vencedor e teve a oportunidade de virar uma série, sendo concluída em Maio de 2016, com 3 volumes no total. Em 2017, a autora lança sua segunda série na Margaret: “Shunkan Gradation“, obra em 4 volumes publicada entre Abril de 2017 e Julho de 2018. Até que no final daquele ano, ela lança “Futari de Koi wo suru Ryuu“, sendo um enorme sucesso da revista. Hoje em dia a Chihiro Hiro é uma das grandes autoras da Margaret e a obra responsável por consolidar e elevar a carreira da autora para outro patamar foi “FutaKoi”! Atualmente, a autora publica “Kimi to Barairo no Hibi“. A obra começou a ser publicada em Maio de 2023 na Margaret e conta com 2 volumes lançados (o 3º será lançado em Março). A série já é um grande sucesso, tendo 200 mil cópias vendidas com apenas 2 volumes.

Capas japonesas de “Toshishita no Otokonoko” #1, “Shunkan Gradation” #1 e “Kimi to Barairo no Hibi” #1 e #3.

Daqui para frente, imaginamos que a Chihiro só vá crescer dentro da revista, ainda mais agora que ela emenda um novo sucesso. Adorei conhecer o trabalho da autora e espero voltar futuramente para falar dos outros trabalhos da mangaka ^^


Para esta obra, é isso! Espero que tenham gostado e estamos fechando mais um mês. Em breve eu lanço um vídeo mostrando a edição francesa e deve sair um outro mostrando a edição especial que a obra teve no volume #5 na França! Enquanto isso, segue a lista com todas as obras que o blog já recomendou (e são mais de 40!).